Aulas de Xadrez

IV Floripa Ches Open 2018

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quinta-feira, 21 de maio de 2009

Boletim Informativo do CXC - Maio de 2009

Entrevista: Dr. Mauro de Athayde (parte 4)

Segue, abaixo, a última parte da entrevista com o Dr. Mauro de Athayde, um dos maiores ícones do Clube de Xadrez de Curitiba. Esperamos que nossos leitores tenham gostado, para que possamos preparar entrevistas cada vez melhores!

Segue, abaixo, a última parte da entrevista com o Dr. Mauro de Athayde, um dos maiores ícones do Clube de Xadrez de Curitiba. Esperamos que nossos leitores tenham gostado, para que possamos preparar entrevistas cada vez melhores!

LS: Antes, para entrar aqui no Clube, só se entrava de terno? Qual era a vestimenta?
MA: O terno fazia parte da vestimenta da época. Nos cinemas não se entrava de terno e gravata. Inclusive, se você ia ao cinema sem gravata, o lanterninha te dava uma gravata para você se sentir confortável. Mas aqui no Clube nunca houve qualquer restrição desse tipo.
LS: O senhor teve algum tutor, alguma pessoa em quem se espelhar?
MA: Não, não... Naquela época era cada um por si, eu sempre fui autodidata. Claro que houve jogadores nos quais eu me espelhei, olhava muito as partidas. O Alekhine, por exemplo, que se preparou muito para aquele match contra o Capablanca, era um jogador excepcional.
LS: E o Clube, como o senhor o vê hoje? Deve ser o único Clube do Brasil com toda essa vivacidade.
MA: Pois é, os clubes hoje em geral vivem uma crise. Creio que isso acontece devido ao fato de que há muitos lugares para se jogar xadrez, inclusive gratuitamente: colégios, bibliotecas, a própria internet. Um clube, para sobreviver, precisa funcionar como uma empresa.
Nosso Clube tem se mantido, mas com muitas dificuldades, muitas. Apesar de as últimas diretorias não terem ajudado muito, agora parece que o Clube está em um bom caminho, com o Acyr e sua turma. Mas mesmo assim, é muito difícil.
Antes, na década de 50, por exemplo, você chegava no Clube e não tinha mesa disponível para jogar. Havia 20, 30 pares de jogadores nas mesas, e você tinha que esperar a vez para jogar. Hoje, com a diversificação, não é mais assim. Antes, também, havia jogadores que jogavam aqui grandes quantias, no baralho, o que acabava dando um sustento para o Clube. Nos últimos anos do baralho, as pessoas vinham aqui para jogar 10, 15 reais, o que quase não gerava reservas para o Clube.
O Clube, antes, tinha mais de 300 sócios. Como eu disse, precisava esperar mesa para jogar. Hoje, é um dos poucos que vem se sustentando. Vamos ver, o caminho acho que é tentar conseguir algum patrocínio e alugar a sala onde antes era o baralho.
LS: O senhor tem alguma mensagem para deixar para os novos sócios e para o pessoal que tem se esforçado tanto para manter o Clube de pé?
MA: Eu tenho uma palavra: esperança. Não deixemos a peteca cair. Temos que lutar com todas as forças para não deixar o Clube afundar. As pessoas não precisam nem contribuir trazendo novos sócios, o importante mesmo é participar. Tem que continuar com os torneios, que trazem gente de fora e tem uma contribuição na parte econômica importante.
Temos que lutar até o fim para não deixar o Clube fechar. Seria muito triste ver um patrimônio como esse, por onde passaram diversas gerações de enxadristas. Precisamos chamar os jovens que participam para que mantenham esse lugar, e que nunca percam a esperança. Como disse o Mário Lago poucos dias antes de morrer: “Quando a pessoa perde a capacidade de ter esperança, é melhor apagar o seu arco-íris”. Acho que é por aí. Enquanto tivermos esperança, tudo estará a salvo.

