sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

O Centro e a Natureza da Luta no Xadrez II

a) Ruy Lopez – Variante do Câmbio – a original 5.d4

Essa variante apresenta características consistentes para discussão do tema que estamos tratando: ocupação do centro com peões e peças e abertura de linhas centrais.

Para iniciar o análise, vejamos as principais características da posição que se apresenta após os lances 1.e4 e5 2.Cf3 Cc6 3.Bb5 a6 (lance este que constitui a Defesa Morphy), 4.Bc6 dc6.

Até aqui, ambos os lados optaram pela modalidade de ocupação e controle do centro por peças e peões (e4 x e5 e Cf3/Bb5 por brancas e Cc6 por pretas). E na escolha preta da Defesa Morphy (3...a6), brancas optaram pela troca em c6.




E qual a razão desse câmbio? Que vantagem podem esperar as brancas ao cederem assim o par de bispos às pretas, com domínio das importantes diagonais a3-f8 e h3-c8 para os prelados pretos? Porque cederam, ao menos momentaneamente, o controle da coluna “d” para a Dama preta? Porque trocam uma peça por outra, atrasando seu próprio desenvolvimento e acelerando o do oponente?

Os motivos de tantas concessões consistem nos seguintes aspectos de ordem estrutural.

Primeiro, porque da troca resultou supremacia numérica de pões brancos no centro, já que o peão “d” preto foi afastado desse local.

Segundo, porque esse afastamento retira do peão de e4 seu defensor natural, restando a possibilidade de defesa do mesmo apenas pelo peão “f”, sendo este um lance que debilita as diagonais a2-g8 e principalmente h4-e8, esta sendo utilizada como tema de combinação em muitas variantes.

Terceiro, porque o dispositivo de peões pretos na ala da Dama resta com pouca mobilidade, apresentando-se em muitos casos como um alvo fixo de ataque, mediante manobras tais como Cd4-b3-a5, peão a2-a4-a5, Ta1-a6-a7-a8, Bispo c1-e3 e Bispo c1-f4, as quais, procedidas isoladamente ou de forma coordenada, constituem ameaça permanente de invasão e ganho de material.

Quarto, porque o bispo remanescente das brancas é o assim considerado “bispo bom”, pois que trafega em casas de cor oposta à de seu peão central e4.

Quinto, considerada por muitos como a característica mais importante, no caso de um câmbio de peões e Damas em d4, restará configurada uma maioria quantitativa dos peões brancos na ala do Rei, o que em um final de partida pode representar uma vantagem decisiva.

É por essas razões que Lasker não apreciava o lance 3...a6, procurando demonstrar que tratava-se de perda de tempo, e por isso mesmo apressando-se em trocar seu “bispo espanhol” pelo cavalo de c6. E, como já dito, por ser exímio condutor de finais, colheu expressivo número de vitórias com essa troca.

De outro lado, o que podem fazer as pretas para enfrentar todos os pontos favoráveis alinhados para o lado branco? Também não são poucos os recursos que se oferecem nesse sentido.

Primeiro, a posse do par de bispos, com diagonais centrais importantes para o tráfego dos mesmos, ensejam confortável liberdade de ação.

Segundo, porque ao ficar semi-aberta a coluna “e” pelas trocas ocorridas em d4, o peão branco de e4 surge como alvo natural de ataque frontal, podendo ser objeto de pressão por lances tais como Te8, f6 (ou f5, segundo o caso) e Cg1-e7-g6, o que por certo comprometem as peças brancas na defesa e dificulta o alcance dos objetivos do primeiro jogador.

Terceiro, porque essa maior liberdade de ação das peças geralmente proporciona a abertura de outras linhas, centrais ou periféricas, incrementando assim o poder dos bispos e torres do lado das pretas.

Como se percebe, a aparente simplicidade da posição está muito longe de ser simples, apresentando enorme riqueza de temas estratégicos, os quais, coadjuvados por manobras táticas correspondentes, imprimem à partida um dinamismo bastante característico do xadrez contemporâneo.

Para ilustrar o tema, serão apresentadas duas partidas de Lasker.

Lasker, Emanuel - Tarrasch, Siegbert [C68]
World Championship 8th Germany (1), 17.08.1908

1.e4 e5 2.Cf3 Cc6 3.Bb5 a6 4.Bc6 dc6 5.d4 ed4 6.Dd4 Dd4 7.Cd4 c5 8.Ce2 Bd7 9.b3 Bc6 (pressionando o objetivo de ataque e4) 10.f3 Be7


Um plano equivocado, que não se ajusta às exigências de controle central. Teria sido melhor 10...Bd6 11.Bb2 f6, prosseguindo com o roque maior, intentando pressão sobre o centro mediante ataque frontal ao peão com Ce7-g6 e The8.

11.Bb2 Bf6 (essa oferta de troca anula a suposta vantagem do par de bispos das pretas, para impedir a pressão exercida pelo prelado branco na diagonal a1-h8) 12.Bf6 Cf6 13. Cd2 0–0–0 14.0–0–0 Td7 (procurando o controle das colunas centrais) 15.Cf4 Te8 16.Cc4 b6 17.a4 a5 18.Td7 Cd7 19.Td1 (controlando a coluna d) Ce5 20.Ce5 (trocando peças com vistas a um final superior) Te5 21.c4 (dificultando a ação da maioria quantitativa das pretas na ala da Dama) Te8 22.Ch5 (manobra diversionista para centralização do Rei e colocação das peças pretas em posições passivas) Tg8 23.Td3 f6 24.Rd2 Be8 25.Cg3 Bd7 26.Re3 Te8 27.Ch5 Te7 28.g4 (mobilização consistente da maioria quantitativa na ala do Rei) c6 29.h4 Rc7 (não é possível b5 por 30.ab5 cb5 31 Td5, ganhando material) 30.g5 f5 31.Cg3 fe4 32.Ne4 Bf5 (renunciando a qualquer possibilidade de obtenção de peão passado na ala da Dama, para tentar conter a escalada branca na ala oposta) 33.h5 Td7 34.Tc3 (evitando trocar uma peça ativa por outra com menor poder de ação) Td1 35.Rf4 Bd7 36.Te3 Th1 37.Cg3 Th4+ 38.Re5 Th3 39.f4 Rd8



Como sempre ocorre nesse tipo de posição, pretas tem muitas dificuldades para mobilizar seu Rei na defesa do centro e da ala onde brancas tem maioria.

40.f5 Th4 41.f6 gf6+ 42.Rf6 Be8 43.Cf5 (manobra tática que implementa o plano) Tf4 44.g6 hg6 45.hg6 Tg4 46.Te8+! (o arremate final) Rxe8 47.g7 Rd7 48.Ch4 Tg7 49.Rg7 Re6 50.Cf3 Rf5 51.Rf7 Re4 52.Re6 Rd3 53.Rd6 Rc3 54.Rc6 Rb3 55.Rb5 1–0

Lasker,Emanuel - Capablanca,Jose Raul [C68]
St Petersburg, 1914

Esta partida ficou famosa não tanto pelo seu resultado, mas sim pela forma como ele foi obtido pelo então Campão Mundial Emanuel Lasker.

Até a rodada desse encontro, faltando ainda quatro para o final do torneio, Lasker estava um ponto atrás do jovem líder Capablanca. Portanto, tinha de alcançá-lo a qualquer preço, se quisesse reunir ainda condições de lutar pela primeira colocação.

1.e4 e5 2.Cf3 Cc6 3.Bb5 a6 4.Bc6

Um lance surpreendente, típico do xadrez psicológico de Lasker. Todos sabiam que a Variante do Cambio constituía uma arma letal nas mãos do campeão mundial. Entretanto, poucos acreditavam que ela seria adotada nessa partida, tendo em vista a notável capacidade analítica demonstrada pelo jovem líder. Entretanto, jogando com a natural autoconfiança de Capablanca, Lasker não lhe deu condições de perceber suas intenções agressivas.

4...dc6 5.d4 ed4 6.Dd4 Dd4 7.Cd4

Ao desaparecerem as Damas, era de se perguntar se esse era o modo correto de tentar a vitória em uma partida decisiva...

7...Bd6 8.Cc3 Ce7 9.0–0 0–0 10.f4 Te8

Procurando o controle da coluna central, ao mesmo tempo em que inicia o processo de assédio ao peão e4.

11.Cb3 f6 12.f5!

Esse lance foi recebido com surpresa pelos presentes e comentadores. Contrariando os princípios do Xadrez Clássico, as brancas cedem ao adversário o controle da casa e5, ao mesmo tempo em que deliberadamente enfraquecem sua posição central em face do peão de rei atrasado. E, além disso, tornam quase impossível a realização de sua supremacia numérica de peões na ala do Rei.

Entretanto, Lasker havia enxergado muito mais além...

12...b6

Com o objetivo lógico de pressionar e4 via Bb7, já que a ação dessa peça restou limitada pelo avanço f5 das brancas. Assim, o controle da diagonal h1-a8 harmoniza-se com o plano das pretas de pressão e domínio das linhas centrais.

13.Bf4 Bb7?

Um erro, que somente pode ser debitado à confiança excessiva de Capablanca em suas possibilidades de vitória ou empate. Justamente o que almejava Lasker.

14.Bd6 cd6

E aqui parece que tudo está bem para as pretas, o peão d voltou a participar da luta pelo centro, os peões dobrados não mais existem e a falha estrutural das brancas permanece como alvo de ataque.

15.Cd4 Tad8?

Um lance natural, buscando a defesa do peão d6 e possibilidades futuras de domínio da coluna d. Entretanto, esse movimento demonstra que as possibilidades das brancas, a partir do avanço f5, foi subestimada pelo lado preto. Por isso, era imperioso o preventivo 15. Bc8, o qual ainda que constituísse renúncia da pressão desse bispo sobre e4, por seu turno evitaria a instalação do perigoso cavalo branco na casa e6.

16.Ce6 Td7 17.Tad1

Aproveitando-se da passividade imposta ás peças contrárias, onde a pressão exercida na coluna ``e´´ não mais existe e o bispo encontra-se encerrado atrás dos peões pretos, Lasker incrementa o controle das casas centrais via pressão das peças pesadas na coluna ``d´´, dentro dos pressupostos clássicos dessa variante.

17...Cc8 18.Tf2 b5 19.Tfd2 Tde7 20.b4 Rf7 21.a3 Ba8?

Como corolário de suas ações de reforço do domínio central, Lasker observa que as peças pretas cada vez mais se retiram para casas periféricas (lances 17...Cc8 e 21...Ba8). Este último constitui mais um erro, concordando os analistas que o sacrifício de qualidade 21...Te6 22.fe6 Re6 teria proporcionado as pretas melhores condições de resistência.

22.Rf2 Ta7

Ao desaparecerem suas chances de domínio central, pretas procuram respirar pelas linhas extremas do tabuleiro, Entretanto, essas rupturas a nada levam, porque os pontos de invasão estão todos sob domínio do lado branco. Inclusive, mais tarde as colunas assim abertas servirão de vias de invasão para o lado que detém a superioridade central.

23.g4 h6 24.Td3

Controlando antecipadamente o ponto de invasão a3, defendendo a peça de c3, além de poder trafegar rapidamente em para a ala do Rei.

24...a5? 25.h4 ab4 26.ab4 Tae7

Percebendo que nada tinha a obter na coluna ``a´´, pretas retornam essa peça para a defesa de sua posição central.

27.Rf3 Tg8 28.Rf4

Brancas persistem em seu plano de domínio central, agora já estendendo suas possibilidades para eventual ruptura na ala do Rei.

28...g6 29.Tg3 g5+ 30.Rf3 Cb6 31.hg5 hg5 32.Th3!

