Aulas de Xadrez

quarta-feira, 4 de março de 2009

Boletim Informativo CXC - Fevereiro 2009

Entrevista: Dr. Mauro de Athayde (parte 1)

Neste mês, começamos a publicar uma entrevista com o ilustríssimo Dr. Mauro de Athayde, dividida em quatro partes, onde ele conta muitas histórias passadas, dá a sua visão da atualidade e nos presenteia com palavras de muita sabedoria. Diversas vezes campeão paranaense, ele deu seu depoimento na sala Otto Mak do CXC com muito bom humor e cordialidade.

LS: Como foi o seu começo aqui no Clube de Xadrez de Curitiba?
MA: Eu comecei a freqüentar aqui quando eu vim de Santa Catarina, em 1953. Comecei jogando o Torneio da Segunda Turma, onde jogava o Gubert, o Arlindo... Foi o primeiro torneio que eu ganhei. E depois em 54, ainda participei de um torneio no clube, o campeonato paranaense, onde eu ganhei três seguidas, depois mais três.

LS: E quem eram as pessoas que freqüentavam o CXC na época?
MA: Tinha o Ernani Santiago de Oliveira, que foi vereador e prefeito de Curitiba. Há inclusive uma rua na frente do Palácio com o nome dele. Fez muitas obras sociais, era um jogador muito talentoso, muito novo, foi um grande tribuno, era advogado. Quando precisava de um orador, era só colocar o Ernani lá. Depois mudou-se para SP e em 1954 já não estava mais aqui. Joguei duas partidas com ele, uma delas um ataque Marshall. Ele gostava daqueles ataques fortes.

O Otto Mak, que empresta o seu nome a essa sala, era outro jogador muito conhecido. Acho que foi o único que jogou todos os campeonatos paranaenses na época. Pessoa boníssima. Havia também o Dr. Erbo Stenzel, que esculpiu aquela estátua do Homem Nu (na praça 19 de dezembro, no centro de Curitiba) e estudou Belas Artes.

LS: Como era o estilo de jogo deles?
MA: O Otto tinha um estilo posicional. Inclusive, o Hengels concedeu-lhe o apelido de “Muralha Paranaense”, porque era muito difícil de bater, empatava nove e não perdia uma. Era um estilo muito difícil. Então, tinha que sair com estilo mais agressivo para poder fazer um bom resultado.
Já o Erbo tinha um estilo oposto. Não podia propor empate para ele, pois como disse o Tartakower: “Propor empate era um desvio a dignidade”. O Erbo também achava isso. Eu nunca propus empate para ele, estando melhor ou pior, porque ele se sentia até ofendido. O estilo dele era muito, muito agressivo, um jogador muito combativo. Tenho um histórico dilatado com ele, 13 a 1. Ele era muito combativo e agressivo, e por isso às vezes deixava falhas.
A única partida que empatamos foi num zonal em que nós dois poderíamos nos classificar. Fomos jogando. A certa altura ele ficou pior, perdido, e foi a única vez que propôs. Eu ganho, não podia aceitar, e então Erbo ficou meio ressabiado comigo, mas como que vou empatar?

LS: Havia algum jogador conhecido por seu bom humor?
MA: Cada um deixou sua característica. Teve o médico Gravina, de Ponta Grossa, um forte jogador, jogou campeonatos estaduais e era famoso por suas tiradas. Ainda pretendo publicar as tiradas dele. Uma delas era falar durante a partida: “cada enxadada uma minhoca”. Sempre muito espirituoso. Há várias que ficam até hoje.
Havia um jogador em Ponta Grossa como o Irídio, que só jogava Pirc, Inglesa, etc. Então o Gravina colou esse peão aqui (o peão de c2) no tabuleiro. O outro foi jogar, sentou na mesa e não conseguiu fazer seu lance (risos).
Texto do Boletim informativo do Clube de Xadrez de Curitiba do mes de Fevereiro de 2009 - Entrevista de Leandro Salles. www.cxc.org.br

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