terça-feira, 28 de abril de 2009

Regional Sul Brasileiro de Xadrez Escolar 2009







Objetivo: Apontar os campeões do Regional Sul de Xadrez Escolar 2009 da Educação Infantil e 1º ano, 1ª. série (2º ano), 2ª. série (3º ano), 3º série, 4º série, 5º série, 6º série, 7º série, 8º série do Ensino Fundamental e Ensino Médio, nos naipes Masculino e Feminino. Promover o intercâmbio entre enxadristas escolares da Região Sul do Brasil.


Participação: Alunos da Rede de Ensino do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul (Região Sul).


Local: SESC da Esquina – Rua Visconde do Rio Branco, 969 – Curitiba – PR - Fone: (41) 3322-6500, com Prof. Thiago. www.sescpr.com.br/programacao_new.php?getUnidade=8


Data: 04 e 05 de julho de 2009.

Folder completo: www.copaescolardexadrez.com.br/Reg_RSBE_2009_definitivo.pdf







sábado, 11 de abril de 2009

Arbitragem II - Liderança

O xadrez como esporte tem algumas particularidades. Acho que a mais interessante é a capacidade de não exigirmos um campeão isolado nas competições.

Podemos utilizar os sistemas de eliminação simples, como muitos dos esportes utilizam principalmente o tênis e o basquete. Mas o que mais utilizamos é o sistema suíço, que permite reunir um grande número de jogadores.
Este tipo de competição inicia com um número de jogadores e termina se possível, com o mesmo número, se nenhum deles abandonar o evento.
Por causa do número de jogadores inscritos, poderemos ter mais de um jogador com o mesmo número de pontos e até mais de um empatado com a pontuação total.

Lidamos com um público muito grande nas competições, possuidor de uma idade variada entre oito a mais de sessenta anos. Por muitas vezes participando da mesma competição e separados, na premiação por categorias.

Os árbitros de xadrez não são diferentes dos árbitros de outros esportes. Temos de ter uma preparação técnica muito grande, para estarmos atualizados com as últimas modificações das regras do jogo, suas interpretações e como aplica-las.

Minha preocupação ao apresentar este texto não é o tratamento entre árbitros e organizadores ou com o público, mas sim o relacionamento durante a competição entre o Árbitro Chefe ou Geral com a sua equipe de Árbitros. Tenham eles as categorias de Árbitros Internacionais, Regionais, Adjuntos ou sem nenhuma titulação.
Esta relação interfere diretamente no bom andamento de qualquer competição.

Durante os cursos de arbitragem, apresento a seguinte pergunta aos participantes: o que é mais difícil de conseguir realizar, saber mandar ou saber obedecer?

Vou contar o que me aconteceu muito tempo atrás em uma competição por equipes no interior do Paraná. Claro que não citarei a cidade e nem qual foi o evento para que o nome das pessoas envolvidas não seja localizado. Muitas delas ainda são minhas amigas.
Mais ou menos vinte anos atrás fui coordenador desta competição. Na época não tínhamos muitos árbitros, nem na quantidade nem na qualidade que temos hoje.
Por este motivo, nunca conseguia formar uma equipe forte. Fica claro que na época não tínhamos cursos de arbitragem e encarávamos a competição sempre com um pouco de preocupação.
Estávamos em uma das rodadas e não muito longe do local do nosso jogo, a competição de tênis que podíamos assistir de uma das janelas de nossa sala. Eu verificava o tempo, percorria o salão e retornava, se possível, para olhar o tênis.
Em determinado momento, escuto o barulho de alguns relógios a serem acionados com mais velocidade, sinal de que o tempo já estava terminando em algumas partidas. Quando olhei para o salão tive uma surpresa muito grande!
Não tinha nenhum dos quatro árbitros na sala!

A rodada, por sorte acabou bem sem muitos problemas. Reuni a equipe e ao indagar aonde cada um deles tinha ido durante a rodada. Responderam, um estava fumando, o outro foi na farmácia. Outro foi na lanchonete e o mais surpreendente, o último estava na sauna.

Tive que passar um sabão na equipe para que ficasse claro que o fato era lamentável e não poderia voltar a ocorrer.

Como não tinha como convocar uma equipe de conhecimento técnico aceitável na época, sempre acabava por convidar alguns amigos ou pessoas que já tinham participado de outras competições. Não era o melhor, mas como amigos faziam o que eu pedia, apesar de que tinha de ficar controlando toda a equipe para não acontecer nenhum erro técnico grave.
Isto sempre acontecia e me deixava desgastado após cada competição. Depois desta última competição comecei a convocar sempre uma equipe forte, e mais preparada possível, ficando livre apenas para coordenar os eventos.

Antes do início do evento realizar, se possível uma reunião com a equipe de árbitros para repassar diretrizes para a competição.

A primeira “linha de defesa” durante a competição será sempre o “arbitro de campo”. Depois os adjuntos e por ultimo o arbitro chefe.

Se possível, o arbitro chefe deve conhecer bem a equipe de arbitragem com quem trabalha.
Não só saber a capacidade técnica de cada um, mas principalmente o seu comportamento que normalmente nos diferencia um dos outros como pessoas e em nossa profissão.

Foram feitos estudos que acabaram constatando que um número de pessoas trabalhando juntos, durante um determinado período, acaba gerando um desgaste no relacionamento diário, causando atritos e discussões.

O arbitro chefe deve ter a sensibilidade de poder separar ou disponibilizar cada árbitro em um determinado local ou categoria, aonde ele possa desenvolver o seu conhecimento e capacidade da melhor maneira possível.
Por exemplo. Se for um arbitro muito técnico que não tem muita paciência, coloca-lo em uma categoria de maior idade ou adulta. Aqueles que tenham mais paciência também com bom conhecimento técnico coloca-lo com idades menores.
Se forem em duplas, procurar distribuir aqueles que tenham já uma boa experiência em outro evento.

A mesa da arbitragem é o coração do evento. Ela sempre tem de funcionar bem controlando tudo. Deveremos colocar de preferência dois bons árbitros para o controle da mesa, mas se não for possível, pelo menos um deles deve ter muito conhecimento de todos os processos envolvidos na competição.
Os árbitros iniciam na mesa, depois de um tempo evoluem indo para o “campo” salão das partidas. Esta reciclagem é sempre necessária para que os árbitros evoluam em conhecimento e categoria. A presença feminina no quadro de arbitragem é sempre necessária.

Sempre digo que a equipe de arbitragem em um evento tem um propósito. Desenvolver a competição da melhor maneira possível. É como um “navio saindo do porto”. Tem uma direção e um destino que deve ser seguido até o final. Sem a equipe, o arbitro chefe poderá até conseguir realizar a competição, mas com dificuldades.

O arbitro chefe é o “comandante do navio”. Deve, com sua experiência antever e resolver os problemas que acabarem aparecendo, gerenciando com muito cuidado as diferenças que a equipe de árbitros tenha uns com os outros. Diferenças estas que podem ser de personalidade ou de algum problema que tenha acontecido entre eles em alguma competição anterior.
Se um dos árbitros tiver problemas ou se acontecer algum problema na competição, acabará por afetar toda a equipe. E isto não é bom. Se o “navio afundar”, todos vamos ficar molhados, independente da titulação de cada árbitro.

Como arbitro responsável pelo evento temos de saber qual o melhor momento de chamar à responsabilidade ou dar um puxão de orelha em algum dos árbitros de nossa equipe.
A melhor maneira:
a) Nunca em público, e se for possível em local reservado aonde os outros árbitros não possam escutar.
b) Devemos fazê-lo de maneira que o arbitro em questão possa entender o que aconteceu e porque aconteceu podendo evoluir com o fato.
c) Tratar com respeito e consideração os árbitros, sobretudo nos momentos mais difíceis de modo a evitar atos que impliquem em humilhação.
d) Não cometer atos que impliquem em abuso de autoridade.
e) Em último caso, e se isto beneficiar a equipe de arbitragem poderemos reunir todos e conversar sobre o acontecido, definindo padrões de comportamento para casos futuros.

Não podemos ser sempre muito rígidos, mas também não podemos deixar o “navio sem controle”. Temos que ter autoridade e experiência no momento certo. Para aqueles árbitros mais conhecidos e com mais idade será sempre mais fácil por causa de seu histórico.
A maioria dos jogadores e organizadores já os conhecem de outros eventos e sabem como se comportam. Se após o evento os organizadores estiverem satisfeitos com o desenrolar da competição, teremos cumprido o nosso papel e possivelmente seremos convidados novamente no ano seguinte.
Os mais novos deverão galgar os passos básicos obtendo conhecimento e o seu espaço.

Respondendo à pergunta. O mais difícil é mandar. Todos irão aprender da maneira mais difícil, arbitrando.

E não esqueçam...

“Não faças a outros o que não queres que te façam”

quinta-feira, 9 de abril de 2009

Boletim Informativo CXC - Março 2009


Entrevista: Dr. Mauro de Athayde (parte 2)



O Dr. Mauro de Athayde, 77 anos, é uma das figuras mais queridas e ilustres do Clube de Xadrez de Curitiba. Em janeiro, ele nos deu seu depoimento na Sala Otto Mak do CXC:


LS: O CXC era, então, o grande local do xadrez...
MA: Era o único! Depois teve o Clube Juvevê, e um pouco lá na rodoferroviária.

Por isso nós lutamos para não deixar isso aqui morrer, porque aqui é a célula primeira, a origem de tudo, todos passaram por aqui. O Sunye passou por aqui uma época, depois o Disconzi... eles tiveram seu aprendizado aqui nesse Clube.


LS: Nas décadas de 60 e 70, quais foram seus principais resultados?
MA: Eu fui evoluindo, em 1962, 63, 64, joguei os Paranaenses. Depois, em 1964, fiz minha
residência no Rio de Janeiro, em pediatria na Universidade Católica do Rio. Nessa época parei um pouco de jogar torneios. Outro que joguei foi o Paranaense de 1969, quando já jogavam Justo, Vitório [os irmãos Chemin], Ernesto [de Assis Pereira]. Em 1977 teve um Brasileiro aqui em Curitiba, me classifiquei para jogar, depois na final não lembro como fiquei. Ganhei dos dois irmãos, Dirk Dagobert e Herman. O Sunye ganhou aquele torneio. Mas tem uma época em que a gente precisa parar, como tudo, pelo menos competitivamente. Eu ainda acompanho, tenho uns amigos que fiz que frequentam o clube.



LS: O senhor ainda joga?
MA: Jogo relâmpago. O xadrez é uma coisa importante na vida da gente, é uma espécie de
passatempo lúdico, onde a gente faz muitas amizades, essa é a maior virtude. Um enxadrista no mundo é um amigo. O xadrez é uma linguagem universal, é uma língua como o esperanto. Uma vez fui na Bahia, em 1963. Cheguei lá, e acabei ficando meio sem dinheiro. Falei com o Presidente do Clube de Xadrez baiano, que nunca tinha me visto na vida... Ele me ajudou, depois eu reembolsei. Aí você vê a parte da amizade do xadrez, universal.


Naquela época de Guerra Fria, entre Rússia e Estados Unidos, os enxadristas desses países não estavam nem aí para essas coisas. No torneio de Petrópolis, Bronstein, Reshevsky, não estavam nem aí para a política. Jogavam, analisavam. Essa é uma virtude do xadrez. Essa juventude não pode ir para males mais perigosos. Xadrez é uma droga boa, você tem que dosar.