Neste ponto as brancas não se contentam em apenas ganhar material mediante 32.Td6, tendo em vista a situação altamente comprometida das peças pretas.

32...Td7

O cavalo preto não pode aspirar a um melhor posto via c4-e5, porque brancas dominariam também a coluna ``a´´, com o ponto de invasão a7 e o bispo comprometido de a8 caindo em suas mãos.

33.Rg3

Preparando o ``grand finale´´

33...Re8 34.Tdh1 Bb7

35.e5!


O clímax de todo o plano das brancas. Mediante entrega do peão deliberadamente atrasado na fase inicial da partida, o cavalo de c3 irá ocupar a casa e4, dominando casas centrais críticas na posição das pretas.

35...de5 36.Ce4 Cd5 37.C6c5 Bc8 38.Cd7 Bd7 39.Th7 Tf8 40.Ta1!

Invasão pela coluna aberta pelo lado preto...

40...Rd8 41.Ta8+ Bc8 42.Cc5 1–0

E ante a derrota de Capablanca para Tarrasch na rodada seguinte, Lasker conseguiu seu intento de vencer o Torneio.


b) Ruy Lopez – Câmbio – a Variante Barendregt-Fischer

As vitórias colhidas por Lasker e outros mestres com a variante original 5.d4 logo despertaram o interesse dos partidários da Defesa Morphy em encontrar linhas mais adequadas para as pretas. Inclusive, como ocorreu nas duas partidas anteriores, muitas das vitórias das brancas ocorreram por erros na condução do jogo adequado para o lado preto, sendo a posteriori estabelecidos planos defensivos mais consistentes, com o estado da teoria atual rotulando essa variante como empatativa ou até mesmo de leve vantagem para as pretas. E como ocorre frequentemente, ao não mais proporcionar os resultados esperados, a Variante do Câmbio desapareceu da prática magistral por mais de cinqüenta anos.

Entretanto, em meados do século XX, mais precisamente na década de 60, o mestre holandês Barendregt praticou o insólito lance 5.0-0!, obtendo expressivas vitórias sobre mestres como Portish, Sliwa e Litlewood.

Contudo, por se tratar de um mestre fora da lista dos mais ranqueados, ninguém prestou a devida atenção a esse lance. Ninguém... exceto Bobby Fischer! Compreendendo de pronto o alcance estratégico dessa linha, Fischer testou-a e logo passou a aplicá-la em suas partidas, conseguindo retumbantes vitórias sobre alguns dos mais destacados mestres daquele tempo, entre os quais se incluem Portish, Gligoric e Unzicker.

Para melhor compreensão das idéias estratégicas que fundamentam essa linha, é pertinente sua comparação com aquela derivada da antiga variante adotada por Lasker.

Desse modo, após 5.0-0, a forma mais econômica de defesa do peão e5 é mediante 5...f6, ao que segue de pronto a ruptura central 6.d4. Se as pretas jogam a seqüência natural 6...ed4 7.Cd4 c5 8.Cb3 Dd1 9.Td1, a posição resultante, comparada com aquela correspondente do lance 7.Cd4 da variante praticada por Lasker, apresenta as diferenças elencadas a seguir.








Primeiro, as brancas já rocaram, e a torre do Rei ocupa a importante coluna “d” aberta mediante as trocas anteriores de peões centrais e Damas.

Segundo, o cavalo em b3 ocupa posição bastante ativa, atacando o peão preto em c5 e podendo saltar a a5 para provocar debilidades na estrutura de peões pretos da ala da Dama.

Em razão desses fatores, pode-se dizer que as brancas ganharam pelo menos dois tempos em relação à antiga variante.

Quanto às pretas, nesse entretempo apenas realizaram os lances f6 e c5, limitando o desenvolvimento de seu cavalo e do bispo de f8, respectivamente.

E em relação às demais características da Variante do Câmbio, nada mudou substancialmente. As brancas mantiveram sua maioria quantitativa na ala do Rei, o controle da coluna “d” permanece firme em suas mãos, e suas peças menores possuem excelentes casas e diagonais para pressionarem a posição adversária.

Por seu turno, apesar do atraso de desenvolvimento relativo à posição da variante antiga, as pretas devem persistir em suas ações de minar o centro branco, ativando ao máximo suas peças pesadas e seu par de bispos, evitando trocas desnecessárias que só fazem pender o fiel da balança para o lado branco, no final resultante.

Para ilustrar todas essas alternativas, serão apresentadas duas partidas, uma de Fischer e outra mais recente.

Fischer, Robert James - Portisch, Lajos
Havana ol (Men) fin-A
1966.10.25
Eco C69

1.e4 e5 2.Cf3 Cc6 3.Bb5 a6 4.Bc6 dc6 5.0-0 f6

Outras defesas são possíveis neste momento, entre as quais se incluem 5...Bg4, 5...Dd6, 5...Bd6, 5...De7 e 5...Ce7, recaindo a escolha em questões de gosto pessoal preparação técnica e psicológica e outras. Por exemplo, para o jogador de pretas que deseja lutar pela vitória, uma das linhas que melhor poderiam responder a essa aspiração seria 5...Bg4, pois que a 6.h3 seguiria 6...h5!?, resultando uma luta aguda com reduzidas possibilidades de empate.

6.d4 ed4 7.Cd4 c5 8.Cb3 Dxd1 9.Txd1 Bd6?!

Esse é um lance natural, que obstrui a ação da torre branca na coluna “d”, controla a diagonal h2-b8 e defende o peão de c7 do ataque branco Bf4, tudo conforme os preceitos gerais de tratamento dessa posição pelas pretas, como já enunciado. Entretanto, todas essas razões são insuficientes para atestar a conveniência de 9...Bd6, em face da réplica branca a seguir. Melhor aqui são lances como 9...Bd7, 9...Be6 e 9...Bg4, que conferem razoáveis chances de equilíbrio para o lado preto.

10.Ca5!

Dificultando o desenvolvimento do prelado preto de c8, com ameaça simultânea de pressionar d6 mediante Ca5-c4.

10…b5

Nas atuais circunstâncias, constitui a melhor defesa, neutralizando as ameaças representadas pelo cavalo de a5. Entretanto, debilita a estática estrutura de peões pretos da ala da Dama, viabilizando a seguinte réplica:

11.c4!

Em relação à forma de tratamento da estrutura de peões, está consolidada na teoria e na prática, com as exceções que justificam a regra, de que para implementar a debilidade representada por peões dobrados é sempre desejável que se avance o peão adversário que se encontra em frente aos mesmos. E esse é justamente o caso dessa posição.

11...Ce7 12.Be3 f5

Procurando neutralizar a boa colocação das peças menores brancas, mediante ataque ao centro branco.

13.Cc3 f4 14.e5 Be5

A melhor continuação. Se 14...fe3 15.ed6 ef2 16.Rf2 0-0 17.Rg1 cd6 18.Td6 Bf5 19.Te1! o domínio das linhas centrais seria todo das brancas, e as debilidades das pretas na ala da Dama breve seriam objeto de ataque.



15.Bc5 Bc3 16.bc3 Cg6


Ocorre que a posição resultante é manifestamente favorável ao lado branco, eis que as pretas estão impossibilitadas de rocar, suas torres encontram-se distantes do cenário central e as colunas “d” e “e”, abertas mediante as trocas de peças e peões, encontram-se sob domínio exclusivo das brancas.

17.Cc6 Be6 18.cb5 ab5 19.Ca7

Fischer não dá trégua em suas ameaças, e pouco a pouco vai otimizando a posição de suas peças, ao mesmo tempo em que mantém as do adversário o mais passivas possível, até o momento adequado para converter sua vantagem posicional em ganho de material.

19...Tb8 20.Tdb1 Rf7 21.Cb5 Thd8

Somente agora, depois de ceder material, as pretas conseguem ativar suas peças pesadas. Por seu turno, Fischer persiste em seu propósito de incrementar ainda mais a atividade de suas peças, mantendo as do adversário em constante ameaça, bem como explorando a posição exposta do monarca contrário.

22.Tb4 Ba2 23.Cc7 Tbc8 24.h4 Td2 25.Bb6 f3 26.Be3 Te2 27.Cb5 Ta8 28.h5 Ce5 29.Tf4+ Re7 30.Td1! Tc8 31.Te4


Voltando a dominar as colunas centrais abertas.

31...Rf6 32.Td6+

O arremate final.

32....Rf5 33.Tf4+ Rg5 34.Tf3+

Colocando o monarca adversário em rede de mate. 1-0

Por: Ernesto Luiz de Assis Pereira elap@terra.com.br - Texto do Ciclo de palestras do Clube de Xadrez de Curitiba http://www.cxc.org.br/ realizada em 23-03-2005).

O Centro e a Natureza da Luta no Xadrez I

1. Preliminares.

No estudo e na prática enxadrística, deparamo-nos cotidianamente com o problema de como proceder em relação ao tipo de posição central que se apresenta a nossa frente. Seja qual for a abertura ou defesa utilizada, temos de elaborar um plano de ação, baseado em princípios de ordem geral e na análise concreta de variantes, que sirva de guia para alcançarmos posição superior ou equilibrar uma situação de inferioridade, segundo o caso.

Existem variados métodos e escolas de treinamento que tratam desse tema. Alguns dão preferência à classificação metódica das aberturas e defesas, com a caracterização e fixação de suas particularidades, posições e lances críticos. Outros se servem de anotações e comentários, próprios ou de grandes mestres, para traçar o modo de tratamento da posição a sua frente, logo após os lances iniciais. Ocorrem ainda outros métodos, resultantes de uma simbiose dos dois precedentes ou até mesmo sob ângulo totalmente diverso. Um deles consiste em se partir das posições típicas de finais de peões, cuja estrutura irá determinar o plano estratégico a ser implementado durante toda a partida.

Inclusive, neste último caso insere-se o célebre tratamento que Emanuel Lasker dava à Variante do Câmbio da Abertura Ruy Lopez:

1.e4 e5 2.Cf3 Cc6 3.Bb5 a6 4.Bc6 dc6 5.d4 ed4 6.Dd4 Dd4 7.Cd4

Mediante troca em c6, Lasker abre mão do par de bispos para dobrar peões pretos na coluna “c”, trocar o peão “d” pelo peão de rei das pretas, obtendo maioria quantitativa de peões na ala do rei, para então entrar em um final com o principal objetivo de explorar essa maioria. Como foi exímio finalista, essa era uma estratégia mortal para o seu adversário, tendo inclusive vitimado jogadores do porte de Steinitz, Tarrasch, Janowsky, Marshall e até o grande Capablanca, este na famosa partida do Torneio de São Petersburgo, em 1914. Coletânea de partidas baixadas do banco de dados do Chessbase revela que, dentre 23 partidas de Lasker com a Variante do Câmbio, ele alcançou expressivos 18,5 pontos (80,43%), com apenas uma derrota frente a Steinitz (tendo ganho outras duas, todas as três jogadas no Campeonato Mundial de 1896-97). Em frente, quando do tratamento do tema central desse artigo, serão apresentadas algumas partidas escolhidas do imortal Campeão.

Modernamente, um método que muitos mestres, teóricos e treinadores costumam adotar consiste em se tratar as posições sob o enfoque do controle de casas centrais e de suas linhas correspondentes. Aqui, inexiste a preocupação inicial de classificação sistemática de aberturas ou defesas, assim como também a necessidade de identificação de posições e variantes críticas. Essas fases ocorrerão somente em momento posterior do estudo, quando os conceitos de controle estiverem suficientemente consolidados na mente do enxadrista, passando-se então ao estágio de refinamento de planos e variantes.