Campeonato Brasileiro Amador:
Realizado entre os dias 30 de abril e 3 de maio, o Campeonato Brasileiro Amador foi um tremendo sucesso. Com 64 participantes, o torneio trouxe a Curitiba atletas de 11 estados, desde o longínquo Amazonas até o Rio Grande do Sul, o que refletiu numa competição onde todas as regiões do Brasil estariam representadas.
Realizado em 7 rodadas, o torneio contou com o benefício de ser disputado em um ritmo de 2 horas nocaute, o que elevou o nível técnico e permitiu aos jogadores mostrar o que de melhor conheciam sobre o jogo. Fato raro nos dias hoje, em que são os torneios de rápido que predominam.
Outro ingrediente importante que veio a incrementar a disputa foi a infra-estrutura fornecida pelo Clube. As cinco primeiras mesas do torneio eram jogadas em um salão especial, com peças e tabuleiro de madeira artesanalmente trabalhados, o que representou um fator a mais na motivação dos atletas.
Além dos participantes do torneio, foi possível ver grandes jogadores (que, obviamente, não mais podiam ser classificados como “amadores”) prestigiando as partidas. Análises, partidas relâmpago, acesso à internet e outros fatores contribuíram para que esse torneio ficasse marcado, pelo segundo ano consecutivo, como um dos principais no calendário anual do Clube de Xadrez de Curitiba.
O torneio foi muito disputado do começo ao fim, com muitas partidas indo para a decisão nos 10 minutos finais. Apesar da acirrada disputa, um jogador claramente se destacou: Geanfrancesco Pereira, de Santa Catarina, venceu as seis primeiras partidas e garantiu o título com um empate na última rodada. Junto com o troféu de campeão e os R$ 300,00 de premiação, Geanfrancesco garantiu vaga para a semifinal do Campeonato Brasileiro e para o Campeonato Mundial Amador de 2010.
Em segundo lugar ficou Leandro Salles, de Curitiba, com 6 pontos em 7 rodadas, e em terceiro ficou Derlei Florianovitz, de Chapecó, com 5,5 pontos. Na cerimônia de premiação, além de troféus e medalhas distribuídos nas diversas categorias e até o décimo lugar geral, foram sorteados brindes gentilmente fornecidos pela empresa Atto Informática (site: www.a7telecom.com.br), a patrocinadora do evento.
Além do evento principal, aconteceu na noite de sábado o já tradicional torneio de blitz em que os jogadores com maior rating dão vantagem de 6’ x 4’ para os jogadores de menor rating. O MF Adwilhans Souza venceu o torneio com 6,5 pontos em 7 rodadas. Em segundo, empatados com 5,5 pontos, ficaram o MF Ernani Choma, o MF Bolívar Gonzalez e Joaquim Deus Filho.



Geanfrancesco Pereira recebe o troféu de campeão do AI Carlos Calleros, do vice-presidente Adwilhans Souza e do Diretor Técnico Marcio Vargas.




Membros da diretoria do CXC (Acyr, Murilo e Ulisses) e o AI Calleros com o Sr. Horácio Lang, da empresa Atto Informática, patrocinadora do evento.



Você sabia?
O MF paranaense Vitório Chemin completou 59 anos no início de maio, e com o intuito de parabenizá-lo o Clube de Xadrez de Curitiba organizou um torneio relâmpago de aniversário. Vitório, que ainda joga ativamente, teve importantes participações em diversos Campeonatos Brasileiros, Jogos Abertos do Paraná e Campeonatos Paranaenses.
Fica aqui nesta nota a homenagem do Clube ao MF Chemin, que com seu bom humor, irreverência e sua filosofia de vida, inspira muitos jovens enxadristas a seguir um caminho de sucesso pelo mundo das 64 casas.



MF Vitório Chemin, que completa 59 anos no início de maio.

Maiores informações sobre o CXC pelo site www.cxc.org.br ou pelo telefone 41-3222-4539

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