LS: Um dos seus grandes resultados foi no Sul-americano...
MA: Em 1963 eu joguei o Brasileiro, tava em residência mas fui jogar. Joguei muito bem. No
Brasileiro não perdi nenhuma partida, ganhou o Antonio Rocha e eu fiquei em segundo com o Helder Câmara empatado nos pontos. Depois, em Fortaleza, fui jogar o Sul-americano. Jogou toda a turma argentina, o Rosseto, os uruguaios, e do Brasil jogou Helder Câmara, Antonio Rocha. Lá perdi só uma partida, para o Rosseto, que ganhou o torneio. Em segundo ficou outro argentino, o Foguelman. Em terceiro fiquei empatado com outro argentino e um peruano.

Então, quando fui jogar o match de desempate, não é para me justificar que eu não me classifiquei, mas eu ficava na residência no hospital de dia e de noite ia jogar o match. Ganhou o peruano Quiñones, e foi para o Interzonal.

Porém, felizmente, para mim, há males que vem para bem. Se eu houvesse ganhou esse
desempate, não sei o que aconteceria, jogaria na Europa o Interzonal, talvez prejudicaria meu curso. teria que interromper ou não a residência. Claro que senti perder, mas por outro lado não.


LS: O sr. nunca tentou seguir uma carreira profissional?
MA: Na época era muito mais difícil. Hoje ainda dá, tem mais visibilidade. mas antes, só os grandes campeões conseguiam, só os russos sobreviviam. Não sei até hoje se iria para a Europa jogar o Interzonal.


Joguei fundamentalmente os torneios do Clube, era difícil conciliar, dosar as coisas. Tem um pessoal brasileiro agora, o Fier tá bem. O Sunye foi profissional por muitos anos, mas ele tem outra atividade, é empresário. Mas, nessa época de 60 e poucos, pelo rating eu seria MI. Peguei o título de Mestre Nacional, que hoje não vale nada. Mas se pegasse os resultados da época, eu seria o que se diz hoje de MI.

Texto do Boletim informativo do Clube de Xadrez de Curitiba do mes de Março de 2009 - Entrevista de Leandro Salles. www.cxc.org.br

segunda-feira, 6 de abril de 2009

Alimentação de um GM

Investigações realizadas pelo Doutor em Medicina e GMI Helmut Pflege e colaboradores têm demonstrado que o xadrez de elite tem parâmetros fisiológicos comparáveis com outros esportes como o tiro esportivo, o automobilismo e o golfe.

Por isso, requer uma preparação específica não só limitada ao estudo no tabuleiro, mas também que inclua ainda um programa de treinamento físico e um planejamento nutricional adequado. Este estudo envolveu uma amostra de 72 grandes mestres internacionais atuantes, 17 mulheres e 55 homens, com idades compreendidas entre os 18 e os 55 anos.
Os 66,7% dos jogadores estudados consumia ao menos três refeições por dia e 36,1% alternava seu café da manhã.
O café da manhã é um dos mais importantes refeições do dia, já que interfere diretamente no rendimento mental (e físico) matinal, principalmente por seu efeito sobre a concentração de glicose no cérebro e fígado e por contribuir com nutrientes indispensáveis.

Referindo-se à nutrição específica para as competições, as principais conclusões foram as mencionadas a seguir.

A maioria dos Grandes Mestres (66,7%) evitava o excesso de comida ou não ingeria alimentos de difícil digestão antes das partidas, enquanto os demais se inclinavam a um consumo normal ou habitual.

Os alimentos sólidos mais freqüentemente utilizados pelos grandes mestres durante as competições foram o chocolate (80,5%), as frutas (14,6%) e as barras de cereais (9,8%). Com relação aos líquidos, as principais escolhas foram a água (72,1%), o café (42,6%), o chá (29,5%) e os sucos de frutas (23,6%). Metade dos consultados (trinta e seis jogadores) ingeria líquidos mesmo sem sentir sede.

Aproximadamente um terço dos enxadristas (23 jogadores) relataram o uso de suplementos alimentares. Os suplementos mais utilizados por estes enxadristas foram vitaminas, minerais, os aminoácidos e as proteínas.

Com respeito ao treinamento físico, 87,5% dos pesquisados informaram realizar qualquer tipo de atividade desportiva complementar à prática do xadrez. O 51,4% alegaram a prática em uma base regular, como parte da sua formação desportiva geral, enquanto 36,1% afirmaram fazer em com uma freqüência semanal menor ou de forma mais esporádica. Os restantes 12,5% não preenchiam esse tipo de atividade.

A atividade física com regularidade, especialmente o tipo aeróbica, pode ajudar o enxadrista de várias maneiras: beneficiando a postura, aumenta a resistência e a produção de endorfinas, podem reduzir a ansiedade, depressão, tensão e stress, além de incrementar ligeiramente o desempenho cognitivo (memória, inteligência, criatividade), o vigor e a clareza mental. Também contribui para alcançar e manter um peso ideal e à diminuição da gordura corporal reduzindo concentrações de lipídios no sangue, o aumento da fração de HDL ("bom colesterol") é um dos principais pilares no tratamento dos diabetes mellitus e reforça a massa óssea, entre outros.

O tabagismo é um importante fator de risco para doenças cardiovasculares, pode favorecer a ocorrência de vários tipos de câncer, como o de pulmão, laringe, faringe e cavidade oral, pode causar enfisema e também tem efeitos negativos sobre nutrientes. A Nicotina do fumo reduz a capacidade do organismo para usar cálcio, o que pode levar a osteoporose, e fumantes têm, freqüentemente, baixos níveis de várias vitaminas (precursores), como B1, B12, C e β-Caroteno, entre outros. No presente estudo, encontramos que 15,3% dos enxadristas consultados relataram o hábito de fumar.

Segundo o estudo, realizamos uma série de recomendações práticas sobre hábitos saudáveis para um atleta que poderia também ajudar a melhorar o desempenho enxadristico.
O jogador de xadrez deve evitar alimentos "pesados" antes de competir e a última ingestão, importante preparo antes do início da partida, deve ser pelo menos três horas antes do encontro. No caso em que o jogador deseje consumir alimentos mais perto da hora do início da competição (uma a duas horas antes, por exemplo), deveria optar por frutos (inteiros ou como sucos ou saladas, ou secas como passas) barras de cereais, biscoitos, bretzels, iogurte com baixo teor de gordura com copos de cereais ou bebidas isotônicas, por exemplo.

Durante as partidas se recomenda a ingestão de líquidos, e se o enxadrista deseja, também de alimentos sólidos. Pode optar por água mineral com diferentes sabores, suco de frutas, chá, café, bebidas energéticas, barras de cereais, frutas frescas, frutas secas (nozes, avelãs, etc) Frutas secas (passas de uvas, etc.), chocolates, biscoitos de cereais. Fruta, sucos e água são boas para evitar a desidratação.

A melhor estratégia para hidratação durante as partidas consiste em ingerir pequenas quantidades em intervalos regulares. É aconselhável que os enxadristas consumam suplementos alimentares apenas se recomendado por um profissional médico após uma completa avaliação clínica.

A atividade física regular deveria ser considerado como um componente importante na preparação de um enxadrista. É aconselhável realizar uma triagem clínica cardiológica antes de iniciar este tipo de atividade e que seja planejada por um profissional da área.

Texto de Roberto Baglione. (baglio@ciudad.com.ar Lic. en Nutrición Departamento de Nutrición, Centro Nacional de Alto Rendimiento Deportivo (CeNARD), Buenos Aires, Argentina. Publicado em 29/12/2007 - Año 6 Nº 282 - Semanario de Ajedrez - NUESTRO CÍRCULO - Director : Arqto. Roberto Pagura - ropagura@ciudad.com.ar - (54 -11) 4958-5808 Yatay 120 8º D 1184. Buenos Aires – Argentina. Tradução Carlos Calleros.

sexta-feira, 3 de abril de 2009

Xadrez Escolar II

VIOLENCIA ESCOLAR


Afirmam que jogar xadrez é uma ferramenta idônea contra a violência escolar.
Em escolas aonde se pratica foi registrada uma queda nos episódios de agressão. Mover a Dama, tirar o Cavalo, deslizar o Bispo, proteger o Rei. Cada jogada em uma partida de xadrez requer respeitar o desenho de um plano: compreender qual o plano do adversário, memorizar, reflexionar, pensar em como solucionar problemas, recuperar o prazer em jogar.

Dizem os profissionais que o xadrez é uma ferramenta idônea para diminuir a violência escolar.
Por isto propõem que seu ensino se incorpore aos programas educativos de todos os colégios do país,

"O xadrez contribui na moldagem de condutas positivas nas crianças”, explica a Clarín Horacio Moiraghi, Vice-residente da Escola de Xadrez de Villa Martelli, uma das instituições mais importante do país em sua área.

“Temos comprovado que nas escolas aonde as crianças aprendem este jogo, diminuíram os episódios de agressão entre eles e com os docentes”, afirma Moiraghi.

A que se deve? “É que a obsessão e a adrenalina são lançadas, neste caso, em um jogo inofensivo que custa muita tensão. As crianças com problemas de conduta, por exemplo, discutem muito e ficam jogando depois do término da aula, conta”.

Moiraghi informa que nas escolas públicas, também no jardim de infância, do município de Vicente Lopes, os alunos têm o xadrez como uma matéria a mais, uma hora, uma vez por semana.
“Em algumas escolas da cidade de Buenos Aires ou de Morón, por exemplo, e também em algumas províncias, se ensina xadrez, mas com planos isolados, acrescenta.”

Em alguns casos se utiliza como exercícios e a atividade se complementa com torneios.

Em tempos vertiginosos de internet, jogos de vídeo e zapping, com o xadrez as crianças tem a possibilidade de aprender que a paciência vale muito. Mas os especialistas afirmam que esta não é a única vantagem deste jogo, arte, ciência?
Com sua prática vão adquirindo outras habilidades que propiciam permanencia em sala de aula.

A saber:

- Estimula o pensamento lógico, a memória, a imaginação, a tenacidade e a precisão.
- Promove a força de vontade, a concentração, o discernimento e a autocrítica.
- Ensina a aceitar regras precisas e que existe um adversário que deve ser respeitado.
- Permite mover-se com autonomia, solucionar situações problemáticas e conseguir a cooperação entre as peças para fazer uma partida harmoniosa.


(A televisão nada tem a haver com este assunto?)


Texto de Graciela Gioberchio, Clarín 7-4-08 – Publicado em 12/04/2008 - Ano 7 Nº 297 - Semanário de Ajedrez - NUESTRO CÍRCULO - Director: Arqto. Roberto Pagura -
ropagura@ciudad.com.ar - (54 -11) 4958-5808 Yatay 120 8º D 1184. Buenos Aires – Argentina. Tradução de Carlos Calleros.

quarta-feira, 1 de abril de 2009

André Diamant - Novo GM Brasileiro

O Brasil tem mais um GM.

Após ganhar o Campeonato Brasileiro Absoluto, André Diamant, participando de evento na Argentina, consegue a última norma e o rating necessário para a obtenção deste importante título.