Segundo esse método, as posições derivadas da abertura e do meio-jogo servem fundamentalmente como meio de se proceder a uma leitura estratégica de suas possibilidades, em termos da ocorrência, ou não, de ocupação, bloqueio, linhas abertas, pontos de ruptura, meios de retardo das ações do adversário, invasão da posição adversária, e o mais, tudo isso complementado com manobras diversionistas que procuram atrair as peças contrárias para o lado oposto em que ocorre, ou ocorrerá, a luta decisiva. Como se vê, trata-se de um gigantesco esforço de manobras, sempre tratadas de forma dinâmica, que constituem em síntese o estado da arte do xadrez contemporâneo.

E é justamente desse método que vou fazer breve abordagem neste trabalho.

2. Controle de casas centrais

Muitos autores definem o centro como o conjunto de 4 casas d4-e4-d5-e5. Afirmam que, dominado o centro, as ações se processam com mais liberdade, em todo o tabuleiro, porque é a partir dessas casas centrais que as peças adquirem sua potência máxima, seja no ataque como na defesa.

Outros teóricos afirmam que o centro é constituído por um conjunto maior, qual seja o quadrado formado pelas 16 casas c3-d3-e3-f3-c4-d4-e4-f4-c5-d5-e5-f5-c6-d6-e6-f6, ao que denominam de centro ampliado.

Seja como for, o fato é que ocorre unanimidade sobre a necessidade de controle desses locais, seja pela sua ocupação, seja pela sua vigilância à distância.

3. Linhas abertas

Ocorre também unanimidade prática e teórica sobre o tema do controle de linhas abertas, sejam elas colunas, fileiras horizontais (filas) ou diagonais, principalmente aquelas que passam pelas casas centrais ou suas adjacências. Isto porque, bispos, torres e damas exercem sua máxima efetividade quando dispõem de longos trajetos para percorrerem no tabuleiro, podendo ir rapidamente de um ponto a outro, atacando debilidades do oponente ou defendendo pontos críticos próprios.

As linhas adjacentes àquelas que passam pelas casas centrais, localizadas em áreas periféricas do tabuleiro, também desempenham papel importante na organização dos planos estratégicos. Por exemplo, o domínio da sétima fila, da coluna “g” ou da diagonal “h6-f8” (“h3-f1”) sobre o roque adversário, constituem fatores, em grande maioria dos casos, decisivos para a vitória. Entretanto, subordinam-se o mais das vezes ao prévio controle das casas centrais e/ou das linhas abertas que passam pelo centro. cro pontosos trajetos para percorrerem no tabuleiro, podendo ir rapidamente de um ponto a outro, atacando debilidades do oponente ou defendendo pontos críticos próprios.

4. Formas de controle do centro

O conjunto de pressupostos descritos nos itens 2 e 3 retro (controle de casas centrais e de linhas abertas que passam pelo centro), podem ser alcançados de múltiplas formas. E a esse respeito resulta interessante recapitular a forma como esses conceitos de controle evoluíram através do tempo.

Tomando como marco zero o Xadrez Romântico, percebe-se que na fase inicial da partida a atitude do jogador era de um controle agressivo e instantâneo do centro, com o objetivo principal de desfechar um ataque violento e imediato contra o rei adversário. Para tanto, prevaleciam as linhas de gambito, (do Rei, Fegatello, etc.). E o lado defensor tinha unicamente a preocupação de manter o material sacrificado, confiando em sobreviver à tormenta para então fazer prevalecer sua força numérica. São dessa fase os exemplos imortais de mestres como Andersen, Blackburne, e outros.

No Xadrez Clássico, as coisas já mudaram substancialmente. Foram aprimoradas as técnicas de defesa, e a preocupação de domínio do centro tornou-se mais consistente e duradoura. Capitaneados pelo genial Steinitz, os mestres daquela época sabiam que, desde o centro, poderiam aspirar às manobras de ataque e defesa com maior probabilidade de sucesso. Portanto, defendiam seu controle ou domínio via ocupação prévia por peões e peças, para então prosseguir com a luta em outras áreas do tabuleiro. E, em relação aos gambitos, só eram aceitos sob a condição de, na primeira oportunidade, ser devolvido o material para obtenção do equilíbrio, e até mesmo de vantagem ou iniciativa. Caso contrário, as ofertas eram recusadas, preferindo-se manter o controle das casas centrais, seja por trocas, manutenção da tensão ou por contra-ataque, com a finalidade de procurar neutralizar as investidas do adversário. Exemplo típico dessa abordagem constitui a Defesa Ortodoxa do Gambito da Dama:

1.d4 d5 2.c4 e6 3.Cc3 Cf6 4.Bg5 Be7 5.e3 0-0 6.Cf3 Cbd7
Nessa linha, enquanto o lado branco procura minar as defesas do oponente dirigidas ao centro, via pressão com c4, Cc3 e Bg5, procurando com isso o seu domínio com o avanço posterior de peão para e4, as pretas defendem-se recusando a troca em c4, fortalecendo o peão d5 com os lances e6, Cf6, Be7 e Cbd7.

E então sobreveio o Xadrez Hipermoderno. O geniais Reti, Nimzovitsch, Tartakower e seus seguidores apregoaram que o domínio do centro via ocupação sistemática não se constituía na única alternativa de seu domínio. Assim, foram implementados e aperfeiçoados os métodos de controle a distância, onde os fianquetos e os movimentos laterais de peças e peões formavam o arsenal de recursos com essa finalidade. Inclusive, lances como a troca de um peão em d5 por outro de c4, com total abandono de ocupação do centro, considerados heréticos pela escola clássica, foram deliberadamente adotados. É o caso, por exemplo, da Variante das Trocas na Defesa Grünfeld:

1.d4 Cf6 2.c4 g6 3.Cc3 d5 4.cd5 Cd5 5.e4 Cc3 6.bc3 Bg7


Alguns foram mais radicais ainda. Breyer, um dos inconoclastas do hipermodernismo, chegou a afirmar que “Depois e 1.e4, o jogo das Brancas está em sua última agonia”.

Na atualidade, o que existe é uma simbiose complexa de todas essas alternativas. Liderado pela Escola Soviética nos anos 50, o assim denominado Xadrez Dinâmico resume conhecimentos de todas as fases anteriores, e os mestres de hoje têm de se defrontar com mudanças radicais na condução dos planos, seja entre partidas, seja durante uma mesma partida. E, em minha opinião, essa é a característica principal que deu causa a um verdadeiro renascimento do xadrez, como esporte, arte e ciência. Kasparov, à parte as questões que envolvem seu caráter arrogante e de vale-tudo, tecnicamente pode ser considerado o atual representante dessa Escola.

Portanto, considerando-se tudo o que foi exposto, pode-se classificar o controle das casas centrais, por brancas e pretas, conforme o seguinte elenco de alternativas:

a)- Ocupação simultânea, por exemplo, 1.e4 e5. Aqui, tanto brancas como pretas preocupam-se em controlar o centro via posicionamento de peões e peças em suas casas.

b)- Ocupação do centro por um bando e controle a distância por outro, por exemplo 1.d4 Cf6 (ou 1. Cf3 d5). Nesse caso, enquanto um bando preocupa-se com a ocupação física, o outro prefere o controle a distância. Inclusive, em alguns casos chega-se ao extremo de um lado provocar o avanço dos peões centrais do oponente, em operação de duplo gume: sujeitar-se à asfixia por diminuição de território de operações, para em compensação empreender manobras de pulverização dos infantes assim avançados. Exemplo radical dessa tática é a Defesa Alekhine, Variante dos Quatro Peões:

1.e4 Cf6 2.e5 Cd5 3.c4 Cb3 4. d4 d6 5.f4 de4 6.fe4 Cc6 7.Be3 Bf5 8.Cc3 e6 9.Cf3 Cb4.

Observa-se que, enquanto o lado branco avançou seus peões centrais, conquistando território, reforçando a defesa dos mesmos e preparando a cena para violento ataque à posição do bando preto, este preocupou-se em desenvolver suas peças rapidamente, mantendo intacta sua estrutura de peões visando um melhor final, ao mesmo tempo que, com manobras ativas, está empreendendo ação de minar o centro branco, pulverizando sua estrutura distendida. Continuando cada lado com seus planos, tem-se agora: 10.Tc1 (defendendo-se do xeque em c2 e reforçando casas centrais) 10...c5 (minando o controle da casa d4), etc.


c)- Controle do centro a distância pelos dois bandos, por exemplo, mediante 1.Cf3 Cf6 2.g3 g6 3.Bg2 Bg7, etc. Em algumas linhas, chega-se ao extremo de desenvolver cavalos via a3 ou h3 (a6 ou h6), e até mesmo pressionar o centro via dispositivo Da1-Bb2. Neste último caso inserem-se as partidas de Reti, entre as quais sua vitória ante F. Fischer, no Match de Viena 1923:

1.Cf3 Cf6 2.c4 e6 3.g3 d5 4.Bg2 c6 5.b3 Cbd7 6.Bb2 Be7 7.0–0 0–0 8.d3 b6 9.Cbd2 Bb7 10.Tc1 Tc8 11.Tc2 c5 12.Da1 Bd6 13.cd5 ed5 14.Ch4 Te8 15.Cf5 Bf8 16.Cc4 Dc7 17.Cce3 Db8


18.Bf6 Cf6 19.Ch6+ gh6 20.Df6 d4 21.Bb7 Db7 22.Cf5 Tc6 23.Dh4 Tg6 24.e4 b5 25.Df4 Dd7 26.Ta1 Tc8 27.a4 Ta6 28.Tac1 ba4 29.ba4 Ta4 30.Tc5 Tc5 31.Dg4+ Rh8 32.Tc5 Tb4 33.Td5 Dc8 34.Dh4 Dc1+ 35.Rg2 Tb1 36.Td8 Df1+ 37.Rf3 Dd3+ 38.Rf4 Dd2+ 39.Rg4 1–0

5. Abertura e controle de linhas centrais

Em relação às linhas centrais abertas, estas ocorrerão mediante trocas de peões e posicionamento de bispos, torres e damas ao longo das diagonais, colunas e fileiras cujas casas restaram totalmente ou parcialmente livres de peões e peças. Portanto, esse cenário ocorre logo após os lances iniciais da abertura, ou até mesmo durante essa fase.

É o caso, por exemplo, da seguinte variante na Partida Escocesa:

1.e4 e5 2.Cf3 CC6 3.d4 ed4 4.Cd4 Bc5 5.Be3 Df6 6.c3 Cge7 7.g3


Esta variante é bastante conhecida da GM feminina polonesa Joanna Dworakowska (2441), com a qual vem colhendo importantes resultados. Sua partida com Alexander Onischuk (2655) no Open de Skopje 2002 seguiu assim:

7...d5 8.Bg2 Bd4 9.cd4 de4 10 Cc3 Bf5 11.d5 0-0-0 12.Db3 Cd4 13.Da4 Cf3 14.Bf3 ef3 15.Da7 Da6 16.Da6 ba6 17.0-0-0


Mediante sacrifício temporário do peão e4 (10.Cc3), Joanna optou pelo controle acelerado das casas centrais d4 e d5, abrindo a diagonal g1-a7 para seu Bispo e controlando firmemente a coluna “d” (0-0-0), reforçando seu posto avançado em d5.

17…Bg6 18.Bc5 Cf5 19.The1 f6 20.Td3! Cg3 21.Tf3 Cf5 22.Tf4! Rd7 23.h4! Cd6 24.Tg1 Thg8 25.Tfg4! Rc8 26.Ta4!

Assegurado assim o domínio das linhas centrais, Joanna empreendeu pressão sobre as debilidades das pretas na ala da Dama, primeiro mediante manobra diversionista para criação de fraquezas alternativas na ala oposta (lances 20.Td3!, 22.Tf4!, 23.h4!, 24.Tg1 e 25.Tfg4!, para então entrar em final superior mediante trocas em b5, d8 e d6 com posterior invasão e ganho de material na ala da Dama, ante a posição passiva das pretas resultante do plano adotado.

