Aulas de Xadrez

IV Floripa Ches Open 2018

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sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

O Centro e a Natureza da Luta no Xadrez II

a) Ruy Lopez – Variante do Câmbio – a original 5.d4

Essa variante apresenta características consistentes para discussão do tema que estamos tratando: ocupação do centro com peões e peças e abertura de linhas centrais.

Para iniciar o análise, vejamos as principais características da posição que se apresenta após os lances 1.e4 e5 2.Cf3 Cc6 3.Bb5 a6 (lance este que constitui a Defesa Morphy), 4.Bc6 dc6.

Até aqui, ambos os lados optaram pela modalidade de ocupação e controle do centro por peças e peões (e4 x e5 e Cf3/Bb5 por brancas e Cc6 por pretas). E na escolha preta da Defesa Morphy (3...a6), brancas optaram pela troca em c6.




E qual a razão desse câmbio? Que vantagem podem esperar as brancas ao cederem assim o par de bispos às pretas, com domínio das importantes diagonais a3-f8 e h3-c8 para os prelados pretos? Porque cederam, ao menos momentaneamente, o controle da coluna “d” para a Dama preta? Porque trocam uma peça por outra, atrasando seu próprio desenvolvimento e acelerando o do oponente?

Os motivos de tantas concessões consistem nos seguintes aspectos de ordem estrutural.

Primeiro, porque da troca resultou supremacia numérica de pões brancos no centro, já que o peão “d” preto foi afastado desse local.

Segundo, porque esse afastamento retira do peão de e4 seu defensor natural, restando a possibilidade de defesa do mesmo apenas pelo peão “f”, sendo este um lance que debilita as diagonais a2-g8 e principalmente h4-e8, esta sendo utilizada como tema de combinação em muitas variantes.

Terceiro, porque o dispositivo de peões pretos na ala da Dama resta com pouca mobilidade, apresentando-se em muitos casos como um alvo fixo de ataque, mediante manobras tais como Cd4-b3-a5, peão a2-a4-a5, Ta1-a6-a7-a8, Bispo c1-e3 e Bispo c1-f4, as quais, procedidas isoladamente ou de forma coordenada, constituem ameaça permanente de invasão e ganho de material.

Quarto, porque o bispo remanescente das brancas é o assim considerado “bispo bom”, pois que trafega em casas de cor oposta à de seu peão central e4.

Quinto, considerada por muitos como a característica mais importante, no caso de um câmbio de peões e Damas em d4, restará configurada uma maioria quantitativa dos peões brancos na ala do Rei, o que em um final de partida pode representar uma vantagem decisiva.

É por essas razões que Lasker não apreciava o lance 3...a6, procurando demonstrar que tratava-se de perda de tempo, e por isso mesmo apressando-se em trocar seu “bispo espanhol” pelo cavalo de c6. E, como já dito, por ser exímio condutor de finais, colheu expressivo número de vitórias com essa troca.

De outro lado, o que podem fazer as pretas para enfrentar todos os pontos favoráveis alinhados para o lado branco? Também não são poucos os recursos que se oferecem nesse sentido.

Primeiro, a posse do par de bispos, com diagonais centrais importantes para o tráfego dos mesmos, ensejam confortável liberdade de ação.

Segundo, porque ao ficar semi-aberta a coluna “e” pelas trocas ocorridas em d4, o peão branco de e4 surge como alvo natural de ataque frontal, podendo ser objeto de pressão por lances tais como Te8, f6 (ou f5, segundo o caso) e Cg1-e7-g6, o que por certo comprometem as peças brancas na defesa e dificulta o alcance dos objetivos do primeiro jogador.

Terceiro, porque essa maior liberdade de ação das peças geralmente proporciona a abertura de outras linhas, centrais ou periféricas, incrementando assim o poder dos bispos e torres do lado das pretas.

Como se percebe, a aparente simplicidade da posição está muito longe de ser simples, apresentando enorme riqueza de temas estratégicos, os quais, coadjuvados por manobras táticas correspondentes, imprimem à partida um dinamismo bastante característico do xadrez contemporâneo.

Para ilustrar o tema, serão apresentadas duas partidas de Lasker.