Começou na Associação Brasileira "A Hebraica" de São Paulo com 7 anos, ou seja desde 1997 e foi campeão de todas as categorias sub 10,12,14,16,18, absoluto e nas categorias cada uma 2 vezes. Foi para São Petersburgo com 11 anos para treinamento na academia de xadrez do Khalifman patrocinado pelo clube e teve aulas com o Gm Koshiev. Hoje tem aulas com o GM Milos e o clube já o enviou para 5 mundiais e diversos Panamericanos .

O Xadrez Brasileiro parabeniza este jovem GM.

Diretor Geral: Adriano Yabosky, Arbitro Principal: AI Mariano Blas Pingas, Arbitros Adjunto/Internet: AI Luis Scalise, AR Osvaldo Ravier

Mais informações no site oficial do evento.
http://scalise.fortunecity.com/ajo09/ajo09ini.htm#respos





Partida da norma, Raul Claverie IM (ARG) x André Diamante IM (BRA)

Xadrez - O Jogo da Vida - Sportv Repórter


Amigos do Blog

O Árbitro Internacional Estevão Tavares nos envia está informação.

Amigos,

No próximo sábado, dia 4, às 22h30, o Sportv vai exibir um programa especial, de uma hora de duração, sobre o xadrez. Mando abaixo um resumo do que vamos abordar e peço para que divulguem o quanto puderem. Todos vocês são citados nominalmente no programa ou nos créditos, porque me ajudaram demais a desvendar esse mundo. Espero que toda a comunidade enxadrística nos prestigie com sua audiência.

Saudações, Estevão


Xadrez, o jogo da vida - Um dos jogos mais antigos da humanidade é protagonista de uma verdadeira revolução no Brasil. O Sportv Repórter vai mostrar como o xadrez está sendo usado como importante ferramenta educacional, mudando a vida de estudantes, menores infratores, deficientes visuais, crianças com câncer e até atletas que buscam apurar sua técnica nos esportes. O alcance do xadrez é tão supreendente que ele alcançou um canto muito curioso do país: a aldeia indígena dos Tembé, uma tribo do interior do Pará, que encontrou no xadrez um forte aliado na transformação do pensamento e do raciocínio de crianças e jovens. O programa mostra que quem joga exercita diversas áreas do cérebro, trabalhando com cálculos, associações, abstrações e memória. Mostra que menores infratores estão se regenerando por meio do jogo, que crianças com câncer estão tolerando mais o tratamento após aprenderem a jogar, que cegos con seguem melhorar a memória. E, por fim, revela que atletas de futebol, tentando aprender a tomar decisões rápidas e a escolher a estratégia mais eficiente, também estão desvendando os segredos dos tabuleiros de xadrez.
Sportv Repórter - Sábado, 22h30, no Sportv (canal 39 da NET).
Sidney

terça-feira, 31 de março de 2009

Columna Arbitral Marzo - Por el IA M. Hermida



A CATEGORÍA DE UM ÁRBITRO


Em esta nova coluna, farei uma análise detalhada sobre a nova regra que entrará em vigor para a categorização dos árbitros. É um tema importante que não se pode deixar de ler e um material exclusivo para os árbitros.
Na parte das Leis comentarei dois casos que aconteceram em minhas últimas atuações e que servirão de exemplo para jogadores e novos árbitros.

De que Categoría falamos?

A Comissão de Árbitros da FIDE incorporou um novo regulamento que trata da Categorização para os Árbitros FIDE e os Árbitros Internacionais de cada país.
É uma nova necessária questão. As Federações filiadas a FIDE deverão enviar uma lista com os árbitros ativos e inativos e suas categorias, que logo serão avaliadas pela Comissão de Árbitros.

Considerar-se-á um árbitro internacional (AI) como Inativo se em um período de dois (2) anos no tenha atuado como árbitro em nenhum torneio internacional de xadrez, de acordo com o Art. 4.6 do regulamento de Títulos de Árbitros da FIDE.

Considerar-se-á um árbitro FIDE (AF) como Inativo se em um período de dois (2) anos não tenha atuado como árbitro em nenhum torneio de rating pela FIDE, de acordo com o Art. 3.5 do regulamento de Títulos de Árbitros da FIDE.

Os AI e os AF Inativos se publicarão em uma lista separada por um termino de 2 anos. Esta lista será modificada com a colaboração das Federações e a aprovação da Assembléia Geral da FIDE.

Um árbitro Inativo deixará de ser-lo se arbitra ao menos dois (2) torneios correspondentes aos itens citados. Neste caso a Federação de cada país enviará una solicitação à Comissão de Árbitros.
Para o controle dos AI e AF Ativos as categorias serão quatro (4):

Categoria A
Categoria B
Categoria C
Categoria D

Na Categoria A somente poderão classificar-se os Árbitros Internacionais, que terão de cumprir, entre outros, os seguintes critérios: ter demonstrado um excelente conhecimento das Leis do Xadrez e do Regulamento de Torneios e que não lhe tenha sido imposto nenhuma sanção em sua atividade como Árbitros, ter atuado como Arbitro Principal ou Adjunto em Olimpíadas, Mundiais, Copa do Mundo, Gran Prix da FIDE, entre outros, nos últimos cinco (5) anos.

Na Categoria B somente poderão classificar-se os Árbitros Internacionais seguindo os mesmos critérios da Categoria A, mas que tenham atuado como árbitro principal ou adjunto, em ao menos dois (2) torneios Continentais ou torneios Mundiais secundários nos últimos cinco (5) anos.

Na Categoria C serão relacionados os AI e AF que tenham atuado em ao menos dois (2) torneios Continentais secundários ou torneio pelo Sistema Suíço com mais de 150 jogadores nos últimos cinco (5) anos.

Na Categoria D serão classificados os AI e AF restantes.

A Categoria de cada árbitro servirá em primeiro lugar para ter uma classificação dentro do país e, sobretudo para efeitos de designações nos diferentes torneios da FIDE.
Para dar um exemplo, somente os AI que pertençam as Categoria A o B poderão ser Árbitros Principais dos torneios mundiais. Abaixo a tabela com as especificações completas:

5.2. A seguinte tabela indica as designações de AI e AF, dependendo de suas Categorias e do torneio:



A, B, C, D: Categorías dos AI y AF
TM principal: torneios Mundiais principais, conforme 3.2.3
TM secundário: torneios Mundiais secundários, conforme 3.3.3
TC principal: torneios Continentais principais, conforme 3.3.3
TC secundário: torneios Continentais secundários, conforme 3.4.3

Um resultado mal informado

Todos já passamos por isto e por muitas vezes tudo foi solucionado sem tantas conseqüências, mas o sabor amargo de ter informado um resultado errado é difícil de dissipar.




Recentemente fui indicado para ser o árbitro principal das Semifinais Promocionais Sub 8 a Sub 18 da Argentina, que foram realizadas em La Cumbre, Córdoba, com 237 meninos e meninas de todo o país. Uma festa do xadrez promocional

Terminada a primeira rodada, um árbitro me entrega os resultados de uma categoria e providencio o correspondente emparceiramento. Uma vez conferido, publicamos.
Passada mais de uma hora e faltando menos de 20 minutos para ter início a segunda rodada, já que nesse dia se jogavam duas rodadas, chega a reclamação de que um jogador tinha ganhado e que o colocaram como perdedor.
O árbitro da categoria tinha entendido mal o resultado e colocou erroneamente o resultado.
O árbitro principal tinha vários caminhos a seguir, baseando-se na regulamentação e sobre tudo no critério desse momento.
Revisemos o que expressa as Leis do Sistema Suíço no seu artigo C4.01 neste caso e tratemos de chegar a una correta solução no futuro.

F6. Um emparceiramento publicado oficialmente não será mudado a não ser que transgrida os critérios absolutos de emparceiramento (B1 e B2).

Estes critérios são:

B1.
a) Dois jogadores não podem jogar entre si mais de uma vez.
b) Um jogador que tenha recebido um ponto sem jogar, seja por um descanso ou por WO, não poderá ser Bye.

B2.
a) No teremos jogadores com diferencia de cor maior que +2 ou menor que -2.
b) A nenhum jogador lhe será dado à mesma cor por três vezes consecutivas.

Continuamos:

F7. Se foi anotado incorretamente um resultado, ou se jogou uma partida com as cores trocadas, ou temos de corrigir o rating de um jogador, isto afetará somente os emparceiramentos a serem realizados no futuro. Se afeta os emparceiramentos já publicados mas ainda não disputados, o arbitro terá a decisão.

Foi nisto que tomei como base para não trocar o emparceiramento já publicado. O tempo que tinha transcorrido desde a publicação até a reclamação. O critério do árbitro em trocar um emparceiramento por um erro de resultado deve estar relacionado com o tempo que esteve publicado e se não transgride os critérios absolutos. Qualquer reclamação realizada por algum jogador porque se trocou o emparceiramento e ao não ficar sabendo desta troca, se sinta prejudicado, o árbitro e a organização perderiam qualquer recurso em um Comitê de Apelação. Para as rodadas futuras o árbitro está autorizado a trocar o resultado mal informado ou incorretamente anotado. Se os que assinaram errado o resultado são os próprios jogadores o árbitro decidirá se a troca será feita ou não.
Recomendo que os árbitros façam anotar os resultados a seus jogadores, sobretudo se são menores.

Agressão repudiada

O segundo caso curioso que me aconteceu recentemente foi durante a arbitragem do tradicional torneio por equipes “Playas de Necochea”, que se disputa anualmente e que sempre é uma festa de confraternização, amizade e boas recordações, já que as equipes representam todo o país e o evento é um momento de reencontro para muitos jogadores. Como árbitro, é uma grande alegría fazer parte desta festa. O ritmo de jogo, 45 minutos por jogador, faz que as partidas sejam muito tensas no final e o evento está cheio de matches que terminam com apuros de tempo infernais.
Em uma partida o jogador de peças brancas se encontra, realmente, muito apurado de tempo, mas, sobretudo muito nervoso. O jogador de peças pretas, também sob tensão, está, aproximadamente, com dois minutos em seu relógio. Agora relatarei o proceder do jogador branco nos instantes seguintes: realiza duas jogadas com as duas mãos ao capturar as peças, em voz alta comunico: “jogue com uma mão, por favor”, continua jogando e derruba, creio motivado pelos nervos, varias peças ao jogar. Com o tempo do adversário, arruma as peças, quase tremendo. Em segunda instancia volta a derrubar mais peças, pressiona o relógio e o jogador das peças pretas e o público começa a queixar-se. Em todo momento, estive vendo estas infrações. Meu proceder, regulamentar, foi deter o relógio e adicionar um tempo que achei prudente ao jogador de peças pretas, que segundo meu critério, tinha sido molestado e prejudicado pelo seu rival. Neste momento, recebo uma queixa muito forte do jogador da peças brancas. A partida continua e visivelmente nervoso, o jogador de peças brancas perde o controle de suas peças e cai derrotado.
A reação foi muito brusca, levantou-se e jogou em minha direção uma peça que atingiu a minha orelha. Neste momento, é quando o árbitro deve ficar mais tranqüilo que nunca, por mais que a situação venha a piorar, comuniquei ao capitão desta equipe que seu jogador estava expulso da competição.
Logo recebi muitas manifestações de solidariedade dos jogadores e da imprensa que publicou este incidente em seu jornal. O jogador justamente era da equipe titular da cidade anfitriã.

Resumindo, aos árbitros recomendo manter a tranqüilidade. Se bem que é um momento tenso, não é um lugar para consertar as coisas.
Si a situação se põe mais complicada, teremos de chamar apolicia e denunciar o agressor aplicándo a lei contra disturbios em eventos deportivos.