É ainda digno de nota a eficiente colocação do peão em h4. Com apenas um lance, brancas cumprem três objetivos importantes para obtenção de posição superior: a)- ameaça direta e instantânea sobre o cavalo de f5; b)- ameaça de ganho dos peões de g7 e h7, mediante o avanço h4-h5; c)- retardo de ação da torre preta remanescente, que teve de permanecer na defesa do peão “g” (primeiro em g7 e depois em g5), somente sendo possível sua liberação após o lance 34...g4, quando então o lado branco já havia invadido e ganho material na ala da Dama.

26...Bd3 27.Tg3 Bf1 28.Tg1 Bb5 29.Cb5! ab5 30.Ta8 Rd7 31.Td8 Rd8 32.Bd6 cd6 33.Rd2 g5 34.Rc3 g4 35.Rb4 f5 36.Rb5 Rd7. 37.b4 Te8 39.a4 Te2 40.Tf1 Td2 41.a5 Td5 42.Rb6 Td2 b6 1-0.

É importante destacar que o controle das linhas centrais permitiu o trânsito livre da torre de d1 (via d3, f3, f4, g4, a4, a8 e finalmente d8), bem como o posicionamento privilegiado do bispo em c5, o qual eliminou o cavalo bloqueador-defensor de d6 no momento oportuno.

Este é um contundente exemplo do potencial desenvolvido pelas peças quando lhes é assegurado o prévio domínio de linhas centrais abertas.

Pode ocorrer ainda a situação de o centro restar totalmente cerrado durante a fase inicial da partida, como por exemplo:

Na Defesa Francesa:

1.e4 e6 2.d4 d5 3.e5

Na Abertura Ruy Lopez:

1.e4 e5 2.Cf3 Cc6 3.Bb5 a6 4.Ba4 Cf6 5.0-0 Be7 6.Te1 b5 7.Bb3 0-0 8.c3 d6 9.h3 Ca5 10.Bc2 c5 11.d4 Dc7 12.Cbd2 Cc6 13.d5

Ou na Defesa Índia do Rei:

1.d4 Cf6 2.c4 g6 3.Cc3 Bg7 4.e4 d6 5.Cf3 0-0 6.Be2 e5 7.d5

Nesse caso, as operações de aberturas de linhas serão viabilizadas mediante duas alternativas: sacrifícios posteriores contra a cadeia de peões, garantido por efetivo controle e pressão de peças e peões atacantes ou defensores, ou rupturas laterais mediante contatos via o tema das Maiorias Qualitativas, conforme ensina Henrique Sérgio de Andrade Marinho em sua notável obra “Maiorias Qualitativas nas Defesas Índias” (Ibrasa - SP/2004). Ainda dentro desse tema, permanecendo cerrado o centro, a luta deriva para a abertura de linhas nas zonas periféricas do tabuleiro.

Cabe registrar que todos esses temas estão intimamente interligados. Assim, a luta central pode assumir múltiplas variações em termos de modalidade de ocupação ou controle a distância, conjugada com a abertura de linhas, sejam elas diagonais, colunas ou filas, tudo isso mudando instante a instante, assumindo o plano estratégico uma gama exponencial de escolhas, dentro da interminável complexidade inerente ao Xadrez. Portanto, não há fórmula infalível, e tampouco receita fixa que proporcione ao jogador um porto seguro para se orientar. Tudo depende do talento, do esforço e da determinação de cada um para que, ele e somente ele, possa estabelecer a forma mais adequada de se conduzir entre uma partida e outra, e até mesmo entre uma posição e outra, dentro da mesma partida. Lembrar ainda que, do outro lado o oponente também tem seus planos, e o resultado final vai depender de qual lado conseguirá impor jogo mais acurado, em termos técnicos, artísticos e psicológicos.

Em razão das modalidades de ocupação central e abertura de linhas já mencionados, este trabalho foi dividido em várias partes, em face da extensão e complexidade do tema. Nessa primeira parte será enfocado o item a), com ocupação de peões e peças, coadjuvado por abertura e controle de colunas centrais.

6. Domínio do centro mediante sua ocupação com peões e peças, coadjuvado por abertura e controle de colunas centrais

Este plano é de ocorrência freqüente em grande número de aberturas e defesas, notadamente aquelas que derivam dos lances 1.e4 e5 e 1.d4 d5.

Para a abordagem do tema, revelam-se altamente adequadas como exemplos as linhas oriundas da Abertura Ruy Lopez, em especial aquelas resultantes da Variante do Câmbio e da Variante Chigorin, ambas na Defesa Morphy. São essas linhas que serão consideradas daqui em diante.

(Por: Ernesto Luiz de Assis Pereira elap@terra.com.br - Texto do Ciclo de palestras do Clube de Xadrez de Curitiba http://www.cxc.org.br/ realizada em 23-03-2005).

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

Vantagem na Abertura III

4. DEFESA DOS DOIS CAVALOS – FEGATELLO – VARIANTE FRITZ

A PARTIDA ESTRIN – BERLINER, Campeonato Mundial por Correspondência, 1965-1968

O exemplo derradeiro que é apresentado nesse trabalho refere-se a uma partida das mais sanguinolentas que se conhece envolvendo decisão de título. Reflete toda uma abordagem, técnica e psicológica, levada a termo pelo condutor das pretas, para poder obter o ponto inteiro que necessitava frente a um dos mais destacados mestres do xadrez ao vivo e por correspondência. Na ocasião, Yakov Estrin jogando de brancas, levava meio ponto de vantagem sobre Hans Berliner, e este, almejando o título, precisava forçosamente ganhar o ponto inteiro. Diante desse fato, Berliner planejou o enfrentamento de Estrin consigo mesmo, porque este era e é considerado uma das maiores autoridades na Defesa dos Dois Cavalos. Publicou livros sobre essa linha, e praticou-a em torneios, tanto de brancas como de pretas. Assim, ao escolher justamente essa linha de jogo, Berliner pretendeu colocar Estrin em uma situação de relaxamento, onde a autoconfiança em seus conhecimentos e em sua experiência, poderia, como efetivamente ocorreu, leva-lo a uma situação de percepção insuficiente dos fatos. Esta circunstância já soa bastante familiar, tendo ocorrido já muitas outras vezes, como na famosa partida Lasker – Capablanca, São Petersburgo, 1914.

Só que apenas isso não era suficiente. Devidamente aclimatado com a ocorrência de posições familiares de uma linha de jogo de sua predileção e conhecimento, e portanto já em estado de relaxamento, no momento adequado Estrin deveria também ser confrontado com uma situação totalmente inédita, e assim ficar inferiorizado psicologicamente para buscar soluções para problemas enormes que lhe foram impostos pelas novidades teóricas de Berliner. Como já é sabido, frequentemente o jogador não consegue desempenho à altura das dificuldades assim presentes. E isso foi exatamente o que ocorreu.
Nas palavras do comentarista da Play Chess, Dennis Monokroussos, essa partida é uma das mais brilhantes de toda a história do Xadrez. Assim falou ele, em tradução aproximada do inglês:

(Hans Berliner, em seu objetivo de conquista do título mundial de Xadrez postal, produz uma assombrosa novidade teórica contra Yakov Estrin, justamente em terreno onde este é um especialista teórico e prático: a Defesa dos Dois Cavalos. A idéia de Berliner foi profunda e até hoje ainda há controvérsias se é a correta ou não. Estrin sequer foi capaz de resolver todas as complicações durante a partida, em qie pese usufruir de característica folga no controle de tempo de uma partida por correspondência. Tentou levar o desafio para um final empatado via uma longa seqüência forçada, mas aqui também Berliner sempre esteve um passo à frente dele, conquistando o título máximo de sua carreira com um bonito e instrutivo final de torre.)

Estrin, Yakov – Berliner, Hans
Campeonato Mundial por correspondência – 1965-1968.

1.e4 e5 2.Cf3 Cc6 3.Bc4 Cf6 4.Cg5 d5 5.exd5 b5
Lance conhecido como Variante Ulvestad, praticamente forçando as Brancas a entrarem na Variante Fritz.



6.Bf1
Considerado o melhor.

Se 6.Bxb5 Dxd5 7.Bxc6+
(7.Cc3 Dxg2 8.Df3 Dxf3 9.Cxf3 Bd7 10.0–0 Bd6)
7...Dxc6 8.Df3 e4 9.Db3 Bc5 10.Dxf7+ Rd8 11.0–0 Te8 12.Dxg7 Tg8 13.Dh6 Bb7 14.Td1 Bxf2+ 15.Rf1 Re7 16.Cxh7 Bd4 17.Cxf6 Bxf6 18.De3 Taf8], análises Rybka.

6...Cd4
Por transposição, chega-se assim à Variante Fritz. A ordem dos lances aqui adotada serve para evitar a variante forçada 5...Cd4 6.c3 b5 e agora, em vez de 7.Bf1, pode seguir 7.cxd4 bxc4 8.dxe5 que leva a complicações de outra natureza, parecendo ser mais favoráveis às Brancas.

7.c3 Cxd5 8.Ce4
Nesta primeira posição crítica, este lance constitui uma das quatro alternativas possíveis. As outras são:

a) Troca de cavalos: 8.cxd4 Dxg5 9.Bxb5+ Rd8 10.Df3 Bb7 11.0–0 Tb8 12.d3 Dg6 13.Dg3 exd4 14.Ca3 Bxa3 15.bxa3 Cc3 16.Dxg6 hxg6 17.Bc4 Ce2+ 18.Rh1 Re7 Leonhardt – Englund Stockholm, 1908;

b) Proteção: 8.h4 h6 9.Ce4 Ce6 10.Bxb5+ Bd7 11.Da4 Cdf4 12.d4 Cxg2+ 13.Rf1 Cgf4 análises de Yakov Neishtadt,1960;

c) Sacrifício: 8.Cxf7 Rxf7 9.cxd4 exd4 10.Df3+ Cf6 11.Dxa8 Bc5 12.Bxb5 Te8+ 13.Bxe8+ Dxe8+ 14.Rd1 Bg4+ 15.Df3 Bxf3+ 16.gxf3 Dc6 17.Tf1 Dxf3+ 18.Rc2 d3+ 19.Rb3 Dd5+ 20.Ra4 Dc4+ M.Goihl- C.Petersen,World Under–12 Ch, Duisburg 1992]

8...Dh4!?
Neste ponto, muitos teóricos preferem 8...Ce6 onde, mediante sacrifício de um peão, Pretas permanecem com chances razoáveis de pelo menos igualar o jogo.

9.Cg3 Bg4!?

Continuação preparada por Berliner para esta partida contra Estrin. Envolve sacrifício de peça, com grandes complicações. Até hoje não se sabe ao certo quem irá ficar com a vantagem. Muito já foi analisado, grandes debates já tiveram lugar, mas não há ainda conclusão definitiva. É aí que entra o fator psicológico, o qual muitas vezes faz pender a balança para aquele que ousa enfrentar o adversário em terreno no qual este é um especialista. Fatores como excessiva autoconfiança, relaxamento da atenção, jogo automático, e outros, jogam papel preponderante nas falhas cometidas justamente por aquele que deveria ter excelente desempenho em terreno que é de seu amplo conhecimento.

10.f3 e4!?


Ao preço do sacrifício de peça, com intuito de arruinar a estrutura de peões brancos da ala do Rei, ao mesmo tempo em que abre a diagonal h2-b8 para o bispo preto com base de operações em d6.

11.cxd4
Se 11.fg4 Df6+ e pretas seguem no ataque, com chances aproximadamente iguais.