Lasker, Emanuel - Tarrasch, Siegbert [C68]
World Championship 8th Germany (1), 17.08.1908

1.e4 e5 2.Cf3 Cc6 3.Bb5 a6 4.Bc6 dc6 5.d4 ed4 6.Dd4 Dd4 7.Cd4 c5 8.Ce2 Bd7 9.b3 Bc6 (pressionando o objetivo de ataque e4) 10.f3 Be7


Um plano equivocado, que não se ajusta às exigências de controle central. Teria sido melhor 10...Bd6 11.Bb2 f6, prosseguindo com o roque maior, intentando pressão sobre o centro mediante ataque frontal ao peão com Ce7-g6 e The8.

11.Bb2 Bf6 (essa oferta de troca anula a suposta vantagem do par de bispos das pretas, para impedir a pressão exercida pelo prelado branco na diagonal a1-h8) 12.Bf6 Cf6 13. Cd2 0–0–0 14.0–0–0 Td7 (procurando o controle das colunas centrais) 15.Cf4 Te8 16.Cc4 b6 17.a4 a5 18.Td7 Cd7 19.Td1 (controlando a coluna d) Ce5 20.Ce5 (trocando peças com vistas a um final superior) Te5 21.c4 (dificultando a ação da maioria quantitativa das pretas na ala da Dama) Te8 22.Ch5 (manobra diversionista para centralização do Rei e colocação das peças pretas em posições passivas) Tg8 23.Td3 f6 24.Rd2 Be8 25.Cg3 Bd7 26.Re3 Te8 27.Ch5 Te7 28.g4 (mobilização consistente da maioria quantitativa na ala do Rei) c6 29.h4 Rc7 (não é possível b5 por 30.ab5 cb5 31 Td5, ganhando material) 30.g5 f5 31.Cg3 fe4 32.Ne4 Bf5 (renunciando a qualquer possibilidade de obtenção de peão passado na ala da Dama, para tentar conter a escalada branca na ala oposta) 33.h5 Td7 34.Tc3 (evitando trocar uma peça ativa por outra com menor poder de ação) Td1 35.Rf4 Bd7 36.Te3 Th1 37.Cg3 Th4+ 38.Re5 Th3 39.f4 Rd8



Como sempre ocorre nesse tipo de posição, pretas tem muitas dificuldades para mobilizar seu Rei na defesa do centro e da ala onde brancas tem maioria.

40.f5 Th4 41.f6 gf6+ 42.Rf6 Be8 43.Cf5 (manobra tática que implementa o plano) Tf4 44.g6 hg6 45.hg6 Tg4 46.Te8+! (o arremate final) Rxe8 47.g7 Rd7 48.Ch4 Tg7 49.Rg7 Re6 50.Cf3 Rf5 51.Rf7 Re4 52.Re6 Rd3 53.Rd6 Rc3 54.Rc6 Rb3 55.Rb5 1–0

Lasker,Emanuel - Capablanca,Jose Raul [C68]
St Petersburg, 1914

Esta partida ficou famosa não tanto pelo seu resultado, mas sim pela forma como ele foi obtido pelo então Campão Mundial Emanuel Lasker.

Até a rodada desse encontro, faltando ainda quatro para o final do torneio, Lasker estava um ponto atrás do jovem líder Capablanca. Portanto, tinha de alcançá-lo a qualquer preço, se quisesse reunir ainda condições de lutar pela primeira colocação.

1.e4 e5 2.Cf3 Cc6 3.Bb5 a6 4.Bc6

Um lance surpreendente, típico do xadrez psicológico de Lasker. Todos sabiam que a Variante do Cambio constituía uma arma letal nas mãos do campeão mundial. Entretanto, poucos acreditavam que ela seria adotada nessa partida, tendo em vista a notável capacidade analítica demonstrada pelo jovem líder. Entretanto, jogando com a natural autoconfiança de Capablanca, Lasker não lhe deu condições de perceber suas intenções agressivas.

4...dc6 5.d4 ed4 6.Dd4 Dd4 7.Cd4

Ao desaparecerem as Damas, era de se perguntar se esse era o modo correto de tentar a vitória em uma partida decisiva...