Para finalizar esta coluna, quisera informar que a Federação Internacional de Xadrez (FIDE) me designou como membro duas importantes comissões, rodeado de experts de todo o mundo, a Comissão de Árbitros da FIDE e a Comissão Técnica da FIDE. Para minha carreira é uma situacão altamente emocionante e espero aprender muito. Neste momento desejo expressar meu mais sincero agradecimento à Comissão Diretiva da Federação Argentina, em especial a seu Presidente Ramón Nicolás Barrera e ao Presidente da Confederação de Xadrez das Américas,

IA Jorge Vega Fernández pelos seus constantes apoios.

Frase do Mes

“Siempre trata de ser el mejor, nunca te creas el mejor”


Para cualquier consulta o preguntas arbítrales te podes comunicar con el Arbitro Internacional Marcelo Mariano Hermida hermidamarcelo@yahoo.com.ar

quarta-feira, 25 de março de 2009

Campeonato Brasileiro Amador 2009 - CXC - PR



Campeonato Brasileiro Amador 2009

Regulamento

R$1.000,00 em prêmios



A cidade de Curitiba estará recebendo entre os dias 30 abril a 03 de maio de 2009 o Campeonato Brasileiro Amador de Xadrez.

Finalidade:
a) Apontar o Campeão Brasileiro Amador.
b) Classificar o Campeão Brasileiro Amador para a Semi-final do Campeonato Brasileiro Absoluto de Xadrez 2009.

Participação: jogadores sem titulo FIDE e ou rating FIDE inferior a 2000 (no caso de jogador UR que tenha rating CBX inferior a 2100). Cadastrado, e em dia com suas obrigações perante a CBX.
Observe-se que é necessário no mínimo 48 horas de antecedência para que a atualização do cadastro seja feita na página da CBX. Visite a página da CBX em: http://www.cbx.org.br/

Local: Clube de Xadrez de Curitiba, R. XV de Novembro, 266 – 9º Andar Ed. José Loureiro – Curitiba - PR., tel.: 41-3222-4539 – http://www.cxc.org.br/mestrongo@hotmail.com
Incrições:
R$55,00
(cinqüenta e cinco reais) até o dia 28/04/2009 por depósito bancário na Agência 0098 CC 25777-7 op 03 do Banco Itaú em nome do Clube de Xadrez de Curitiba – CNPJ 81.253.973/0001-34
R$40,00 (quarenta reais) para mulheres, menores de 18 anos e sócios do CXC em dia
Os comprovantes de depósitos devem ser enviados para o email mestrongo@hotmail.com até a data limite, NÃO SERÃO ADMITIDOS DEPÓSITOS EM CAIXA AUTOMÁTICO
Após esta data, R$70,00 (setenta reais) e R$50,00 (cinqüenta reais) para mulheres, menores e sócios.
Ritmo de Jogo: 2:00h KO. Valerá rating CBX.Sistema: emparceiramento suíço em 7 rodadas pelo Swiss Perfect.

Programação:

Quinta-feira 30/04/2009
14:00h - Recepção aos jogadores e confirmação das inscrições
16:00h - Encerramento das inscrições
16:30h - Abertura e Congresso Técnico
17:00h - 21:00h 1a. Rodada

Sexta-feira 01/05/2009
13:00h - 17:00h 2a. Rodada
18:00h - 22:00h 3a. Rodada

Sábado 02/05/2009
09:00h - 13:00h 4a. Rodada
14:00h - 18:00h 5a. Rodada
18:30 h - Torneio Relâmpago

Domingo 03/05/2009
09:00h - 13:00h 6a. Rodada
14:00h - 18:00h 7a. Rodada
18:30h Premiação


Premiação:
1o. Lugar R$300,00 + Troféu
2o. Lugar R$250,00 + Troféu
3o. Lugar R$200,00 + Troféu
4o. Lugar R$150,00 + Medalha
5o. Lugar R$100,00 + Medalha
6o/10o. Lugar Medalha

Categorias: Os melhores jogadores classificados nas categorias sub10, sub12, sub14, sub16, sub18, Feminino e Veterano, receberão medalha.

Patrocínio: ECO BR

Promoção: Confederação Brasileira de Xadrez – CBX.
Realização: Clube de Xadrez de Curitiba – http://www.cxc.org.br/
Arbitragem: AI Carlos Calleros auxiliado por Márcio Vargas – Dir. Técnico do CXC
Diretor Geral do Evento: Acyr Rogério Calçado – Presidente do CXC


Material: Cada jogador deverá apresentar um jogo de peças oficial e um relógio de xadrez em perfeito estado de funcionamento.

Hospedagem: Golden Star Hotel - 41-3019.9393
Hotel O’Hara - 41-3232.6732
Alojamento: Casa do Estudante Universitário Paraná – CEU.- Diária com café da manhã R$12,00 Necessário trazer roupa de cama, tel.: 42-3222-4911 com Roger ou Hugo.

sábado, 21 de março de 2009

Ruy Lopez de Segura

Poucas Histórias e uma Lenda







Ao longo da história antiga do xadrez houve uma infinidade de disputas para ver quem ostentaria o reconhecimento de campeão do mundo, situação que só foi resolvida em 1886 quando se reconheceu oficialmente o título de Wilhelm Steinitz depois de vencer Zukertort no duelo mais emocionante da época.


Antes disso, existiram campeões “oficiosos”. O primeiro dessa lista foi o espanhol Ruy López de Segura (figura ao lado), nos idos de 1570.
Ruy López era um frei espanhol, nascido em Zafra, em 1530. Pouco se sabe sobre sua vida, mas tudo que se tem conhecimento é relacionado às disputas de xadrez.
A biografia enxadrística começa em 1560, quando viajou a Roma e virou celebridade após derrotar os melhores jogadores italianos, entre eles o jovem Leonardo da Cutri. Lá, conheceu o livro do português Pedro Damiano e criticou duramente o trabalho. Por isso decidiu melhorá-lo.


PRINCÍPIOS DA TEORIA MODERNA


Assim, em 1561, publicou o “Livro da invenção liberal e arte do xadrez”, onde descreveu e numerou, pela primeira vez com alguma profundidade, algumas famosas aberturas que serviram de base à teoria moderna. Até hoje constam nos repertórios de praticamente todos os enxadristas. Por exemplo, lá estavam Giuocco Piano, Gambito do Rei, Holandesa, de fianchetto de Rei e de Dama (ainda não se falavam “Índias”), além, é claro, da que eternizou seu nome: a Abertura Espanhola ou Ruy López (1 e4 e5 2 Cf3 Cc6 3 Bb5), que era a número 9.

Vamos agora ver como Ruy López descreve os lances da abertura 1 do seu livro:
“quando as brancas jogam em primeiro lugar (nesta época não era obrigatório serem as brancas a efetuar o primeiro lance) avançam o peão de rei à quarta casa (1.e4), se as negras jogarem o peão de rei à quarta (1... e5) as brancas jogarão o peão de bispo da dama uma casa (2.c3), se as negras jogarem o cavalo de rei para a terceira fila do bispo para tomar o peão (2... Cf6) as brancas jogarão... etc. Isto dá-nos uma ideia da enorme dificuldade que existia na época para por no papel toda e qualquer criação teórica sobre xadrez.

No entanto, o livro não se limitava a ensinar aberturas. Também trazia alguns conselhos nada religiosos do frei Ruy, afinal a Fide não estava por lá para exigir fair play. Dentre as pérolas sugeridas, aconselhava “ao jogar com dia claro, procure fazer que o inimigo tenha o sol na cara”, “à noite, posicione o lume próximo à mão direita do adversário para que lhe turve a vista e a mão faça sombra quando move, de modo que não veja bem as peças”, “deixe para jogar logo depois que seu rival tenha comido e bebido em abundância e aproveite seu estado de sonolência para vencê-lo”, ...


PRIMEIRO SUPERTORNEIO


No fim de 1574, na corte do rei Felipe II, aconteceu a primeira competição internacional de xadrez documentada. Participaram 2 italianos (Leonardo da Cutri e Paolo Boi) e 2 espanhóis (Alfonso Cerón e Ruy López). Desta vez, o frei venceu apenas seu compatriota, e saiu vencedor o italiano Leonardo, recebendo como prêmio 4000 ducados, uma capa de arminho e 20 anos(!) de isenção de impostos para sua cidade natal, Cutri.

Ruy López faleceu em 1580. Porém, seu nome está gravado para sempre na história do xadrez.



PARTIDAS


A seguir reproduzimos duas partidas dele, além de uma com a abertura que levou seu nome.

Ruy López – Leonardo da Cutri
Roma 1560
Gambito de Rei

1.e4 e5 2.f4 d6 3.Bc4 c6 4.Cf3 Bg4 (Cf6) 5.fxe5 dxe5? (d5)




6.Bxf7+ Rxf7 7.Cxe5+ Re8 8.Dxg4 Cf6 9.De6+ De7 10.Dc8+ Dd8 11.Dxd8+ Rxd8 12.Cf7+ 1-0

Ruy López - N.N.
Madrid 1572
Gambito de Rei

1.e4 e5 2.f4 Cf6 3.Cc3 exf4 4.d4 Bb4 5.Bd3 De7 6.De2 Cc6 7.Cf3 g5 8.d5 Ce5 9.Cxg5 Cxd5 10.exd5 Dxg5 11.g3

Rd8 12.Bxf4 Cxd3+ 13.Dxd3 Te8+ 14.Rd2 Dg6 15.Tae1 Dxd3+ 16.Rxd3 Be7 17.Txe7 Txe7 18.Bg5 Re8 19.Bxe7 Rxe7 20.Te1+ 1-0

G. Kasparov – V. Anand
New York 1995
6ª partida do match pelo título mundial da PCA
Abertura Ruy López

1.e4 e5 2.Cf3 Cf6 3.Bb5 a6 4.Ba4 Cf6 5.0-0 Cxe4 6.d4 b5 7.Bb3 d5 8.dxe5 Be6 9.Cbd2 Cc5 10.c3 d4


11.Cg5 dxc3 12.Cxe6 fxe6 13.bxc3 Dd3 14.Cf3 0-0-0 15.De1 Cxb3 16.axb3 Rb7 17.Be3 Be7 18.Bg5! h6 19.Bxe7 Cxe7 20.Cd4 Txd4 21.cxd4 Dxb3 22.De3 Dxe3 23.fxe3 Cd5 24.Rf2 Rb6 25.Re2 a5 26.Tf7 a4 27.Rd2 c5 28.e4 ½-½

Esta última partida, entre o então campeão do mundo e o atual, demonstra a riqueza de detalhes e opções advindas da abertura que leva o nome de nosso “herói”. Por isso continua e continuará em voga, e nos boletins de partidas de campeonatos mundiais o nome Ruy López será por muitos anos consagrado. Seria um autêntico “caso de marketing” da idade moderna?

A LENDA


Ter vencido os melhores jogadores de sua época valeu a Ruy um alto reconhecimento em seu país e lhe abriu as portas para a corte de Felipe II, de quem se fez professor e amigo íntimo, e por quem foi condecorado com um colar de Ouro do qual pendia uma torre de xadrez no mesmo metal. Conta-se uma história (ou estória) muito interessante sobre seus dias no palácio El Escorial.