11...Bd6 12.Bxb5+
Alguns analistas afirmam que 12.De2 seria a melhor continuação para as Brancas. Uma possível continuação seria 12...Be6 13.Df2 Cb4 14.Ca3 exf3, com possibilidades mutuas.

12...Rd8 13.0–0
A alternativa neste ponto consiste em 13.Db3 Bxg3+ 14.Rd1 Be6 15.Bc6 exf3 16.Bxd5 (é perdedor 16.Bxa8 fxg2 17Tg1 Dg4+ 18.Rc2 De4+) 16...fxg2 17.Dxg3 Dxg3 18.hxg3 Bxd5, com final complexo, merecedor de profundo estudo.

exf3 14.Txf3
Esta também é uma posição critíca.
Se 14.Db3 fxg2 15.Txf7 Be6 16.Td7+ Bxd7+ 17.Dxd5 com jogo complexo.



14...Tb8 15.Be2
Este lance, de aparência lógica, trazendo peça para defesa do Rei, é considerado inferior pelos analistas. Mediante seqüência forçada, Berliner mantém as ameaças sobre o monarca branco.

15...Bxf3 16.Bxf3 Dxd4+ 17.Rh1 Bxg3 18.hxg3 Tb6 19.d3 Ce3 20.Bxe3 Dxe3 21.Bg4 h5 22.Bh3 g5 23.Cd2



Estrin tinha esperança nesse lance, ameaçando ganho de qualidade e trazendo mais uma peça para a defesa

23...g4! 24.Cc4 !Dxg3 25.Cxb6 gxh3!

Forçando troca de Damas e entrando em final superior

26.Df3 hxg2+ 27.Dxg2 Dxg2+ 28.Rxg2 cxb6


É de se destacar a precisão dos lances das Pretas. Aqui, tomam o Cavalo com o peão c para manter seus peões o mais distante possível do monarca branco.

29.Tf1 Re7 30.Te1+ Rd6!

Aproximando o Rei do centro, de onde irá comandar a ofensiva final 31.Tf1 Tc8!


Sacrifício de peão em final de torre. Nesse caso, Pretas conjugam a ameaça de invasão da segunda fila e ataque aos peões brancos da ala da Dama com a possibilidade de troca das torres, e ainda com ameaça de marcha do Rei Preto por sobre a posição adversária desguarnecida. Destaca-se a posição distante do peão h, que faz com que o monarca branco fique atado à possibilidade de seu avanço.

32.Txf7 Tc7! 33.Tf2 Rd5

Ao ter que defender seus peões da ala Dama, Estrin vê o monarca preto avançar pelo centro.

34.a4 Rd4 35.a5 Rxd3 36.Tf3+ Rc2 37.b4 b5 38.a6 Tc4 39.Tf7 Txb4 40.Tb7
Também perde na tomada do peão a: 40.Txa7 Ta4 41 Tb7 b4 42 a7 b3 e o peão b marcha para a coroação, com o Rei negro encontrado abrigo à frente de sua Torre.

Tg4+ 41.Rf3 b4 42.Txa7 b3 0–1

Essa é uma partida para não ser esquecida: possui teoria de abertura, excelente técnica de finais, e complicações à altura dos melhores táticos, servindo como exemplo perfeito e acabado do tipo de preparação para aquisição de vantagem na abertura, seja ela de ordem material, posicional e até mesmo psicológica, que constitui o tema central desse trabalho.

(Por: Ernesto Luiz de Assis Pereira elap@terra.com.br - Texto do Ciclo de palestras do Clube de Xadrez de Curitiba http://www.cxc.org.br/ realizada em maio de 2007).

Vantagem na Abertura II

3. RUY LOPEZ – DEFESA BERLINESA

Graças aos estudos de Kramnik, em sua preparação para enfrentar Kasparov pelo Campeonato Mundial, a Defesa Berlinesa, que havia quase desaparecido da prática magistral, voltou a fazer parte do repertório de muitos jogadores de alto nível.

Entretanto, deve-se prepara-la muito bem antes de seu uso, porque as Brancas jogando de forma natural, conseguem posições no mínimo com leve superioridade.

Além disso, existem algumas linhas que, ao menor descuido das Pretas, levam rapidamente ao desastre. Esse fato se encaixa perfeitamente no caso de nosso adversário ser de nível mais fraco, porque aí provavelmente não estará à altura das complicações que irão ocorrer durante a partida. Portanto, como nesse exemplo, nesse caso deve-se escolher linhas de jogo com grandes complicações táticas e estratégicas, colocando em xeque o conhecimento e preparo do adversário.

1.e4 e5 2.Cf3 Cc6 3.Bb5 Cf6 4.0–0 Cxe4 5.Te1




Neste ponto, a teoria recomenda a linha 5.d4 Cd6 6.Bxc6 dxc6 7.dxe5 Cf5 8.Dxd8+ Rxd8
Levando a interessantes complicações, existindo muitas análises a respeito.

O lance 5. Te1 é bastante antigo, e atualmente não é muito praticado. Entretanto, encerra algumas dificuldades para as pretas. Se não ficarem alertas, sucumbem rapidamente.

5...Cd6 6.Cxe5
Aqui, Brancas devem resistir à idéia infeliz de tentar obter vantagem mediante o lance de cilada 6.Cc3:

a) Se 6...Cxb5 7.Cxe5, e nenhum dos cavalos brancos pode ser tomado. Se 7...Cxc3 8.Cxc6+ Be7 9.Cxe7 Cxd1 10.Cg6+ De7 11.Cxe7 e o cavalo preto está perdido.
b) Se 6...Cxe5 7.Txe5+ Be7 8.Cd5, recaindo na variante principal, conforme será visto adiante.
c) Todavia, se Pretas jogam o correto 6...Be7, não têm o que temer. Brancas não podem forçar com 7.Cd5, porque o Rybka encontrou o diabólico 7...Cbd4!, parando todo o ataque branco.
d) Nesse caso, depois de 6...Be7 só resta às Brancas retomarem em b5, ficando em inferioridade face ao par de bispos concedidos às pretas, e sem casas centrais de apoio para seus cavalos.

6...Cxe5
Este lance aqui também é um erro. O correto continua sendo 6...Be7 7.Bf1 Cxe5 8.Txe5 0–0 9.d4 Ce8 10.d5. com jogo complexo.

7.Txe5+ Be7 8.Cc3 Cxb5
A vontade das Pretas em se livrarem do bispo espanhol branco leva ao desastre. Melhor 8...0–0 9.Bd3. com jogo igualado.

9.Cd5 0–0 10.Cxe7+ Rh8 11.Dh5



Neste momento ocorrem configurações de mate ao monarca preto, com base na típica posição do cavalo branco postado em e7. A ameaça direta aqui é o sacrifício de Dama em h7. E as tentativas de defesa das pretas fracassam. Por exemplo:

a)- Se 11...d6, 11...Cd6 ou 11...Cd4 12.Dxh7+ e mate na próxima
b)- Se 11...g6 12.Dh6 d6 13.Th5.gxh5 14.Df6 mate
c)- Se11...h6 12.d3 Rh7 13.Tg5 Dxe7 14.Txg7+ Rxg7 15.Bxh6+ Rf6 16.Bg5+ Rg7 17.Dh6+ Rg8 18.Bxe7 Cd4 19.Bf6

Em muitas outras situações, pode ocorrer cenário semelhante a este. Seja em partidas de peão de rei ou de peão de dama, ocorrem variantes agudas, onde o menor descuido costuma ser fatal. Para tanto, o preparo prévio para colocar o adversário ante tais problemas, ou saber como sair deles em situação inversa, é de fundamental importância.

4. RUY LOPEZ – ANTI-MARSHALL
Essa linha de jogo presta-se muito bem ao tema central desse trabalho. Muitas vezes, o jogador de brancas não gosta de jogar contra o Ataque Marshall, porque sente-se desconfortável em jogar na defesa, mesmo com o peão a mais sacrificado pelas pretas. É o caso, por exemplo, de Kasparov, que sempre evitou entrar na famosa linha criada por Frank J. Marshall. Para tanto, existem numerosas e variadas linhas “Anti-Marshall”.


Ocorre que, aproveitando essa circunstância, mesmo nas linhas assim denominadas “Anti-Marshall”, o jogador das pretas deve ficar atento para possíveis imprecisões do adversário na condução da abertura. Isto porque podem ocorrer situações onde, contra a vontade que manifestou o adversário de evitar linhas de ataque das pretas, brancas ainda assim são lançadas a uma posição de defesa, e até mesmo de inferioridade. Essa seria, então, uma condição psicológica altamente favorável para as pretas, e os resultados de muitas partidas lhe são sobejamente favoráveis justamente por esse motivo.


Portanto, o preparo do jogador de pretas para jogar linhas “Anti-“Marshall” compreende até mesmo algumas posições onde a oportunidade de o famoso sacrifício reaparecer, com a sua força costumeira.
Na linha de jogo abaixo, verifica-se a probabilidade de ocorrer séria imprecisão no jogo das brancas em duas ocasiões, para as quais o jogador de pretas deve ficar atento. Se ocorrerem, deve atuar enérgicamente e de imediato, tentando tirar proveito do despreparo das brancas e de sua condição de inferioridade psicológica ao ter que jogar na defesa e em clima de combate acirrado.


1.e4 e5 2.Cf3 Cc6 3.Bb5 a6 4.Ba4 Cf6 5.0–0 Be7 6.Te1 b5 7.Bb3 0–0



Neste ponto, o condutor das pretas está deixando em aberto duas possibilidades: ou jogar no próximo lance o sólido 8...d6 para então seguir nas linhas típicas do Sistema Chigorin, ou partir para as agressivas linhas de ataque proporcionadas pelo sacrifício de peão consubstanciado no lance 8...d5.

Existem variadas formas de as brancas evitarem o Ataque Marshall. Só que, para isso, terão de desistir, ao menos momentaneamente, de seguirem em seu propósito de jogar as linhas normais do Sistema Chigorin. Duas dessas linhas serão apresentadas a seguir, uma em forma de variante principal, outra como variante secundária.

8.h3


Outra das formas de evitar o Marshall seria 8.a4
Neste ponto, pretas podem escolher entre avançar o peão a b4, ou defende-lo mediante 8...Bb7, que é o lance indicado aqui.
Neste ponto, se o jogador das brancas não tiver preparo suficiente, na vontade de seguir com seu plano de jogar a variante normal do Sistema Chigorin, poderá cometer a seguinte imprecisão:
9.c3?!
Ocorre que esse lance faz reaparecer justamente aquilo que as brancas quiseram evitar com 8.a4: o Marshall, agora sob forma de um dispositivo de ataque característico pela forte posição do bispo preto localizado em b7:
9...d5! 10.exd5 Cxd5 11.Cxe5
(Se 11.axb5 axb5 12.Txa8 Bxa8 13.d3
Este lance coloca em relevo a drástica mudança de atitude que teve de fazer o jogador das brancas: um lance de cautela, para segurar uma posição mais livre que já foi conquistada pelas pretas. O aceite do peão ofertado mediante 13.Cxe5 Cxe5 14.Txe5 Cf4 15.d4 Cxg2 16.Dg4 Ch4 leva a uma situação de inferioridade similar àquela da variante principal)

Depois de 13 d3, pretas ficam com posição ao menos igualada, onde uma das alternativas válidas seria 13...Bf6)

8...Bb7
Ante a alternativa Anti-Marshall 8.h3 adotada pelas brancas, este lance é um dos mais efetivos.