7...Bd6 8.Cc3 Ce7 9.0–0 0–0 10.f4 Te8

Procurando o controle da coluna central, ao mesmo tempo em que inicia o processo de assédio ao peão e4.

11.Cb3 f6 12.f5!

Esse lance foi recebido com surpresa pelos presentes e comentadores. Contrariando os princípios do Xadrez Clássico, as brancas cedem ao adversário o controle da casa e5, ao mesmo tempo em que deliberadamente enfraquecem sua posição central em face do peão de rei atrasado. E, além disso, tornam quase impossível a realização de sua supremacia numérica de peões na ala do Rei.

Entretanto, Lasker havia enxergado muito mais além...

12...b6

Com o objetivo lógico de pressionar e4 via Bb7, já que a ação dessa peça restou limitada pelo avanço f5 das brancas. Assim, o controle da diagonal h1-a8 harmoniza-se com o plano das pretas de pressão e domínio das linhas centrais.

13.Bf4 Bb7?

Um erro, que somente pode ser debitado à confiança excessiva de Capablanca em suas possibilidades de vitória ou empate. Justamente o que almejava Lasker.

14.Bd6 cd6

E aqui parece que tudo está bem para as pretas, o peão d voltou a participar da luta pelo centro, os peões dobrados não mais existem e a falha estrutural das brancas permanece como alvo de ataque.

15.Cd4 Tad8?

Um lance natural, buscando a defesa do peão d6 e possibilidades futuras de domínio da coluna d. Entretanto, esse movimento demonstra que as possibilidades das brancas, a partir do avanço f5, foi subestimada pelo lado preto. Por isso, era imperioso o preventivo 15. Bc8, o qual ainda que constituísse renúncia da pressão desse bispo sobre e4, por seu turno evitaria a instalação do perigoso cavalo branco na casa e6.

16.Ce6 Td7 17.Tad1

Aproveitando-se da passividade imposta ás peças contrárias, onde a pressão exercida na coluna ``e´´ não mais existe e o bispo encontra-se encerrado atrás dos peões pretos, Lasker incrementa o controle das casas centrais via pressão das peças pesadas na coluna ``d´´, dentro dos pressupostos clássicos dessa variante.

17...Cc8 18.Tf2 b5 19.Tfd2 Tde7 20.b4 Rf7 21.a3 Ba8?

Como corolário de suas ações de reforço do domínio central, Lasker observa que as peças pretas cada vez mais se retiram para casas periféricas (lances 17...Cc8 e 21...Ba8). Este último constitui mais um erro, concordando os analistas que o sacrifício de qualidade 21...Te6 22.fe6 Re6 teria proporcionado as pretas melhores condições de resistência.

22.Rf2 Ta7

Ao desaparecerem suas chances de domínio central, pretas procuram respirar pelas linhas extremas do tabuleiro, Entretanto, essas rupturas a nada levam, porque os pontos de invasão estão todos sob domínio do lado branco. Inclusive, mais tarde as colunas assim abertas servirão de vias de invasão para o lado que detém a superioridade central.

23.g4 h6 24.Td3

Controlando antecipadamente o ponto de invasão a3, defendendo a peça de c3, além de poder trafegar rapidamente em para a ala do Rei.

24...a5? 25.h4 ab4 26.ab4 Tae7

Percebendo que nada tinha a obter na coluna ``a´´, pretas retornam essa peça para a defesa de sua posição central.

27.Rf3 Tg8 28.Rf4

Brancas persistem em seu plano de domínio central, agora já estendendo suas possibilidades para eventual ruptura na ala do Rei.

28...g6 29.Tg3 g5+ 30.Rf3 Cb6 31.hg5 hg5 32.Th3!

Neste ponto as brancas não se contentam em apenas ganhar material mediante 32.Td6, tendo em vista a situação altamente comprometida das peças pretas.

32...Td7

O cavalo preto não pode aspirar a um melhor posto via c4-e5, porque brancas dominariam também a coluna ``a´´, com o ponto de invasão a7 e o bispo comprometido de a8 caindo em suas mãos.

33.Rg3

Preparando o ``grand finale´´

33...Re8 34.Tdh1 Bb7

35.e5!