Certa tarde em que Ruy López ministrava aulas ao rei, um súdito veio entregar uma mensagem urgente a Sua Majestade porque um condenado à morte, fazendo valer sua condição de nobre, exigia a presença de um bispo para lhe dar a extrema-unção. O problema era que os dois bispos das cidades mais próximas haviam falecido por aqueles dias.

Felipe II nem titubeou, pôs a mão sobre a cabeça do enxadrista e disse “a partir deste momento te nomeio bispo de Zamora e te ordeno que socorre o réu”.

Rapidamente nosso frei, agora ministro católico, se dirigiu às catacumbas. Porém, com muito pesar, descobriu que o detento era seu velho amigo, o Duque de Medina-Sidônia, que foi preso acusado de conspiração. Enquanto conversavam, surgiu a idéia de jogarem uma “partidinha” enquanto esperavam a hora do sacrifício do duque. No tabuleiro se deu uma luta encarniçada entre os contendentes. Quando os sinos bateram 3 da tarde, hora marcada para a execução, o condenado se revoltou: “de nenhuma maneira interromperão esta partida; ninguém entrará nesta cela até que um dos dois consiga dar xeque-mate!” Em meados da noite o duque, quase num último gesto de vida, conseguiu uma posição vencedora, momento em que Ruy López reconheceu a derrota.

Enquanto isso, o rei Felipe II, despachando em seu trono sobre condenações, encontrou uma lista em que aparecia adulterado o nome do Duque de Medina-Sidônia, a quem considerava um súdito leal, e imediatamente ordenou que se verificasse se havia sido feita uma injustiça. Para surpresa do rei, o duque ainda estava vivo, graças à demora que o novo bispo de Zamora teve para obedecer sua ordem. Assim, o xadrez impediu que se tirasse a vida de um inocente.

Acredite... se quiser!

Por Ulisses Kaniak - Palestra no Clube de Xadrez de Curitiba - 18/03/2009.

quinta-feira, 19 de março de 2009

Temas

Partidas jogadas em Campeonatos Paranaenses e Torneios Internacionais.


I – LANCES “NINJA”:

Por “Lances Ninja” devem ser entendidos aqueles lances que, de modo inesperado, aparecem no interior da posição do lado defensor, atuando com incrível eficiência junto à estrutura de defesa. Não se trata de um lance isolado, e sim a conseqüência de um ataque coordenado, com as demais peças atuando à distância, mas em conjunto com o solitário atacante. Lembra muito aqueles filmes de ação com temas asiáticos, onde o ninja aparece em meio a uma cortina de fumaça no interior da posição inimiga, daí o nome...

Talvez um dos exemplos mais clássicos do Lance Ninja seja o velho e conhecido mate de Philidor, onde a Dama, de modo inesperado para quem não conhece o tema, de surpresa adentra o castelo do Rei adversário, devidamente apoiada por uma peça companheira, desorganizando a defesa e viabilizando o mate de cavalo em f7.

Justamente por ser inesperado, muitas vezes dificulta a defesa e desorienta o defensor, que nem sempre encontra o melhor plano para se livrar de tão incômoda presença, e acaba sucumbindo inclusive por falhas na defesa.


Pereira, Ernesto - Sunyé Neto, Jaime [B22]

XLI Campeonato Paranaense/78, 14.01.1979
[Fritz 5.00 (20s)]
1.e4 c5 Opening = B22_13 Sizilianisch-Alapin 2...Cf6 / Sicilian-Alapin 2...Cf6 2.c3 Cf6 3.e5 Cd5 4.d4 cxd4 5.Cf3 Cc6 6.cxd4 d6 7.Bc4 Cb6 8.Bb5 d5 9.h3

[9.0–0 Bg4 10.h3 (10.Be3 e6 11.Cbd2 Tc8 12.Tc1 Be7 13.a3 0–0 14.b4 Cb8 15.Db3 a6 16.Bd3 Bh5 17.h3 Bg6 18.Ch2 Dd7 19.Be2 Da4 20.Chf3 Dxb3 21.Cxb3 Cc4 22.Bxc4 dxc4 23.Cc5 b6 24.Ca4 Cd7 25.Tfd1 Be4 26.Cc3 Bxf3 27.gxf3 b5 28.Ce4 Cb6 29.Cc5 Ta8 30.Bd2 Cd5 31.a4 Tfc8 32.a5 Bxc5 33.dxc5 Rf8 34.Rg2 Re7 35.f4 g6 36.Rf3 Rd7 37.Re4 Rc6 38.Be1 Td8 39.Rf3 Td7 40.Bd2 Tf8 41.Rg3 f6 42.exf6 Txf6 43.Te1 Cc7 44.Bc3 Tf5 45.Be5 Td3+ 46.f3 Cd5 47.Bb8 Cxb4 48.Txe6+ Rxc5 49.Ba7+ Rd5 50.Tce1 Cc6 51.Bb6 c3 0–1 Ladanyi,T-Hennig,D/Budapest FS02 IM 1996/EXP 51) 10...Bh5 11.g4 Bg6 12.e6 f6 13.Bf4 Dc8 14.Te1 a6 15.Bd3 Bxd3 16.Dxd3 g6 17.h4 Bg7 18.h5 g5 19.Bg3 0–0 20.Cc3 f5 21.gxf5 Cb4 22.Db1 De8 23.h6 Bxh6 24.Rg2 Bg7 25.Cxg5 Bf6 26.Cf7 Txf7 27.exf7+ Dxf7 28.Be5 Rh8 29.Ce2 Tc8 30.Tc1 Tg8+ 31.Bg3 Cc4 32.Td1 Dh5 33.Te1 Cd2 34.Dd1 Df3+ 35.Rg1 Cd3 36.Dxd2 Dxf2+ 37.Rh1 Txg3 38.Cxg3 Dxd2 0–1 Rosandic,D-Borne,N/Cannes op 1995/EXP 46]

9...Bf5 10.Cc3 e6 11.Bg5N

[11.0–0 Be7 12.Ch2 0–0 13.a3 a6 14.Bd3 Cxd4 15.Be3 Bxd3 16.Dxd3 Cc6 17.Bf4 Cc4 18.De2 b5 19.Tad1 Tb8 20.Td3 b4 21.axb4 Txb4 22.Tg3 Cd4 23.Dg4 Cf5 24.Bh6 Cxe5 0–1 Meyer,I-Meyer,I/RLPF-ch Manderscheid 1989/GER 05]

11...Be7 12.Bxe7 Dxe7 13.0–0 0–0 14.De2 Tfc8 15.Tac1 a6 16.Bxc6 Txc6 17.Cd2 Db4 18.Cb3 Cc4

[18...a5 19.Tfd1 Cc4]

19.g4 Bg6 20.f4 h6 21.f5

Blanco debilita la cadena de peones

21...Bh7 22.Tf3 a5 23.Cd1

[melhor seria 23.fxe6!? parece una alternativa viable 23...fxe6 24.Tcf1=]

23...Cd2 24.a3??

terrible, pero la partida ya estaba perdida [melhor seria24.Tfc3 Cxb3 25.axb3 Dxd4+ 26.De3 Dxe3+ 27.Cxe3–+]

24...Cxf3+ 25.Dxf3 De1+ 26.Df1

[26.Rg2 un infructuoso intento por alterar el rumbo de la partida 26...Txc1 27.Cxc1 Dd2+ 28.Cf2 Dxc1–+]

26...Dg3+ [26...Dg3+ 27.Dg2 Dxb3–+] 0–1



Matsuura, Horácio - Pereira, Ernesto [B33]

XLIII Campeonato Paranaense/80, 26.02.1981
[Fritz 5.00 (10s)]
1.e4 c5 Opening = B33_17 Sveshnikov Var 8.Ca3 b5 / Sveshnikov Var 8.Ca3 b5 2.Cf3 Cc6 3.d4 cxd4 4.Cxd4 Cf6 5.Cc3 e5 6.Cdb5 d6 7.Bg5 a6 8.Ca3 b5 9.Cd5 Be7 10.Bxf6 Bxf6 11.c3 0–0 12.Cc2 Bg5 13.Bd3

[13.a4 bxa4 14.Txa4 a5 15.Bc4 Tb8 16.Ta2 Rh8 17.0–0 g6 18.De2 Bh6 19.Cce3 Bd7 20.Taa1 f5 21.exf5 gxf5 22.f4 exf4 23.Cxf4 Db6 24.Df2 Ce5 25.Bd5 Cd3 26.Dg3 Tfe8 27.Tae1 Bxf4 28.Txf4 Cxe1 29.Td4 Dd8 30.Bc4 De7 31.Rf2 Dxe3+ 32.Dxe3 Txe3 33.Txd6 Te7 0–1 Loskutov,O-Belikov,V/Moscow4 1995/EXP 47] 13...Be6 14.a4N

[14.Cce3 g6 (14...Tb8 15.0–0 Dd7 16.a4 Ce7 17.axb5 Bxd5 18.Cxd5 Cxd5 19.exd5 axb5 20.Dh5 h6 21.Ta6 b4 22.c4 b3 23.Tfa1 Bd8 24.c5 dxc5 25.d6 De6 26.Bf5 Df6 27.d7 Bb6 28.Df3 c4 29.Be4 Alexanian,V-Cherniaev,A/Erevan op 1996/EXP 52/0–1 (39); 14...Bxe3 15.Cxe3 Ce7 16.Df3 f6 17.0–0 Db6 18.Tfd1 g6 19.g4 Tac8 20.Td2 b4 21.c4 Cc6 22.b3 Cd4 23.Dg3 Rh8 24.Tad1 f5 25.exf5 gxf5 26.Cc2 Tg8 27.Cxd4 exd4 28.Be2 fxg4 29.Txd4 Sakr,N-McKenzie,P/Moscow olm 1994/EXP 44/½–½ (46)) 15.0–0 Bxe3 16.Cxe3 f5 17.exf5 gxf5 18.Bxf5 Bxf5 19.Cxf5 Txf5 20.Dd5+ Rh8 21.Dxc6 d5 22.Tad1 e4 23.Dc5 h5 24.Tfe1 Dg5 25.De3 Dg6 26.Dd4+ Rh7 27.Te3 h4 28.Dc5 Tg8 Hrivnak,M-Mifsud,T/EU-chJM U14 Szombathely 1993/TD 93\05/0–1 (63)]

14...bxa4 15.Ccb4

[15.Txa4 a5]

15...Cxb4 16.Cxb4 Db6 17.Txa4

Incrementando la presión sobre el peón aislado en a6 [17.Dxa4 a5 18.Ca6 Txa6 19.Bxa6 Dxa6–+]

17...a5 18.Da1 f5=

[18...Db7 19.Cd5]

19.0–0 f4

Negro adquiere más espacio [19...Bb3 20.Ta3 a4 21.De1=]

20.Cd5 Dd8 21.b4=

[21.Be2!?]

21...f3

[21...Bxd5 22.exd5 axb4 23.cxb4 Txa4 24.Dxa4]

22.g3

Cubre f4+h4 [22.bxa5!? es una alternativa interesante 22...fxg2 23.Rxg2=]

22...Bxd5 23.exd5 e4

24.Bxe4 Dd7 25.Dd1??