9.c3




Novamente, neste ponto as brancas deveriam se contentar com o passivo 9.d3 d6 10.a4 Ca5 11.Ba2 c5 12.Cbd2 Bc8
Volta o bispo a acessar a diagonal h3-c8 para, entre outras coisas, dar combate ao ativo bispo espanhol de a2 mediante Be6-Bxa2. Esta é mais uma circunstância onde ocorre o Plano B, no qual o jogador tem de se ajustar às medidas exigidas pela posição. Aqui também fica manifesto que as brancas não puderam dar seqüência à manobra típica liberadora d3-d4-d5 ou d3-d4-d4xc5, porque ainda não puderam realizar o lance de apoio central c3. Por tudo, uma vitória em termos psicológicos do jogador das pretas. Resta saber se seu adversário possui fortitude suficiente para contornar essa questão, e prosseguir jogando a partida como ela exige ser jogada.

O lance 9.c3 prova ser um erro, porque viabiliza justamente aquilo que brancas quiseram evitar: o lance liberador de Marshall.

9...d5
Aqui a melhor continuação para as brancas parece ser 10.d3, segurando a posição central, embora em caráter restringido. O aceite do sacrifício, pretendendo ainda provar que seu lance 8.a4 foi realizado justamente para proibir o nono lance preto, resta ser deveras ruinoso, conforme a possível continuação a seguir:
10.exd5 Cxd5 11.Cxe5 Cxe5 12.Txe5 Cf4!


Neste ponto, este salto de cavalo, conjugado com o forte apoio proporcionado pelo bispo de b7, confere manifesta vantagem às pretas, atestando a plena vitória psicológica sobre o jogador das brancas.

13.f3
Tentativa fracassada de segurar a posição. Brancas devem se resignar a devolver o peão de vantagem, entretanto com irremediável comprometimento do castelo peonífero de seu monarca, mediante:

13.d4 Cxg2 14.Dg4 Ch4 15.Cd2 Rh8 com clara vantagem.

13...Cd3! 14.Te2 Bc5+ 15.Rh1 Dh4 e a vitória final está próxima;

(Por: Ernesto Luiz de Assis Pereira elap@terra.com.br - Texto do Ciclo de palestras do Clube de Xadrez de Curitiba http://www.cxc.org.br/ realizada em maio de 2007).

Vantagem na Abertura I

1. INTRODUÇÃO

Uma das principais atividades desenvolvidas no estudo do Xadrez consiste na preparação de aberturas que possibilitem a obtenção de determinadas vantagens, sejam de ordem material, posicional e até mesmo psicológica. E, no caminho inverso, evitar que o adversário consiga tais benefícios.

Com esse objetivo, deve-se sempre procurar linhas de ataque e defesa que coloquem ao oponente as maiores dificuldades possíveis para condução da abertura, de sorte que, em grande numero de casos, as vantagens colhidas produzam resultados favoráveis, facilitando o trabalho no meio jogo e no final da partida. Jogam papel muito importante aqui a preparação psicológica, bem como a compreensão e conceituação detalhada de posições típicas, além de outros fatores como o nível de jogo próprio e do adversário, posição na tabela, estilo, etc.

Sejam quais forem os elementos a serem considerados para a luta por uma vantagem na abertura, o jogador terá sempre de considerar as alternativas, favoráveis ou desfavoráveis, da linha de jogo que irá adotar, para tanto estabelecendo planos alternativos. Se as coisas correrem como previsto, seguir o que foi estudado e conceituado. Porém, se o adversário conseguir meios de contornar as dificuldades a ele antepostas, então aí desempenha um papel importante o assim chamado “Plano B”, conforme será esclarecido em frente.

Essa forma de preparação geralmente conduz a resultados satisfatórios, porque o jogador estará antecipadamente preparado para as contingências em que irá se desenrolar a partida, a não ser, como é óbvio, que seu oponente, utilizando desses mesmos meios, escolha uma abertura ou defesa imprevista. Aí, as coisas se invertem, e o jogador menos preparado é que, o mais das vezes, irá sucumbir em face de suas dificuldades manifestadas para aquele tipo de jogo. Esse modo, por assim dizer, psicológico de enfrentamento, constitui a arma predileta de muitos jogadores de alto nível, e as formas de impor as surpresas que preparam são inúmeras. Ao final desse trabalho será mostrada uma partida que coloca em relevo alguns desses elementos-surpresa.

Inúmeros são os recursos e estratagemas empregados para tentar a vantagem na fase inicial do jogo. Modernamente, com os recursos informáticos e internéticos à disposição do jogador, tais meios tornaram-se ainda mais numerosos e complexos. Isso fez com que, na atualidade, sejam minoria os jogadores de alto nível que permanecem fiéis a um repertório reduzido de aberturas e defesas. Em sua grande maioria, a cada torneio, procuram surpreender com novas investigações sobre as linhas que praticam, e até mesmo sobre as linhas praticadas pelos próprios adversários.

Portanto, o escopo desse trabalho consiste em se fazer uma abordagem sistêmica do tema, a qual muito embora não pretenda aprofundamentos maiores, pelo menos possa transmitir uma noção básica de como estudar aberturas com tais propósitos.

Uma proposta razoável de trabalho nesse campo pode consistir nos cinco seguintes tópicos básicos:

(i) Colocar-se psicológicamente em relação ao adversário que irá enfrentar: se é mestre, se é jogador com rating FIDE elevado, como ele está na tabela do torneio, se é tático ou posicional, etc. Avaliadas essas características, estabelecer que resultado seria razoável obter: empate ou vitória. A esse respeito, deve-se também considerar os benefícios que um desses resultados proporciona ao jogador. Às vezes, pode valer a pena arriscar mais para tentar obter a vitória do que se contentar com meio ponto. Outras vezes não, porque o meio ponto pode significar um avanço no rating ou uma melhor posição no torneio.

(ii) Colocar-se psicologicamente em relação a si mesmo: como se encontra de saúde, se está disposto a lutar intensamente, se é oportuno economizar energias para embates futuros, e outros fatores que podem influenciar, positiva ou negativamente, no seu desempenho durante o embate.

(iii) Avaliar se, pela força, estilo ou pelas circunstâncias do torneio, o adversário vai jogar para ganhar, e assim forçar a partida por todos os meios que estiver ao alcance dele. Nesse caso, escolher uma linha de jogo que efetivamente contrarie tais propósitos, colocando o adversário em um dilema psicológico.

(iv) Estudar linhas de jogo contendo os dois niveis em que uma partida pode se desenvolver: calmo ou agressivo, para poder escolher justamente aquela que mais contrarie os planos do adversário e melhor se adapte às circunstâncias do momento.

(v) É de fundamental importância estar preparado também, técnica e psicologicamente, para jogar em uma situação totalmente imprevista, fora do que foi planejado de antemão. As vicissitudes de uma partida nunca garantem que nossos planos iniciais corram como queríamos. Assim, há que se estabelecer um Plano B, que permita ao jogador desenvolver seu jogo em condições adversas. Isto, porque o adversário também tem seus planos, e eles o mais das vezes sempre serão contrários aos seus. Por isso, o chamado Plano B consiste em se adaptar às circunstâncias da partida, em condições geralmente opostas àquelas que foram planejadas. Em grande número dos casos esse Plano B, se for acionado, consiste em se jogar de modo, total ou parcial, contrário ao inicialmente planejado, sempre adaptando-se aos requerimentos exigidos pela posição que se apresenta, e que na grande maioria dos casos não guarda relação alguma com o que fora escolhido . Durante o estudo das linhas de jogo referido no item (iv) retro, essas alternativas diferenciadas podem ser razoavelmente previstas. Entretanto, deve-se estar preparado para nem isso ocorrer, e a partida se desenrolar de modo totalmente diferente. É por isso que o jogador tem de se preparar, técnica e teóricamente, em termos de um repertório de aberturas, condução de meio jogo e desempenho em finais de forma a mais completa que puder absorver.

Nesse trabalho, o tema sob foco será centrado em exemplos teórico-práticos, mediante duas variantes de abertura para as Brancas e duas linhas de defesa para as Pretas, como delineado a seguir:

a) Índia do Rei, Variante Saemish
b) Ruy Lopez, Defesa Berlinesa
c) Ruy Lopez, Variante Anti-Marshall
d) Defesa dos Dois Cavalos, Variante Fritz

Em todas essas quatro linhas, serão colocados sob foco alguns recursos, técnicos e psicológicos, destinados a alavancar as possibilidades inerentes a cada tipo de abertura ou defesa escolhido, com exploração de temas como atraso no desenvolvimento, posições típicas de mate, ataques diretos ao rei mediante sacrifícios de peças ou peões, traslado a um final favorável, e outras.


2. ÍNDIA DO REI – SISTEMA SAEMISH
Esta opção de jogo das brancas contra a índia do Rei está associada a combates violentos, com ataques e contra-ataques em ambos os flancos. Uma idéia bem precisa desse gênero de jogo pode ser encontrada na obra do Henrique Marinho “Maiorias Qualitativas nas Defesas Índias”.
Entretanto, existe uma alternativa para o jogador das brancas entrar em linhas mais calmas, onde, mediante sacrifício de qualidade, obtém iniciativa duradoura, sempre com as melhores chances de obter vantagem, embora em nível mínimo. No caso de se jogar contra um jogador mais forte, isso poderá se constituir em um fator importante contra os planos dele, de jogar para ganhar. É muito provável que irá procurar forçar a posição, e se o jogador estiver bem preparado, com a linha devidamente conceituada, poderá tirar partido dessa circunstância.

Até o sexto lance, as coisas se passam em nível de desenvolvimento normal do sistema:

1.d4 Cf6 2.c4 g6 3.Cc3 Bg7 4.e4 d6 5.f3 0–0 6.Be3 e5 7.dxe5




Neste ponto é que as brancas elegem uma variante pouco praticada no xadrez magistral. Referência a ela pode ser encontrada na partida Naijdorf, M. x Boleslavsky, I., Interzonal de Zurich, 1953, a qual finalizou empatada em 32 lances, daí o desinteresse em desenvolver essa linha.

dxe5 8.Dxd8 Txd8 9.Cd5 Cxd5 10.cxd5 c6 11.Bc4 cxd5 12.Bxd5 Cc6 13.Td1 Cd4

Neste ponto, na partida mencionada Boleslavsky jogou o cauteloso 14.Rf2, e não conseguiu superar o sólido esquema defensivo de Najdorf, que mediante 14...Be6 trocou o Bispo de d5 e manteve-se firme na defesa até obter o meio ponto que desejava.

Entretanto, há muitos anos venho indagando sobre a viabilidade do seguinte lance:

14.Ce2!?

Brancas pretendem imprimir um caráter mais agudo à partida. Para tanto, permitem a troca de seu forte bispo em e3.

14...Cc2+

Aceitando o desafio. Se 14...Be6 15.Bxe6 Cxe6 16.Txd8+ Txd8 17.Cc3, e Brancas conseguem leve e duradoura vantagem, principalmente em função da forte posição que seu cavalo irá ocupar no posto d5.

Uma possível continuação aqui seria:
17...b6 18.Re2 Cf4+ 19.Bxf4 exf4 20.Tc1 Rf8 21.Tc2 Be5 22.Cd5

15.Rf2 Cxe3

Se agora Brancas tomam o cavalo em e3, ficarão em posição comprometida, mediante a boa manobra das pretas com Bf8-c5+. Mas esse não foi o intuito das Brancas quando fizeram o ousado lance 14.Ce2!?. Agora vem um raio em céu claro:

16.Bxf7+!?



Entregando dois bispos por Torre e peão, o que em termos meramente materiais seria uma decisão horrível. Contudo, o plano das brancas vai além disso, com base nos seguintes fatores de ordem dinâmica e posicional.

a)- Pretas encontram-se momentâneamente desagrupadas, e com as peças da ala da Dama ainda por desenvolver.
b)- O cavalo preto deve perder tempos valiosos para retroagir e colaborar na defesa do flanco dama.
c)- As duas torres brancas exercem pressão enorme sobre a posição adversária, controlando duas colunas centrais abertas, com possibilidades concretas de invasão da sétima e oitava filas
d)- O cavalo branco pode ir rapidamente às casas b5 e d5, segundo as circunstâncias, colaborando no ataque.

