segunda-feira, 14 de setembro de 2009

IRT 71o. Aniversário CXC - 2009 - Final

                                

Mais uma vez o Clube de Xadrez de Curitiba conseguiu reunir jogadores de xadrez de uma categoria muito especial, Amigos. E se não eram, acabaram ficando. Tive a satisfação de reencontrar o Chuchene, que mesmo operado, jogou firme, não dando moleza para seus adversários. Até o Lauro Marcondes de Oliveira apareceu!



Nosso clube tem esta particularidade. Sinto que todos jogam com muita satisfação e tranquilidade.


Constatei por diversas vezes jogadores perdendo ou ganhando suas partidas , mas deixando suas mesas com alegria, comentando a partida com seu adversário.



Tudo o que acontece sempre tem o seu lado positivo. Se o clube não tivesse chegado a uma situação muito complicada, talvez não houvesse este mutirão e esforço de amigos, associados e de pessoas que simpatizam com esta simpática entidade. Neste sentido o sempre presente Jone Iurk com a ECOBR e a BRMIDIA, tornaram possivel este evento.
A família Cordioli se fez presente com sua força enxadristica e simpatia


                                           
 O CXC hoje se recupera a passos firmes e a nova Diretoria liderada por Acyr Calçado soube encampar e desenvolver os projetos necessários para solucionar os problemas iniciais.

Não podemos deixar de lembrar do nosso Mestre Marcio. Verdadeira locomotiva desta entidade, sempre presente em todos os momentos.

Parabéns aos vencedores. O Palozi fez um evento impecável.
















quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Rating FIDE - Lista Setembro 2009

Top 100 Brasil Ativos

Para aumentar o tamanho da tabela, clique no quadro.
Fonte: http://ratings.fide.com/topfed.phtml?ina=1&country=BRA

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

Estatística Rating FIDE

             Estatísticas por Categorias Países Americanos  
    Setembro 2009

                            

  

Maiores e importantes informações sobre o rating internacional, na página de http://www.torneosajedrez.com/

quarta-feira, 29 de julho de 2009

Xadrez - Erros de arbitragem...

Quando assistimos uma partida de futebol, seja pela televisão ou ao vivo, fica claro que o árbitro, por muitas vezes se equivoca. E isto acontece por vários motivos, entre eles posso citar o mais comum, a dinâmica do jogo. Tudo é muito rápido e a decisão também deve ser.

Foi até pensado em colocar um chip na bola, evitando assim as dúvidas se a bola entrou no gol ou não e favorecendo a marcação dos impedimentos.
Os dois esportes são diferentes. Temos também as competições por equipes. Quatro por quatro. Em alguns países, as Ligas tem competições por equipes com até oito tabuleiros.

Mas a maior diferença com o futebol é a competição individual. A regra é a mesma para os dois tipos de competições. Enquanto em uma partida de futebol, três árbitros de campo e dois auxiliares arbitram e controlam 22 jogadores. Nós, árbitros de xadrez, podemos chegar a ter mais de 250 jogadores ao mesmo tempo e quase sempre com uma equipe igual ou menor de árbitros.
Podemos escolher o sistema eliminatório, que é mais rápido. Mas o mais utilizado em 70% das vezes é o sistema suíço. E para este tipo de sistema, todos os jogadores que iniciam a competição, chegam ao seu final, sendo campeão o, ou os jogadores que alcançarem o maior número de pontos possíveis.

Isto influencia diretamente na arbitragem de cada evento, já que não temos para 250 jogadores, a quantidade de árbitros necessária. Principalmente pelo custo final que alcança.
Para 250 jogadores, seriam 125 mesas. Pelo costume, seria um árbitro a cada 50 jogadores.

Mais ou menos vinte anos atrás, Jogos Abertos do Paraná em Campo Mourão. Passando por uma das mesas da competição por equipes, vejo que um jogador toca em uma peça. Volta seu lance e faz outro. Sendo um lance possível, imediatamente falo para o jogador. A peça foi solta na casa, tem de ficar aonde foi solta. Algumas trocas de opiniões sobre o acontecido e ao final ele pergunta. Calleros, quantas mesas temos nesta competição? Mais de cem, eu respondo. Sinceramente, você tinha de estar passando justamente na minha partida? Acabamos rindo um pouco da pergunta, mas ele concordou em jogar a peça.