Blanco echa la posición por tierra

[melhor seria25.Rh1±]

25...Tae8 26.Te1

[26.bxa5?? el peón debe dejarse de lado, porque de otro modo Blanco sería castigado 26...Txe4! forzando la victoria 27.Txe4 Dh3 28.Dxf3 Txf3–+]

26...Bd2

Con la amenaza decisiva de Dh3

27.Dxd2??–+

no soluciona nada [melhor seria27.Bxh7+ Rxh7 28.Te6 Bxc3 29.Txa5]

27...Txe4! un golpeo devastador [27...Txe4 28.Te3 Txe3 29.Dxe3 Dxa4–+; 27...Dxa4?! es bastante peor 28.Te3] 0–1



II – DOIS PEÕES PELO ATAQUE:

Frequentemente, a tomada da iniciativa no ataque envolve o sacrifício de um peão. São exemplos típicos desse fato linhas de jogo como o Ataque Marshall e a Variante do Peão Envenenado na Siciliana-Najdorf.

São mais raros os casos em que para atacar o jogador tem de sacrificar não um, mas dois peões. Isso ocorre muitas vezes já na fase de meio-jogo, e a decisão de sacrifício costuma ser muito difícil, já que o menor erro de cálculo ou de conceituação posicional irá implicar em perda material considerável e definitiva, com resultados trágicos para o lado atacante. Muitas vezes, o horizonte de cálculo e o limiar do plano de jogo não é bem claro, e aí a árdua decisão vai depender do temperamento e estilo do jogador.

Em linhas gerais, o sacrifício dos peões vem junto com abertura de linhas contra a posição adversária, com incremento dinâmico das peças atacantes. Isso frequentemente ocasiona dificuldades para o lado defensor, em face da multiplicidade de ameaças, muitas delas ocorrendo de modo simultâneo.

As duas partidas a seguir enquadram-se dentro desse tema.muitas delas ocorrendo de modo simultr, em face da multip,.iante do Pe


Pereira, Ernesto - Segal, Alexandru Sorin [B05]
I Sulamericano Ativo, 04.11.1990
[Fritz 5.00 (15s)]

1.e4 Cf6 Opening = B05 - Aljechin-Moderne Variante /Alekhine-Modern Variation 2.e5 Cd5 3.d4 d6 4.Cf3 Bg4 5.h3 Bxf3 6.Dxf3 dxe5 7.dxe5 e6 8.Be2N

[8.Bd2 Cd7 9.Dg3 Ce7 10.Cc3 Cf5 11.Df4 g6 12.0–0–0 Bg7 13.g4 Bxe5 14.Db4 Cd6 15.f4 Bg7 16.Be3 0–0 17.Bg2 Dh4 18.Ce4 Cxe4 19.Dxe4 Cf6 20.Df3 Cd5 21.g5 Cxe3 22.Dxe3 h6 Schruefer,G-Grzesik,F/BL2-N 8283 1983/BIG 80/1–0 (51); 8.a3 c6 9.Cd2 Cd7 10.Dg3 Ce7 11.Cc4 Cf5 12.Dc3 Cb6 13.Bd2 (13.Cxb6 axb6 14.Bd3 Dd5 15.Tg1 Bc5 16.Bxf5 exf5 17.Be3 Td8 18.Re2 Bxe3 19.fxe3 0–0 20.Tad1 De4 21.Td4 Txd4 22.Dxd4 Dxc2+ 23.Rf3 c5 24.Dd5 Dxb2 25.Td1 h6 26.Dxb7 Dxe5 27.Tb1 Te8 0–1 Sandkamp,R-Graf,J/BL 8788 1988/BL 80) 13...Cxc4 14.Bxc4 Bc5 15.0–0–0 Db6 16.g4 Ce7 17.f4 Cd5 18.Df3 Be3 19.f5 0–0–0 20.The1 Bxd2+ 21.Txd2 Cc7 22.Td6 Thf8 Klinger,J-Wach,M/AUT-chT 1993/TD 93\08/1–0 (41); 8.Bd3 Cd7 9.Bf4 Cxf4 10.Dxf4 c6 11.0–0 Da5 12.Cc3 Dxe5 13.Df3 Dc7 14.Tfe1 Bb4 15.Bc4 0–0 16.Te4 Bxc3 17.Dxc3 Cf6 18.Te5 Tad8 19.Tae1 Rh8 20.a4 Td7 21.a5 Tfd8 22.Df3 Td4 23.b3 Dd6 24.g4 Td1 25.g5 Dxe5 26.Txd1 Dxg5+ 27.Rf1 Dxa5 0–1 Aguerreberry,C-Sanchez Almeyra,J/Rosario 1996/EXP 53; 8.De4 Cd7 9.a3 c6 10.Be2 Dc7 11.f4 Db6 12.b4 a5 13.c4 Ce7 14.c5 Dd8 15.Bb2 Cf5 16.Df3 Dh4+ 17.Df2 Cg3 18.Cd2 Be7 19.Tg1 axb4 20.Cf3 Dxf4 21.Bc1 De4 22.Dxg3 Cxc5 Schulz,N-Zeitz,P/OLNO 1992/BIG 90/0–1 (43)]

8...Cd7 9.Dg3 c6

Controla b5

10.Cd2=

[10.Ca3 f6 11.Cc4 fxe5 12.Bh5+ g6 13.Bxg6+ hxg6 14.Dxg6+ Re7 15.Bg5+ C5f6+-]

10...h5

[10...Cb4 11.Rd1=]

11.Cc4 h4 12.Db3

[12.Dg4!?=]

12...Dc7= [12...b5 13.Cd6+ Bxd6 14.exd6]

13.0–0

[13.Cd6+ Bxd6 14.exd6 Dxd6 15.Dxb7 0–0=]

13...b5

[13...Cxe5? podría ser bueno excepto por 14.Cxe5 Dxe5 15.Dxb7+-]

14.Cd6+

El caballo blanco es una avanzadilla de sus colores

14...Bxd6 15.exd6

d6 puede ser un peón fuerte

15...Dxd6 16.a4 b4 17.c4

[17.Bd2 Td8=]

17...bxc3 18.bxc3

Cubre b4.

18...De5 19.Bf3 Tb8

[19...Dxc3? en un disparo al aire 20.Bxd5! un fin sin muchas dudas 20...Dc5 21.Be4+-]

20.Dc4 Tc8 21.Ba3

Negro no puede enrocar en el flanco de rey

21...Dxc3 22.Bxd5

Ataca al solitario peón en c6 [22.Da6 Tc7 23.Tfc1 Dd2 24.Txc6 Cb8 25.Txe6+ fxe6 26.Dxe6+ Ce7±]

22...cxd5 23.Df4

[23.Da6 Ta8]

23...Df6

[23...Cb6!?]

24.Tac1

La amenaza de mate es Txc8

24...Td8

[24...Dxf4?? demasiado codicioso 25.Txc8#]

25.Db4 Dg5=

[25...a6 26.Tc7]

26.f4 [26.Tc7 a6=]

26...Df6 27.f5

[27.Tc7 a5 28.Dxa5 Dd4+ 29.Rh1 Dd3±]

27...Th5=

[melhor seria27...e5!?]

28.fxe6

¿ Ve la amenaza de mate?

28...Dxe6 29.Tfe1

Amenazando mate-¿ cómo?

29...Te5 30.Dxh4 Db6+??+-

[30...Cf6 31.Txe5 Dxe5 32.Dh8+ Rd7 33.Dxg7 De6±]

31.Bc5±

[melhor seria31.Rh1 finalizando el debate 31...De6 32.Dh8+ Cf8 33.Txe5+-]

31...Dh6?? causa grandes problemas [melhor seria31...Cxc5 32.Txe5+ Ce6+ 33.Rh1 Dd6±]

32.Txe5+ Cxe5

[32...De6 un infructuoso intento por alterar el rumbo de la partida 33.Txe6+ fxe6 34.De7#]

33.De7# 1–0




Pereira, Ernesto - Estrada, Julian [B22]
Internacional "300 anos de Curitiba", 1993
[Fritz 7 (30s)]
B22: Defensa Siciliana (variante Alapin)

1.e4 c5 2.c3 d5 3.exd5 Dxd5 4.d4 Cc6 5.Cf3 Cf6 6.Bd3 e6 7.0–0 cxd4 8.cxd4 Be7 9.Cc3 Dd6 10.Cb5 Dd8 11.Bg5N

[11.Bf4 Cd5 12.Bg3 0–0 13.Tc1 (13.De2 Ccb4 14.Bb1 a6 15.Cc3 b5 16.Ce4 g6 17.Tc1 Bd7 18.a3 Cc6 19.Dd2 Cf6 20.Dh6 Cg4 21.Df4 Tc8 22.Ba2 Cxd4 23.Cxd4 e5 24.Dd2 exd4 25.Dxd4 Txc1+ 26.Txc1 Be6 27.Dxd8 Txd8 Dorfman,J-Razuvaev,Y/URS 1979/MCD/½–½ (42); 13.Cc3 f5 14.Be5 Cxe5 15.Cxe5 Bf6 16.Bc4 Cf4 17.Te1 Bxe5 18.Txe5 Dg5 19.Df3 Rh8 20.d5 Cg6 21.Tee1 e5 22.Dg3 Df6 23.f3 Bd7 24.Tad1 b5 25.Bb3 a5 26.d6 Ta6 27.Df2 a4 Dahl,I-Gaprindashvili,N/Kuala Lumpur 1990/TD/0–1 (42) 13...Db6 (13...a6 14.Cc3 Cf6 (14...Cxc3 15.bxc3 b5 16.Ce5 Bb7 17.Te1 Cxe5 18.Bxe5 Bf6 19.c4 bxc4 20.Bxc4 Tc8 21.Db3 Ba8 22.Bf1 Bxe5 23.dxe5 Da5 24.Dd3 Txc1 25.Txc1 Dxe5 26.Dxa6 h5 27.Tc8 Bd5 28.Txf8+ Rxf8 29.a4 Zier,L-Danner,G/Vienna 1986/CBM 01/½–½ (51)) 15.Bb1 Cb4 16.Ce5 Bd7 17.a3 Cbd5 18.Dd3 Be8 19.Tfe1 Cxc3 20.bxc3 g6 21.c4 Tc8 22.Bf4 Ch5 23.Bh6 Bg5 24.Bxf8 Bxc1 25.Txc1 Rxf8 26.De3 Df6 27.Be4 Tc6 28.Tb1 Deviatkin,A-Bochkarev,A/Moscow 1999/CBM 70/½–½ (41)) 14.De2 Bd7 15.Be4 Tac8 16.Bxd5 exd5 17.Cc7 Bd8 18.Cxd5 Cxd4 19.Cxd4 Dxd4 20.Txc8 Bxc8 21.Ce7+ Bxe7 22.Dxe7 Be6 23.h3 ½–½ Grzesik,F-Cording,H/Germany 1983/EXT 97-B (23); 11.Bf4 Cd5 12.Be5 0–0=]

11...0–0

[11...a6 12.Cc3=]

12.Tc1 [12.Ce5 a6 13.Cxc6 bxc6=]

12...Cd5 Un pieza de mucho valor [12...a6 13.Cc3=]

13.Bd2

[13.Bxe7 Dxe7 14.Ce5 Ccb4]

13...Bf6

[13...Db6 14.Dc2=] 14.Bc3

[14.De2!?=]

14...a6 15.Ca3 b5 16.Cc2 b4

[16...Bb7 17.Bd2]

17.Bd2= Db6

La presión sobre el peón aislado crece

18.Ce3 Cxd4 19.Cxd5 exd5 20.Be3 Cxf3+ 21.Dxf3 Da5

[21...Db7 22.Dg3]

22.Tc5

[22.Txc8!? no debería pasarse por alto 22...Tfxc8 23.Df5=]

22...Dxa2 23.Txd5

[23.Txc8 Tfxc8 (23...Taxc8 24.Df5 Tfe8 25.Dxh7+ Rf8 26.Bc5+ Txc5 27.Dh8+ Re7 28.Te1+ Rd6 29.Dxe8 Dxb2 30.Df8+ Rc6 31.Dc8+ Rd6 32.Db8+ Tc7 33.Df8+ Rc6 34.Da8+ Rd6 35.Dxa6+ Tc6 36.Db5²) 24.Df5 Rf8 25.Dxh7 Re7³]

23...Bb7

[Es inferior 23...Bxb2 24.Bb1 Dc4 25.Th5±]

24.Bxh7+ Demuele el escudo de peones 24...Rxh7

Tema de atracción: h7

25.Th5+ Ataque descubierto

25...Rg8 26.Dxb7

[26.Df5 Tfc8 27.Dh7+ Rf8]

26...g6 27.Th3 Dxb2 28.De4

[28.Df3 Tfc8] 28...a5 [28...Tac8!?]