Por sua vez, as pretas devem desenvolver suas peças o mais rapidamente possível, e fazer valer sua boa vantagem material. Contra isso, devem as Brancas ter em mãos o Plano B, que consiste em fazer valer o poderio das torres e dos elementos acima listados para, pelo menos, ganhar material para levar a um final favorável ou, pelo menos, com chances de empate.

Como pode ser observado, o lado que conseguir levar adiante seus planos com maior consistência terá grandes chances de alcançar a vitória.

Uma continuação possível seria:

16. Rxf7 17.Txd8 Cc4 18.Tc1 Bf6


Até aqui, tudo forçado. Pretas tentam expulsar a torre que invadiu a oitava fila, ao mesmo tempo que procuram realizar as primeiras etapas de seu plano: reagrupamento de peças e desenvolvimento daquelas ainda em suas casas originais.

19.Td3 Cxb2 20.Td2 Ca4 21.Tc7+ Be7 22.Td8 Cb6




Pretas conseguem retroagir o cavalo para auxílio na defesa, Entretanto, Brancas incrementam a pressão, obtendo ganho de material.

23.Th8 Re6
Cedendo material para poder desenvolver suas peças.

24.Txh7 Bd7 25.Txb7
Brancas decidem-se pela troca de uma qualidade por peça e dois peões, mantendo assim viva a luta

25...Bc5+ 26.Rg3 Rd6 27.Tg7 Rc6 28.Tbxd7 Cxd7 29.Txg6+
Com chances para os dois lados. Aquele que estiver melhor preparado poderá fazer pender a balança a seu favor.

(Por: Ernesto Luiz de Assis Pereira elap@terra.com.br - Texto do Ciclo de palestras do Clube de Xadrez de Curitiba http://www.cxc.org.br/ realizada em maio de 2007).

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

Eventos Arbitrados III - Fotos



Mundial até 26 por Equipes - Maringá 1991 - Bate bola BRA X ARG

Escolar Catarinense 2003 - Lages - Equipe Organização


FESCRI SC 2003 - São Bento do Sul - Direção e Arbitragem

Brasileiro 16 e 18 - 2003 - Praia dos Ingleses - SC - Árbitros


Xadrez Rápido Giassi - Joinv/SC 2004 - Rodrigo, Calleros

Pan Juventude Balneário Camboriú 2005 - Equipe de Árbitros



Simpósio UFPR - Paranaguá 2007 - Equipe de Professores



Simpósio UFPR Paranaguá 2007 - Calleros, Emerson Telles




Simpósio UFPR Paranaguá 2007 - Equipe Arbitragem




Evento UFPR Paranaguá 2007 - Rogério x Calleros



Jogos Comerc. PR 2008 - SESC da Esquina - Dir. Geral e jogadores

domingo, 1 de fevereiro de 2009

Eventos Arbitrados II - Lista


1984
II CAMP. BRAS. INTERCLUBES-CURITIBA
I TORNEIO INT. GRACIOSA COUNTRY CLUB-CURITIBA

1985
XXVIII JAPS-CASCAVEL

1986
I CAMP. ABERTO DO BRASIL-BRASILIA
IV CAMP. BRAS. INTERCLUBES-CURITIBA

1987
II CAMP. ABERTO DO BRASIL-BRASÍLIA
V CAMP. BRAS. INTERCLUBES-CURITIBA
LIV BRAS. ABS.-CANELA
XXVII BRAS. FEM.-CANELA
I OPEN INT. LLOYDS BANK-D. DE CAXIAS
I REFRIPAR INT.-CURITIBA
I MINI OPEN CXC-CURITIBA

1988
ZONAL IV-MARINGA
55.CAMP. BRAS.-SAO PAULO
CAMP. BRAS. VETERANOS-SÃO PAULO
I COPA HM DE XADREZ-CURITIBA
I TORNEIO DOS CAMPEOS-CURITIBA
II TORNEIO DOS CAMPEOES-CURITIBA
51.CAMP. PR.-PARANAVAI
1.CAMP. BRAS. JOVENS 26-B.HORIZONTE

1989
CAMP. DA CIDADE-MARINGA
52.CAMP. PR.-LONDRINA
ZONAL III-GOIANIA-ZONAL IV-LAGES
14.C.PR. FEM-CURITIBA
2.CAMP. BRAS. JUV IC-CAMPINAS
2.CAMP. BRAS. FEM IC-CAMPINAS
7.CAMP. BRAS. IC-CAMPINAS
CAMP. PR. SF 2-CURITIBA
II CAMP. BRAS. MEN 26-GOIANIA
CAMP. PR XA 1A FASE-CURITIBA
XXXII JAPS-PATO BRANCO
JOJUPS-LONDRINA
V CAMP. PR. JUVENIL-CURITIBA
I TAÇA CURITIBA XADREZ-CURITIBA
LIII CAMP. PR ABS 1ª SF-MARINGA
LIII CAMP. PR ABS 2ª SF-LONDRINA
I LONDRINA OPEN XADREZ-LONDRINA
I CAMP. SUL. XADREZ RAPIDO-FOZ DO IGUAÇU
I TORNEIO SANTA MONICA-PRAIA LESTE
VIII MEM CARLOS F ARAUJO-MATINHOS
I OPEN DE CASTRO XADREZ-CASTRO
I OPEN DE PORTO VELHO XADREZ-PORTO VELHO
I OPEN DE XADREZ SGDSB-SÃO BENTO SUL
I OPEN A A INGA DE XADREZ-MARINGA
I OPEN XADREZ CX EDWIN POCK-CAIOBA
I OPEN XADREZ DE PARANAGUA-PARANAGUA
CAMP. PAN. U -10 MASC-CUBATÃO
CAMP. PAN. U -10 FEM-CUBATÃO
CAMP. PAN. U -12 MASC-CUBATÃO
CAMP. PAN. U -12 FEM-CUBATÃO
CAMP. PAN. U -14 MASC-CUBATÃO
CAMP. PAN. U -14 FEM-CUBATÃO

1990
53.CAMP. PR.-MARINGA
29.CAMP. BRAS. FEM/89-MARINGA
SF CAMP. BRAS. FEM-MARINGA
CAMP. BRAS. FEM.-MARINGA
COPA BRAHMA EXTRA-CURITIBA
8.CAMP. BRAS. IC-GUARAPUAVA
3.CAMP. BRAS. IC JUV-GUARAPUAVA
3.CAMP. BRAS. IC FEM-GUARAPUAVA
3.CAMP. BRAS. JOV.26-MARINGA
XXXIII JAPS-TOLEDO
II CAMP. PAN AM. U/10 MASC-SÃO PAULO
II CAMP. PAN AM. U/10 FEM.-SÃO PAULO
II CAMP. PAN AM. U/12 MASC.-SÃO PAULO
II CAMP. PAN AM. U/12 FEM.-SÃO PAULO
II CAMP. PAN AM. U/14 MASC.-SÃO PAULO
II CAMP. PAN AM. U/14 FEM.-SÃO PAULO
II CAMP. PAN AM. U/16 MASC.-SÃO PAULO
II CAMP. PAN AM. U/16 FEM.-SÃO PAULO
JOJUPS-MARINGA
VIII CAMP. DE ADULTOS BPP-CURITIBA
FEST. DA CRIANÇA-GUARAPUAVA
CAMP. PR. JUVENIL ABS.-CURITIBA
CAMP. PR. JUVENIL FEM-CURITIBA
CAMP. PR. INF. JUV ABS.-CURITIBA
CAMP. PR. INF. JUV FEM-CURITIBA
I OPEN XADREZ R. GHIGNONE-CURITIBA
CAMP. PR. XADREZ-CURITIBA
II OPEN DE CASTRO 2A. FASE-CASTRO
III OPEN CIDADE DE MARINGA-MARINGA

1991
II CAMP. SUL. XADREZ RAPIDO-FOZ DO IGUAÇU
CAMP. DA CIDADE-MARINGA
4.CAMP. BRAS. JOV.26-MARINGA
SF CAMP. BRAS.-BEBEDOURO
CAMP. MUNDIAL U/ 16 BOYS-GUARAPUAVA
CAMP. MUNDIAL U/ 16 GIRLS-GUARAPUAVA
CAMP. MUNDIAL U/ 18 BOYS-GUARAPUAVA
CAMP. MUNDIAL U/ 18 GIRLS-GUARAPUAVA
CAMP. PR. FEM-CURITIBA
CAMP. MUNDIAL ATÉ 26 ANOS EQUIPES-MARINGA
CAMP. PR. IC-CURITIBA
TORNEIO HEROIS DA LAPA-CURITIBA
XXI CAMP. BRAS. FEM.-BLUMENAU

1992
7.CAMP. ABERTO BRASIL-BEBEDOURO
92 ZONAL VI-B.HORIZONTE
C.BRAS. CADETES-CAIOBA
C.BRAS. CADETES FEM-CAIOBA
C.BRAS. INF.JUV-CAIOBA
C.BRAS. INF.JUV.FEM-CAIOBA
1.C.LATINOAMERICANA-GUARAPUAVA
CAMP. BRAS. JUV-MATINHOS
5.CAMP. BRAS. JOV.26-MATINHOS
FENAX-MATINHOS
59.CAMP. BRAS.-CURITIBA
JOJUPS-PONTA GROSSA
JAPS-FOZ DO IGUAÇU

1993
ZONAL III-BOA VISTA
ZONAL VII-RECIFE
CAMP. BRAS. INF-JUV-P.DE LESTE
C.BRAS. INF-JUV FEM-P.DE LESTE
CAMP. BRAS. CADETES-P.DE LESTE
C.BRAS. CADETES FEM-P.DE LESTE
CAMP. BRAS. JUVENIL-CAIOBA
CAMP. BRAS. JUV.FEM-CAIOBA
CAMP. MUNDIAL ATÉ 26 ANOS EQUIPES-P. DE LESTE
SF CAMP. BRAS.-B.HORIZONTE
6.CAMP. BRAS. JOV.26-MATINHOS
TORN 300 ANOS CURITIBA-CURITIBA

1994
XXXVII JAPS-PONTA GROSSA
CAMP. BRAS. MIRIM-SAO SEBASTIAO
CAMP. BRAS. MIRIM FEM-SAO SEBASTIAO
CAMP. BRAS. PRE-INF-SAO SEBASTIAO
BRAS. PRE-INF.FEM-SAO SEBASTIAO
CAMP. BRAS. INF-SAO SEBASTIAO
CAMP. BRAS. INF.FEM-SAO SEBASTIAO
1.CIRCUITO DO SOL-1-FORTALEZA
1.CIRCUITO DO SOL-2-FORTALEZA
CAMP. BRAS. CAD.-MATINHOS
CAMP. BRAS. CAD.FEM-MATINHOS
CAMP. BRAS. INF.JUV-MATINHOS
CAMP. BRAS. INF.JUV.FEM-MATINHOS