O clímax de todo o plano das brancas. Mediante entrega do peão deliberadamente atrasado na fase inicial da partida, o cavalo de c3 irá ocupar a casa e4, dominando casas centrais críticas na posição das pretas.

35...de5 36.Ce4 Cd5 37.C6c5 Bc8 38.Cd7 Bd7 39.Th7 Tf8 40.Ta1!

Invasão pela coluna aberta pelo lado preto...

40...Rd8 41.Ta8+ Bc8 42.Cc5 1–0

E ante a derrota de Capablanca para Tarrasch na rodada seguinte, Lasker conseguiu seu intento de vencer o Torneio.


b) Ruy Lopez – Câmbio – a Variante Barendregt-Fischer

As vitórias colhidas por Lasker e outros mestres com a variante original 5.d4 logo despertaram o interesse dos partidários da Defesa Morphy em encontrar linhas mais adequadas para as pretas. Inclusive, como ocorreu nas duas partidas anteriores, muitas das vitórias das brancas ocorreram por erros na condução do jogo adequado para o lado preto, sendo a posteriori estabelecidos planos defensivos mais consistentes, com o estado da teoria atual rotulando essa variante como empatativa ou até mesmo de leve vantagem para as pretas. E como ocorre frequentemente, ao não mais proporcionar os resultados esperados, a Variante do Câmbio desapareceu da prática magistral por mais de cinqüenta anos.

Entretanto, em meados do século XX, mais precisamente na década de 60, o mestre holandês Barendregt praticou o insólito lance 5.0-0!, obtendo expressivas vitórias sobre mestres como Portish, Sliwa e Litlewood.

Contudo, por se tratar de um mestre fora da lista dos mais ranqueados, ninguém prestou a devida atenção a esse lance. Ninguém... exceto Bobby Fischer! Compreendendo de pronto o alcance estratégico dessa linha, Fischer testou-a e logo passou a aplicá-la em suas partidas, conseguindo retumbantes vitórias sobre alguns dos mais destacados mestres daquele tempo, entre os quais se incluem Portish, Gligoric e Unzicker.

Para melhor compreensão das idéias estratégicas que fundamentam essa linha, é pertinente sua comparação com aquela derivada da antiga variante adotada por Lasker.

Desse modo, após 5.0-0, a forma mais econômica de defesa do peão e5 é mediante 5...f6, ao que segue de pronto a ruptura central 6.d4. Se as pretas jogam a seqüência natural 6...ed4 7.Cd4 c5 8.Cb3 Dd1 9.Td1, a posição resultante, comparada com aquela correspondente do lance 7.Cd4 da variante praticada por Lasker, apresenta as diferenças elencadas a seguir.








Primeiro, as brancas já rocaram, e a torre do Rei ocupa a importante coluna “d” aberta mediante as trocas anteriores de peões centrais e Damas.

Segundo, o cavalo em b3 ocupa posição bastante ativa, atacando o peão preto em c5 e podendo saltar a a5 para provocar debilidades na estrutura de peões pretos da ala da Dama.

Em razão desses fatores, pode-se dizer que as brancas ganharam pelo menos dois tempos em relação à antiga variante.

Quanto às pretas, nesse entretempo apenas realizaram os lances f6 e c5, limitando o desenvolvimento de seu cavalo e do bispo de f8, respectivamente.

E em relação às demais características da Variante do Câmbio, nada mudou substancialmente. As brancas mantiveram sua maioria quantitativa na ala do Rei, o controle da coluna “d” permanece firme em suas mãos, e suas peças menores possuem excelentes casas e diagonais para pressionarem a posição adversária.

Por seu turno, apesar do atraso de desenvolvimento relativo à posição da variante antiga, as pretas devem persistir em suas ações de minar o centro branco, ativando ao máximo suas peças pesadas e seu par de bispos, evitando trocas desnecessárias que só fazem pender o fiel da balança para o lado branco, no final resultante.

Para ilustrar todas essas alternativas, serão apresentadas duas partidas, uma de Fischer e outra mais recente.