Este tipo de pensamento se faz presente em muitos países. Contrariando a regulamentação que nos informa que um jogador com pouco tempo de partida, terá um acompanhamento de um árbitro anotando os lances. O pensamento é, se não temos uma quantidade suficiente de árbitros para cuidar de todas as partidas, não cuidamos de nenhuma. É uma interpretação.

Os Árbitros de Xadrez ou de Futebol erram e antes de tudo, são humanos. Temos de decidir no calor da batalha? Por muitas vezes sim, mas podemos tomar algumas atitudes que um árbitro de futebol não pode. Podemos em caso de dúvida, recorrer à regulamentação escrita. Em alguns casos até trocar de opinião, caso tenhamos certeza de que é a melhor e correta decisão.
No futebol, nunca, ou raramente, veremos um árbitro marcar um pênalti e voltar atrás.

Todos os árbitros de xadrez já cometeram algum erro. E os motivos são os mais variados. O desconhecimento da regulamentação e interpretação equivocada ao atender a partida, autoconfiança exagerada e falta de experiência e sensibilidade em tratar com os jogadores.
Poderíamos dizer que cada partida é um “barril de pólvora”? Certamente, e é por isto que ao atender uma partida, devemos faze-lo da melhor maneira possível, sempre com muita educação.
O erro, pequeno ou grande, importante ou não. Apenas um deslize? Um esquecimento? Um jogador dobrado no emparceiramento inicial? E por aí vai.

O que vou contar realmente aconteceu. Clube de Xadrez São Paulo - SP, Campeonato Brasileiro Absoluto de 1988. Tinha recebido o título de AI no ano anterior e este era o meu primeiro Absoluto como principal. Acredito que tenha sido o último brasileiro com 18 jogadores, dezessete rodadas. Minha esposa quase me jogou para fora de casa após tanto tempo em um só evento.
A CBX me convidou para arbitrar o evento por ser um árbitro de fora do estado organizador, e foi com este evento que acabei pagando o meu diploma de AI.
Como é normal em uma final de brasileiro, tínhamos jogadores fortes e conhecidos, Herman, Rocha, Darcy, Helder, Cícero entre outros. Não me lembro de todos.

Em uma das rodadas tivemos a suspensão de uma partida. O tempo era 2 horas para quarenta lances mais uma hora para 20 com suspensão após 60 lances e seis horas de jogo.
Era uma partida do Tsuboi. Os requisitos para a suspensão foram cumpridos. Entreguei o envelope ao jogador que iria “selar”. Colei o envelope, durex, assinatura, conferencia dos dados. Fui para o hotel descansar com aquele envelope da suspensão, que seria jogada no dia seguinte pela manhã.
Jantei, vi televisão, coca-cola, bolacha. Antes de dormir, por algum motivo dei uma olhada no envelope e fiquei completamente gelado. Faltava alguma coisa. Alguma coisa? Um dos itens mais importantes que deveria estar escrito no envelope. Justamente faltava o tempo da partida.
O que fazer? A esta altura o CXSP já estava fechado. Era uma da manhã. Quase não dormi de preocupação. Primeiro brasileiro como principal e tinha pisado no tomate. Que barbaridade.
Após dar uma olhada nas regras, acabei dormindo. Levantei bem cedo, tomei café e fui para o CXSP. Foi uma eternidade até abrirem a sala. O que vi quando entrei? Que felicidade! A mesa, as peças e o tempo do relógio da competição do dia anterior estavam exatamente no lugar! Não tinham sido modificados. Um árbitro tem de ter um pouco de sorte de vez em quando. Não sempre, mas de vez em quando.
Qual a possibilidade de três pessoas deixarem passar uma informação importante desta? Muito difícil, mas acontece. O que sempre falo é, quando o desastre tem de acontecer, ele acontece.

Para finalizar, o mais importante é não errar, mas se acontecer, o principal é de que maneira absorvemos isto? Sendo árbitros principais, adjuntos ou auxiliares.

sábado, 18 de julho de 2009

Xadrez e Psicología- I



Espera o Xadrez pela Psicologia para sistematizar toda uma série de observações sobre os aspectos psicológicos da luta enxadristica.
A bibliografia do xadrez está cheia de tais vivencias y sua influencia no desenvolvimento da partida. As experiências estão realizadas e o campo continua aberto. O xadrez oferece a possibilidade de moldar a conduta do homem e controlar os resultados de maneira muito peculiar e é do nosso interesse sublinhar tais possibilidades.