1995
CAMP. MUNDIAL U/ 10 BOYS-SÃO LOURENÇO
CAMP. MUNDIAL U/ 10 GIRLS-SÃO LOURENÇO
CAMP. MUNDIAL U/ 12 BOYS-SÃO LOURENÇO
CAMP. MUNDIAL U/ 12 GIRLS-SÃO LOURENÇO
CAMP. MUNDIAL U/ 14 BOYS-SÃO LOURENÇO
CAMP. MUNDIAL U/ 14 GIRLS-SÃO LOURENÇO
10.C.ABERTO BRASIL-S.SEBASTIAO
1.T.INTERNACIONAL-MANAUS
CAMP. PAN. U-10 MASC-BLUMENAU
CAMP. PAN. U -10 FEM-BLUMENAU
CAMP. PAN. U -12 MASC-BLUMENAU
CAMP. PAN. U -12 FEM-BLUMENAU
CAMP. PAN. U -14 MASC-BLUMENAU
CAMP. PAN. U -14 FEM-BLUMENAU
CAMP. PAN. U -16 MASC-BLUMENAU
CAMP. PAN. U -16 FEM-BLUMENAU
CAMP. PAN. U -18 MASC-BLUMENAU
CAMP. PAN. U -18 FEM-BLUMENAU
CAMP. BRAS. MIRIM-MATINHOS
CAMP. BRAS. MIRIM/FEM-MATINHOS
CAMP. BRAS. PRE.INF-MATINHOS
CAMP. BRAS. PRE.INF/FEM-MATINHOS
CAMP. BRAS. INFANTIL-MATINHOS
CAMP. BRAS. INFANTIL/FEM-MATINHOS
CAMP. MUNDIAL U/ 16 BOYS-GUARAPUAVA
CAMP. MUNDIAL U/ 16 GIRLS-GUARAPUAVA
CAMP. MUNDIAL U/ 18 BOYS-GUARAPUAVA
CAMP. MUNDIAL U/ 18 GIRLS-GUARAPUAVA
CAMP. BRAS. U26-FLORIANOPOLIS
SEMI FINAL CAMP. BRAS.-FLORIANOPOLIS

1996
U10 FEM-LAGUNA
U12 FEM-LAGUNA
U14 FEM-LAGUNA
U10 MASC-LAGUNA
U12 MASC-LAGUNA
U14 MASC-LAGUNA
SF CAMP. BRAS.-PETROPOLIS
I COPA VER. BORGES DOS REIS-CURITIBA
X OLIMP. MUNDIAL INVISUAIS-LAGUNA

1997
1.COPA BRILHA LAGES-LAGES
ZONAL AM-RR-BOA VISTA
CAMP. BRAS. JUV-AGUA PRETA
CAMP. BRAS. JUV FEM-AGUA PRETA
SF CAMP. BRAS.I-ITAPIRUBA-XXXVII JASC-CONCORDIA
JOGUINHOS ABERTOS-LAGES
I TORNEIO AB VARZEA GRANDE-CAMPO GRANDE
I ITT DE LAGUNA-LAGUNA
V COPA POSITIVO-CURITIBA

1998
CAMP. PAULISTA ABS.-SÃO PAULO

1999
JOG. ABERTOS 1999 – FINAL-JARAGUÁ DO SUL
JOG. ABERTOS 1999 – FINAL-CHAPECO

2000
- FEST.NAC.CRIANÇA-JARAGUÁ DO SUL
JOGUINHOS ABERTOS 2000 – FINAL-FLORIANOPOLIS
I TORNEIO DO OPET-CURITIBA
I TORNEIO SANTA TEREZINHA-CURITIBA
COMEMORATIVO DIA ENXADRISTA-ARAUCARIA
JOGOS ESC. BRAS.-CAMPINAS
CAMP. PAN-10/12/14/16/18- BENTO GONÇALVES

2001
COMEM. DIA ENXADRISTA-ARAUCARIA
I COPA VISORAMA-CURITIBA
REGIONAL PR ABS. FEXPAR-CURITIBA
CAMP BRAS. ESC. REGIONAL SUL-BLUMENAU

2002
FENAC 12 FEM-BLUMENAU
FENAC 12 MASC-BLUMENAU
FENAC 14 MASC-BLUMENAU
FENAC 14 FEM-BLUMENAU
II COPA VISORAMA DE XADREZ 2002-CURITIBA
ESC. SULBRAS. 2002-LAGES
ZONAL PARANÁ – FEXPAR-CURITIBA
62o. CAMP. PR. DE XADREZ – FPX-CURITIBA
XII MEM. OTTO MAK-CURITIBA

2003
III COPA VISORAMA DE XADREZ-CURITIBA
CAMP. BRAS. UNIV. DE XADREZ - ABS.-LAGES
CAMP. BRAS. UNIV. DE XADREZ - FEM.-LAGES
CAMP. BRAS. JUVENIL ABS.-FLORIANOPOLIS
CAMP. BRAS. JUVENIL FEM.-FLORIANOPOLIS
FESCRI 2003 - U/ 8 FEM.-S BENTO DO SUL
FESCRI 2003 - U/ 10 FEM.-S BENTO DO SUL
FESCRI 2003 - U/ 12 FEM.-SÃO BENTO DO SUL
FESCRI 2003 - U/ 14 FEM.-S BENTO DO SUL
FESCRI 2003 - U/ 8 MASC.-S BENTO DO SUL
FESCRI 2003 - U/ 10 MASC.-S BENTO DO SUL
FESCRI 2003 - U/ 12 MASC.-S BENTO DO SUL
FESCRI 2003 - U/ 14 MASC.-S BENTO DO SUL
FEST. DA JUVENTUDE 2003-LAGES
JOGUINHOS ABERTOS SC - 2003 – FINAL-JOAÇABA
JOGOS ABERTOS SC. 2003 - FINAL-BLUMENAU
TORNEIO AB. DE XADREZ CXC – JUN/2003-CURITIBA
TAÇA CURITIBA DE XADREZ ESC. U/ 08-10-CURITIBA
TAÇA CURITIBA DE XADREZ ESC. U/ 12-14-CURITIBA
TAÇA CURITIBA DE XADREZ-CURITIBA
TOR. DEFIN. CAMP.ALA JOVEM 2003-CURITIBA
65o. ANIVERSÁRIO DO CXC-CURITIBA
TOR. CONSTRUGESSO-CURITIBA

2004
FENAJ 2004 - BRAS. 16/18-LAGES
63o. CAM. PR. ABS. - FPX - MARÇO 2004-CURITIBA
CAMP. BRAS. FEM. 2004-CURITIBA
I TOR. GESSO N. SRA. DO ROCIO-CURITIBA
REGIONAL SUL BRAS.-CURITIBA
JOGOS ESCOL. DO PAR. – REG. CURITIBA-CURITIBA
XI COPA ARAUCARIA DE XADREZ-CURITIBA
66o. ANIVERSÁRIO CXC-CURITIBA
IV COPA VISORAMA DE XADREZ-CURITIBA
I TORNEIO DOM SABOR-CURITIBA
XIV MEM. OTTO MAK-CURITIBA
I JOGOS CONFRAT. ASSOC.MAGIST.-CURITIBA
I TROFEU GAZETA DO POVO-CURITIBA
44o. JOGOS ABERTOS DE SC.-INDAIAL
JOGUINHOS ABERTOS DE SC.-RIO DO SUL
OLIMPÍADAS ESC. DE SC-JOAÇABA

2005
67o. ANIVERSARIO CXC-CURITIBA
COMEM. 312 ANOS CURITIBA-CURITIBA
I MEM. FERNANDO C. OLIVEIRA-CURITIBA
CAMP. PAN. U/10 M-BALN.CAMB.
CAMP. PAN. U/10 F-BALN.CAMB.
CAMP. PAN. U/12 M-BALN.CAMB.
CAMP. PAN. U/12 F-BALN.CAMB.
CAMP. PAN. U/14 M-BALN.CAMB.
CAMP. PAN. U/14 F-BALN.CAMB.
CAMP. PAN. U/16 M-BALN.CAMB.
CAMP. PAN. U/16 F-BALN.CAMB.
CAMP. PAN. U/18 M-BALN.CAMB.
CAMP. PAN. U/18 F-BALN.CAMB.
OLESC - OLIMPIADA ESC. SC-ITAJAI
JOGUINHOS ABERTOS DE SC-SÃO BENTO DO SUL
COPA ESC. DE XADREZ - 4 ETAPAS-CURITIBA
45o. JOGOS ABERTOS DE SC.-CHAPECO
I TORNEIO XADREZ - CATES - PARANA CLUBE-CURITIBA
V ABERTO DO BRASIL – VARGINHA-VAGINHA
65o. CAMP. PR. ABS.-CURITIBA
MEM. OTTO MAK-CURITIBA
II TOR. - CATES - PQ BARIGUI-CURITIBA
II TROFEU GAZETA DO POVO-CURITIBA

2006
REGIONAL SUL BRAS. DE XADREZ-MATINHOS
REGIONAL NORTE-BOA VISTA
COPA ESC. DE XADREZ- - ANJO DA GUARDA-CURITIBA
OLIMPÍADAS ESC. DE SC-JARAGUA DO SUL
I ABERTO DE CARNAVAL-REGISTRO
COPA ESC. DE XADREZ - ETAPA SME – GUATUPE-CURITIBA
JOGUINHOS ABERTOS DE SC.-JOAÇABA
CAMP. PAN. - U/ 18 M-CUENCA
47o. JOGOS ABERTOS DE SC.-JOAÇABA
COPA ESC. DE XADREZ - ETAPA SME – SESC-CURITIBA
INT. DE GUARAPUAVA-GUARAPUAVA

2007
COPA ESC. DE XADREZ - ANJO DA GUARDA-CURITIBA
CAMP. ABERTO DO BRASIL – REGISTRO-SÃO PAULO
SEMI-FINAL I CAMP. CAT. ABS.-SÃO BENTO DO SUL
SEMI-FINAL II CAMP. CAT. ABS.-SÃO BENTO DO SUL
JUBS - JOGOS UNIVERSITÁRIOS BRAS.-BLUMENAU
48o. JOGOS ABERTOS DE SC.-JARAGUA DO SUL

2008
CAMP. PAN. DE XADREZ - U/ 10 M-CÓRDOBA
CAMP. PAN. DE XADREZ - U/ 10 F-CÓRDOBA
CAMP. PAN. DE XADREZ - U/ 12 M-CÓRDOBA
CAMP. PAN. DE XADREZ - U/ 12 F-CÓRDOBA
CAMP. PAN. DE XADREZ - U/ 14 M-CÓRDOBA
CAMP. PAN. DE XADREZ - U/ 14 F-CÓRDOBA
CAMP. PAN. DE XADREZ - U/ 16 M-CÓRDOBA
CAMP. PAN. DE XADREZ - U/ 16 F-CÓRDOBA
AB. BRASIL/CENT. DA IMIG.JAPONESA-REGISTRO
COPA ESC. DE XADREZ/ET. A DA GUARDA-CURITIBA
COPA ESC. DE XADREZ/ET. OPET-CURITIBA
OLIMPÍADAS ESC. DE SC-CRICIUMA
SEMI-FINAL I CAMP. CAT. ABS.-SÃO BENTO DO SUL
SEMI-FINAL II CAMP. CAT. ABS.-SÃO BENTO DO SUL
CAMP. BRAS. AMADOR-CURITIBA
REGIONAL SUL BRAS. DE XADREZ-DOIS IRMÃOS
ETAPA CIRC. LIGA CAMP. DE XADREZ-CAMPINAS
SEMI-FINAL CAMP. BRAS. ABS.-DOIS IRMÃOS
TORNEIO 70 ANIV. CXC-CURITIBA
TORNEIO HOMEN. JOSE JABUR-CURITIBA
TORNEIO MEM. JOSE JABUR BLTZ-CURITIBA
CAMP. ABS. CAT.-LAGES
CAMP. CAT. FEM.-LAGES
JOGOS COM. DO PARANA – SESC-CURITIBA
I COPA ESC. DE XADREZ/SESC DO LITORAL-PGUA
COPA ESC. DE XADREZ/ET. SESC PORTÃO-CURITIBA
COPA ESC. DE XADREZ/SESC ESQUINA-CURITIBA
CAMP. BRAS. FEM.-NOVO HAMBURGO