29.Df4 Tfc8 30.Dh6 Bg7 31.Dh7+ Rf8 32.Tf3 Da2

[melhor seria32...Tc7!? definitivamente debe considerarse]

33.Dxg6

[33.Bh6 Bxh6 34.Dh8+ Re7 35.Te1+ (35.Dxh6?! Dd5±) 35...De6 36.Txe6+ Rxe6 37.Dxh6+-]

33...Rg8= 34.Dh5 Ta6 35.Bd4 Tcc6

[35...Tg6 36.Bxg7 Rxg7 37.Te3=]

36.Dg4 Tg6??

[melhor seria36...f6² es casi la única oportunidad]

37.Dc8++- Rh7

[37...Bf8 38.Th3 Taf6 39.Bc5+-]

38.Th3+ Th6 39.Dxa6 Txh3 40.gxh3 De6

[40...Dd5 un infructuoso intento para alterar el curso de la partida 41.Bxg7 Rxg7 42.Ta1 Dg5+ 43.Rf1+-]

41.Dd3+

[41.Dxe6 parece mejor 41...fxe6 42.Bxg7 Rxg7+-]

41...f5

[41...Dg6+ no es de mucha ayuda 42.Dxg6+ Rxg6 43.Bxg7 Rxg7 44.Ta1+-]

42.Dg3

[melhor seria42.Bxg7 pudiera ser un camino más corto 42...Rxg7 43.Ta1 Rg6+-]

42...Dg6

[42...Bxd4 no hay nada mejor en la posición 43.Dh4+ Dh6 44.Dxd4 Dg5+ 45.Rh1 De7+-]

43.Dxg6+ Rxg6 44.Bxg7 Rxg7 45.Rg2

[45.Ta1 mantiene incluso un dominio más firme 45...Rf6 46.Rg2 Re6+-]

45...b3

[45...a4 no sirve para bajar al gato del árbol 46.Td1 a3 47.Td7+ Rf6 48.Ta7+-]

46.Ta1 Rf6

[46...b2 no mejora las cosas 47.Tb1+-]

47.Txa5 [47.Txa5 b2 48.Tb5+-] 1–0

(Por: Ernesto Luiz de Assis Pereira elap@terra.com.br - Texto do Ciclo de palestras do Clube de Xadrez de Curitiba http://www.cxc.org.br/ realizada em setembro de 2007).

quarta-feira, 18 de março de 2009

Depois de Algum Tempo...

Depois de algum tempo você percebe a sutil diferença entre dar uma mão e acorrentar uma alma.
E você aprende que amar não significa apoiar-se, e que companhia nem sempre significa segurança.
E começa a aprender que beijos não são contratos e presentes não são promessas.
Começa a aceitar suas derrotas com a cabeça erguida e olhos adiante, com a graça de um adulto e não com a tristeza de uma criança.
E aprende a construir todas as suas estradas no hoje, porque o terreno do amanhã é incerto demais para os planos, e o futuro tem o costume de cair em meio ao vão.
Depois de algum tempo, você aprende que o sol queima se ficar exposto por muito tempo.
E aprende que não importa o quanto você se importe, algumas pessoas simplesmente não se importam...
E aceita que não importa o quão seja boa uma pessoa, ela vai feri-lo de vez em quando e você precisa perdoá-la por isso.
Aprende que falar pode aliviar dores emocionais.
Descobre que se leva anos para se construir confiança e apenas segundos para destruí-la, e que você pode fazer coisas em um instante, das quais se arrependerá pelo resto da vida.
Aprende que verdadeiras amizades continuam a crescer mesmo a longas distâncias.
E o que importa, não é o que você tem na vida, mas quem você tem na vida.
E que bons amigos são a família que nos permitiram escolher.
Aprende que não temos que mudar de amigos se compreendemos que os amigos mudam, e percebe que seu amigo e você podem fazer qualquer coisa ou nada, e terem bons momentos juntos.
Descobre que as pessoas com que você mais se importa na vida são tomadas de você muito depressa, por isso, sempre devemos deixar as pessoas que amamos com palavras amorosas, porque pode ser a última vez que a vejamos.
Aprende que as circunstâncias e os ambientes têm influência sobre nós, mas nós somos responsáveis por nós mesmos.
Começa a aprender que não se deve comparar com os outros, mas com o melhor que pode ser.
Descobre que se leva muito tempo para se tornar a pessoa que você quer ser, e que o tempo é curto.
Aprende que não importa onde já chegou, e sim onde está indo, mas se você não sabe para onde está indo, qualquer lugar serve.
Aprende que, ou você controla seus atos, ou eles o controlarão, e que ser flexível não significa ser fraco ou não ter personalidade, pois não importa quão delicada e frágil seja uma situação, sempre existem dois lados.
Aprende que heróis são pessoas que fizeram o que era necessário fazer, enfrentando as conseqüências.
Aprende que paciência requer muita prática.
Descobre que algumas vezes, a pessoa que você espera que o chute quando você cair é uma das poucas que o ajudam a levantar-se.
Aprende que maturidade tem mais a ver com os tipos de experiência que se teve e o que você aprendeu com elas, do que com quantos aniversários você celebrou.
Aprende que há mais de seus pais em você do que você supunha.
Aprende que nunca deve se dizer a uma criança que sonhos são bobagens, poucas coisas são tão humilhantes e seria uma tragédia se ela acreditasse nisso.
Aprende que quando está com raiva, tem o direito de estar com raiva, mas isso não te dá o direito de ser cruel.
Descobre que só porque alguém não te ama do jeito que você quer que ame, não significa que este alguém não te ame com tudo o que pode, pois existem pessoas que nos amam, mas simplesmente não sabem como demonstrar ou viver isso.
Aprende que nem sempre é suficiente ser perdoado por alguém, algumas vezes você tem que aprender a perdoar a si mesmo.
Aprende que com a mesma severidade com que julga, você será em algum momento condenado.
Aprende que não importa em quantos pedaços seu coração foi partido, o mundo não pára para que você o conserte.
Aprende que o tempo não é algo que possa voltar para trás.

Portanto, plante seu jardim e decore sua alma, ao invés de esperar que alguém lhe traga flores.
E você aprende que realmente pode suportar... que realmente é forte, e que pode ir muito mais longe depois de pensar que não se pode mais.

SHEAKESPEARE

terça-feira, 17 de março de 2009

A Massa de Peões Centrais - I

I - INTRODUÇÃO:

Em apresentações anteriores, foram abordados aspectos da luta central envolvendo estruturas fixas de peões no centro, onde os dois lados adotaram procedimentos para sua ocupação, abertura e domínio de linhas, em especial as colunas centrais, para então encetarem ações de ataque, seja pelo centro, seja pelos flancos.

Dentro desse tema, foram enfocadas aberturas e defesas onde ocorrem estruturas de peões fixos com presença de:
uma coluna central aberta (palestra 1);
duas colunas centrais abertas, contíguas ou intercaladas por ilhas de peões (palestra 2).

Nesta oportunidade, a luta pelo centro será abordada pelo tema da ocupação do centro por massa de peões por um lado (geralmente brancas), enquanto que o outro (pretas na maioria dos casos) ficará ausente na ocupação do centro, preferindo manter seu controle à distância, pressionando a posição adversária através de peças e avanços de peões laterais, notadamente o peão da coluna "c".

Essa configuração de ocupação maciça de peões por um dos lados, sendo que o outro irá converter o avanço assim estabelecido em objetivo de ataque, freqüentemente leva a lutas agudas, onde cada bando deverá agir com a máxima energia para não sucumbir rapidamente ante o jogo, de um lado esmagador, de outro contragolpeador, do adversário. Não é sem razão que um percentual expressivo de partidas no xadrez contemporâneo tenha sua gênese nesse tipo de posição, pois que nela as chances de vitória estarão sempre do lado que revelar melhor preparo, criatividade e combatividade.

Vários sistemas de aberturas, defesas e variantes se enquadram nessas características. A título de exemplo, a seguir apresenta-se três desses sistemas e variantes.

1. Defesa Alekhine – Variante dos quatro peões:

Nesse caso, além de permitir a ocupação central pelos peões brancos, ocorre inclusive a provocação do avanço prematuro dos mesmos, em operação de duplo gume: sujeitar-se à asfixia por diminuição de território de operações, para em compensação empreender manobras de pulverização dos infantes assim avançados.

1.e4 Cf6 2.e5 Cd5 3.c4 Cb3 4. d4 d6 5.f4


Esta é a posição característica da Variante dos Quatro Peões da Defesa Alekhine. Percebe-se que, na abertura, enquanto brancas procuram a ocupação rápida e total do centro pelos peões, pretas realizaram três lances consecutivos de cavalo e apenas um de peão central, desafiando princípios estabelecidos pela Escola Clássica, para demonstrar que a Escola Hipermoderna também tem seu lugar na História.

5...de4 6.fe4 Cc6 7.Be3 Bf5 8.Cc3 e6 9.Cf3



Neste momento existem cinco respostas razoáveis para as pretas: 9...Be7, 9...Bg4, 9...Dd7, 9...Bb4 e 9...Cb4. Esta ultima enquadra-se perfeitamente dentro do espírito da variante:

9...Cb4.

Observa-se que o lado branco avançou seus peões centrais, conquistando território, reforçando a defesa dos mesmos e preparando a cena para violento ataque à posição das pretas.,Por seu turno, o lado preto, após os lances repetidos de cavalo já reportado, preocupou-se em desenvolver suas peças rapidamente, mantendo intacta sua estrutura de peões visando um melhor final, ao mesmo tempo em que, com manobras ativas, está empreendendo ação de minar o centro branco, pulverizando sua estrutura distendida. Continuando cada lado com seus planos, tem-se agora:

10.Tc1

Defendendo-se do xeque em c2 e reforçando casas centrais.

10...c5

Minando o controle da casa d4.


Esta é a posição crítica dessa linha, a qual já foi jogada inclusive pelo próprio Alekhine na partida Znosko Borovsky – Alekhine, Paris 1925. Cada lado esforça-se para continuar com seus planos: brancas mediante plena ocupação central com peões ou peças que os substituam no caso de trocas; pretas mediante solapamento do centro de peões brancos, para em seguida converte-los em objeto de ataque.