Fischer, Robert James - Portisch, Lajos
Havana ol (Men) fin-A
1966.10.25
Eco C69

1.e4 e5 2.Cf3 Cc6 3.Bb5 a6 4.Bc6 dc6 5.0-0 f6

Outras defesas são possíveis neste momento, entre as quais se incluem 5...Bg4, 5...Dd6, 5...Bd6, 5...De7 e 5...Ce7, recaindo a escolha em questões de gosto pessoal preparação técnica e psicológica e outras. Por exemplo, para o jogador de pretas que deseja lutar pela vitória, uma das linhas que melhor poderiam responder a essa aspiração seria 5...Bg4, pois que a 6.h3 seguiria 6...h5!?, resultando uma luta aguda com reduzidas possibilidades de empate.

6.d4 ed4 7.Cd4 c5 8.Cb3 Dxd1 9.Txd1 Bd6?!

Esse é um lance natural, que obstrui a ação da torre branca na coluna “d”, controla a diagonal h2-b8 e defende o peão de c7 do ataque branco Bf4, tudo conforme os preceitos gerais de tratamento dessa posição pelas pretas, como já enunciado. Entretanto, todas essas razões são insuficientes para atestar a conveniência de 9...Bd6, em face da réplica branca a seguir. Melhor aqui são lances como 9...Bd7, 9...Be6 e 9...Bg4, que conferem razoáveis chances de equilíbrio para o lado preto.

10.Ca5!

Dificultando o desenvolvimento do prelado preto de c8, com ameaça simultânea de pressionar d6 mediante Ca5-c4.

10…b5

Nas atuais circunstâncias, constitui a melhor defesa, neutralizando as ameaças representadas pelo cavalo de a5. Entretanto, debilita a estática estrutura de peões pretos da ala da Dama, viabilizando a seguinte réplica:

11.c4!

Em relação à forma de tratamento da estrutura de peões, está consolidada na teoria e na prática, com as exceções que justificam a regra, de que para implementar a debilidade representada por peões dobrados é sempre desejável que se avance o peão adversário que se encontra em frente aos mesmos. E esse é justamente o caso dessa posição.

11...Ce7 12.Be3 f5

Procurando neutralizar a boa colocação das peças menores brancas, mediante ataque ao centro branco.

13.Cc3 f4 14.e5 Be5

A melhor continuação. Se 14...fe3 15.ed6 ef2 16.Rf2 0-0 17.Rg1 cd6 18.Td6 Bf5 19.Te1! o domínio das linhas centrais seria todo das brancas, e as debilidades das pretas na ala da Dama breve seriam objeto de ataque.



15.Bc5 Bc3 16.bc3 Cg6


Ocorre que a posição resultante é manifestamente favorável ao lado branco, eis que as pretas estão impossibilitadas de rocar, suas torres encontram-se distantes do cenário central e as colunas “d” e “e”, abertas mediante as trocas de peças e peões, encontram-se sob domínio exclusivo das brancas.

17.Cc6 Be6 18.cb5 ab5 19.Ca7

Fischer não dá trégua em suas ameaças, e pouco a pouco vai otimizando a posição de suas peças, ao mesmo tempo em que mantém as do adversário o mais passivas possível, até o momento adequado para converter sua vantagem posicional em ganho de material.

19...Tb8 20.Tdb1 Rf7 21.Cb5 Thd8

Somente agora, depois de ceder material, as pretas conseguem ativar suas peças pesadas. Por seu turno, Fischer persiste em seu propósito de incrementar ainda mais a atividade de suas peças, mantendo as do adversário em constante ameaça, bem como explorando a posição exposta do monarca contrário.

22.Tb4 Ba2 23.Cc7 Tbc8 24.h4 Td2 25.Bb6 f3 26.Be3 Te2 27.Cb5 Ta8 28.h5 Ce5 29.Tf4+ Re7 30.Td1! Tc8 31.Te4


Voltando a dominar as colunas centrais abertas.

31...Rf6 32.Td6+

O arremate final.

32....Rf5 33.Tf4+ Rg5 34.Tf3+

Colocando o monarca adversário em rede de mate. 1-0

Por: Ernesto Luiz de Assis Pereira elap@terra.com.br - Texto do Ciclo de palestras do Clube de Xadrez de Curitiba http://www.cxc.org.br/ realizada em 23-03-2005).

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