Esta posição já foi jogada por GMs como Keres e Mikhalchishin.


2. Defesa Grünfeld – Variante das trocas:

Aqui também a abertura se desenrola com atração dos peões centrais brancos mediante saltos consecutivos do cavalo do rei do bando preto, para em seguida o centro assim ocupado converter-se em objeto de ataque.

1.d4 Cf6 2.c4 g6 3.Cc3 d5 4. cd5 Cd5 5.e4 Cc3 6.bc3

Esta é a posição característica da Variante das Trocas da Defesa Grünfeld.

Da mesma forma que na Variante dos Quatro Peões da Defesa Alekhine, aqui também se verifica que, enquanto o lado branco procura a ocupação total do centro pelos peões, o adversário realizou três lances consecutivos de cavalo e apenas um de peão central. Além disso, a troca dos cavalos introduziu o deslocamento do peão "b" branco para reforço da posição de seus companheiros centrais. Em compensação, com o forte bispo em g7 em colaboração com o cavalo em c6, o peão em c5 e as peças pesadas na coluna "d", o lado preto irá pressionar as casas centrais e os peões brancos nelas posicionados.

Entre outras, neste ponto é possível a seguinte continuação:

6...c5 7.Bc4 Bg7 8.Ce2 0-0 9.0-0 cd5 10.cd5 Cc6 11.Be3


Neste momento existem quatro respostas razoáveis para as pretas: 11...Bg4, 11...b6, 11...Bd7 e 11...Ca5. A primeira é a mais adotada, geralmente levando a uma aguda luta pela imposição dos planos de cada bando.

11...Bg4 12.f3 Ca5 13. Bd3 Be6 14.d5



Posição crítica desta linha.

Para neutralizar a pressão do bando preto sobre as casas d4 e c4, o lado branco decide-se pela entrega da qualidade, mantendo a integridade de seu forte centro de peões. Adicionalmente, explorando as debilidades das casas pretas do roque adversário, empreendem ainda ataque ao monarca preto. Por sua vez, o adversário dispõe de várias alternativas de defesa, entre as quais destacam-se a manutenção do ganho de qualidade mediante árdua defesa, ou a devolução dessa vantagem material, aliviando o ataque e confiando em sua maioria de peões na ala da dama e na exploração do avançado centro de peões brancos.

Em presença de todas essas características, esta posição é jogada por muitos GMs do top board da atualidade, entre os quais se incluem Kharlov, Mamedyarov, Van Wely, Gulko, Khalifman, Krasenkow, Dreev e outros.

3. Defesa Índia de Rei - Ataque dos quatro peões

Esta variante esteve em voga no início dos anos 20, quando então foi considerada a refutação da Defesa índia do Rei. Posteriormente, foram descobertos métodos variados para assegurarem, ao menos, o equilíbrio dinâmico da partida.

1.d4 Cf6 2.c4 g6 3.Cc3 Bg7 4. e4 d6 5.f4

Esta é a posição característica da Variante dos Quatro Peões na Defesa índia de Rei. Aqui o bando preto preocupa-se primeiramente em desenvolver suas peças da ala do Rei para rocarem de imediato. Enquanto isso, o lado branco aproveita-se da ausência de lances pretos de ocupação central para fazê-lo maciçamente com seus peões. Entre outras, neste ponto é possível a seguinte continuação:

5...0-0 6.Cf3 c5 7.d5 e6 8.Be2 ed5 9.cd5 Te8 10.e5 de5 11.fe5
Nesta posição crítica, similar às variantes oriundas da Defesa Benoni Moderna, cada bando esforça-se para impor seu jogo. Brancas, pelo incremento de suas ações de apoio ao avanço de seus peões centrais mesmo que à custa do sacrifício de um deles. O lado preto, por seu turno, deverá continuar explorando a posição avançada dos peões brancos, para a captura de pelo menos um deles e a adequada movimentação de suas peças para impedir a progressão do ataque das brancas.

Pelas suas características de jogo agudo em algumas linhas, na atualidade o Ataque dos Quatro Peões continua sendo jogado por GMs fortes como Lautier, Nakamura, Smirin, Arencibia, Sasikiran,.Lalic, e outros.

II – TRANSFORMAÇÕES POSICIONAIS DA MASSA DE PEÕES CENTRAIS:

A conseqüência mais direta da postura assumida por ambos os jogadores nessa classe de aberturas consiste na gênese de posições complexas, fluidas e assimétricas, perfeitamente dentro do atual estado da arte do xadrez contemporâneo.

Devido ao caráter agressivo desse tipo de posições, quando elas ocorrerem deve-se estar preparado para enfrentar uma situação de sucessivas transformações dramáticas, onde o lado que melhor souber compreender os motivos dessa rápida evolução colherá os melhores resultados.

A ocupação central maciça e a exploração dessa ocupação nunca são elementos estáticos, e tampouco representam um fim em si mesmo. Essas posições evoluem, transformam-se, derivam para outras rapidamente, as quais por sua vez poderão outorgar vantagem decisiva para o lado que melhor souber avaliá-las.

Nesse diapasão, o estudo dessas posições remanescentes, e a compreensão das transformações que nelas resultarão, consiste em elemento importantíssimo do preparo do jogador. Compreendendo-as, ele poderá sacar vantagem imediata da aguda luta que permeia todo o processo, seja na forma material ou posicional. Inclusive, são freqüentes os casos onde as posições resultantes apresentam elevado diferencial de material ou de posição.

A seguir, serão apresentadas partidas com comentários exclusivamente dirigidos a esses elementos de transformação, já que o conhecimento e alcance das posições críticas, como as que foram apresentadas na fase introdutória desse trabalho, além de outras, pode ser adquirido mediante consultas a livros e bases de dados.

1. Defesa Alekhine – Variante dos quatro peões: a história de duas partidas

Bronstein, David (2585) – Ljubojevic, Ljubomir (2570)
Interzonal de Petrópolis-RJ – 1973 [B03]

1.e4 Cf6 2.e5 Cd5 3.d4 d6 4.c4 Cb6 5.f4 dxe5 6.fxe5 c5

O lado preto adota modo diverso do usual nesta variante, no sentido de atrair os peões centrais brancos para uma configuração onde ele acredita estarem mais vulneráveis: a falange d5-e5.

7.d5

Por seu turno, o lado branco avalia exatamente o oposto! Acredita firmemente que a falange d5-e5, em vez de enfraquecida, constitui-se em frente excelente para desencadear o merecido castigo ao comportamento provocativo do adversário...

Este é o eterno choque das idéias no Xadrez, que o torna atrativo a todos aqueles que não se conformam com a mesmice e a falta de criatividade!

Pelos motivos elencados, tanto para brancas como para pretas, este lance constitui o primeiro estágio da transformação posicional do centro de peões avançados.

7...e6 8.Cc3 exd5 9.cxd5 c4 10.Cf3 Bg4


Pretendendo agir com celeridade para não ficar inferior ante a intenção de domínio central das brancas, o lado preto decide-se pelo sacrifício de material para ganho de tempos importantes na fase de abertura.

11.Dd4 Bxf3 12.gxf3 Bb4 13.Bxc4 0–0

Em que pese o centro reforçado e o peão a mais, os problemas das brancas não são poucos: seu Rei está no centro, e as ameaças das pretas são concretas em termos da manobra Cc6-e5. O roque pequeno é impraticável face ao lance Dc7, com ameaça simultânea ao bispo em c4 e ganho da Dama mediante Bc5. Entretanto, mesmo ante esta ameaça de Bc5, Bronstein decide-se por jogar ativamente na coluna "g" .

14.Tg1 g6 15.Bg5 Dc7 16.Bb3 Bc5 17.Df4! Bxg1 18.d6!

Esse é o segundo estágio da transformação posicional do centro de peões avançados. Na avaliação da posição pelas brancas, em troca da torre, desorganizam as peças pretas mediante avanço de seu peão central, o qual atua como verdadeira "cunha" a dividir o jogo preto em duas partes com dificuldade de comunicação: Dama, cavalos e torre na ala da dama, e Rei, torre e bispo na outra ala, de resto já gravemente enfraquecida nas casas pretas.

Por seu turno, Ljubojevic confia em que sua vantagem material, conjugado com ataque à frente de peões centrais brancos, e ainda com ameaças à posição exposta do monarca adversário, serão suficientes para obter resultado satisfatório.

Este é o tipo de avaliação que merece toda a dedicação que possamos dar a ela: em posições similares, deve-se estar atento a manobras incisivas, onde inclusive a entrega de material sem retorno imediato deve ser seriamente considerada. E o lado que tiver a vantagem material deverá considerar sua devolução no momento apropriado, para obter vantagem decisiva ou ao menos para o equilíbrio de oportunidades.

18...Dc8 19.Re2 Bc5 20.Ce4

Uma característica dos peões centrais avançados quando atuando como ponta de lança na posição contrária, consiste em que eles abrem lugar na sua retaguarda para bases centrais de instalação de peças, notadamente os cavalos, que por sua vez podem desempenhar duas finalidades importantes: reforçar o avanço ou ruptura da frente de luta (os peões avançados) e atacarem peças adversárias ou dominarem postos avançados de acesso ao interior da posição contrária, aproveitando as casas de apoio criadas pela ponta de lança. Aqui, o Cavalo em e4 cumpre os dois papéis simultaneamente: ataca o bispo em c5 e dirige-se para o mortal golpe ao monarca preto em f6.

20...C8d7 21.Tc1 Dc6 22.Txc5!

Mais um sacrifício, desta vez da qualidade, que serve de desvio das peças pretas da defesa de seu Rei.

22...Cxc5 23.Cf6+ Rh8 24.Dh4 Db5+ 25.Re3!
Sem temer o xeque em d3, o qual não aliviaria a situação das pretas porque não teria solução satisfatória de contra-ataque.

25...h5 26.Cxh5 Dxb3+

Ao verificar que o ataque branco resulta devastador, GM Ljubojevic pretende algum contra jogo mediante devolução de material. Entretanto, poderia abandonar de pronto, porque as peças remanescentes das brancas, aliadas aos peões centrais avançados, são mais que suficientes para garantir a vitória ao GM Bronstein.

27.axb3 Cd5+ 28.Rd4 Ce6+ 29.Rxd5 Cxg5 30.Cf6+ Rg7 31.Dxg5 Tfd8 32.e6

Abrindo o terceiro estágio da transformação posicional dos peões avançados. Aqui, em presença da total subjugação das pretas, Bronstein aproveita para abrir as defesas do monarca contrario, colocando seu Rei em condição de colaborar com o ataque.

32...fxe6+ 33.Rxe6 Tf8 34.d7

Este lance abre o quarto estágio das transformações de posição dos peões avançados. Como já foi dito, nesse momento a posição resultante de todas as transformações havidas desde a construção do centro branco apresenta elevado diferencial material e posicional, no presente caso em favor das brancas.

34...a5 35.Cg4 Ta6+ 36.Re5 Tf5+ 37.Dxf5 gxf5 38.d8D fxg4 39.Dd7+ Rh6 40.Dxb7 Tg6 41.f4 1–0.

Por: Ernesto Luiz de Assis Pereira elap@terra.com.br - Texto do Ciclo de palestras do Clube de Xadrez de Curitiba http://www.cxc.org.br/ realizada em agosto de 2006).