A Lasker atribuímos ser o pioneiro em apreciar que por trás da vida da peças está o individuo com seu caráter e que não se pode compreender os segredos da luta enxadristica se deixamos de lado a Psicologia, as inclinações e o caráter do individuo no transcurso desta luta.

Estudou detalhadamente o estilo, os acertos e as falhas de seus oponentes, a fim de utilizar na prática as conclusões obtidas. Em suas partidas temos demonstrações de que não sempre fez os melhores movimentos, mas sim aqueles que resultavam mais desagradáveis para seus oponentes. Estabeleceu que o estilo do enxadrista se espelha no caráter do individuo e demonstrou a verdade de sua tese na prática. Sua intuição humana, para sua época se estendeu como pura sorte ou poderes hipnóticos, por trás de tudo isto, somente um trabalhoso estudo classificatório para detectar as tendências criadoras de seus oponentes. O fruto de seu trabalho passa ao acervo prático e linguagem comum dos enxadristas quando descrevem um estilo e não se supera, independente que seja posicional ou combinatório.
Trata-se de descrever pelo estilo, diversos fatores como a maneira de pensar, o grau de emotividade, as qualidades de sua força de vontade, a atenção e o seu caráter.

Alekhine continuou desenvolvendo as idéias de Lasker sobre a necessidade de conhecer o caráter da personalidade de seu oponente. Foram precisas suas colaborações a respeito e destaca as que faria sobre J. R. Capablanca. Somou novos elementos ao prever a preparação psicológica tanto em sua relação direta ou inversa. Submete a análises os processos psicológi-cos do pensar e do caráter, ainda mais, a influencia de um sobre o outro, a vinculação de um e outro.

Posteriormente, Botvinnik somou importantes informações para criar um sistema de preparação e aperfeiçoamento psicológico, destacando importantes parâmetros, tais como a análise da melhor capacidade de trabalho durante a partida, a predisposição psicológica à competição, etc... Somasse a estas análises a capacidade extraordinária de Botvinnik para transformar as informações obtidas em concretos esquemas de abertura, e na forma de desenvolver a luta em seus aspectos gerais. A preparação especial a situava na luta contra as emoções negativas e se preparava para lutar até o final.

Todos estes dados alcançados por Botvinnik, se apreciam nitidamente em sua longa carreira e poderíamos buscar muitos exemplos nela.


Texto de Lic. Nery Maceiras Moya – Publicado em 20/09/2006 - Ano 7 Nº 320 - Semanário de Ajedrez - NUESTRO CÍRCULO - Director: Arqto. Roberto Pagura - ropagura@ciudad.com.ar - (54 -11) 4958-5808 Yatay 120 8º D 1184. Buenos Aires – Argentina.

terça-feira, 14 de julho de 2009

V Curso de Arbitragem e Organização - e-mail

Prezados Enxadristas e Professores

Estarei iniciando dia 28 de agosto de 2009 o V Curso de Organização e Arbitragem de Xadrez, já abordando a Nova Lei da FIDE que entrou em vigor no dia 01 de julho de 2009.

O curso terá um total de 10 módulos, um módulo por semana, separados por temas.

A cada semana, sempre na sexta-feira, será enviado um módulo/tema, acompanhado de algumas perguntas básicas.

O aluno participante terá o prazo para estudar todo o texto e enviar suas dúvidas até a quarta-feira próxima, quando deverá enviar suas respostas ao e-mail indicado pelo único controlador do curso, AI Carlos Calleros, calleroschess@gmail.com

Todas as dúvidas serão analisadas e enviadas sempre acompanhadas do próximo módulo/tema, podendo, a medida que o curso se desenvolve, serem debatidos os mais variados assuntos, já que as respostas individuais de cada aluno, serão revertidas para todo o grupo.

Aproveite e participe deste curso com duração total de 10 semanas, recebendo todo o material didático em casa sem despesas adicionais ou deslocamento, estudando as matérias no momento em que achar mais conveniente. Após o envio do módulo 09, será enviado o último módulo com a avaliação contendo 20 perguntas.

O propósito do curso é procurar alcançar pessoas interessadas na matéria, que não poderiam participar de um curso presencial, devido aos fatores tempo, custo e principalmente distancia do mesmo.

Será emitido certificado de participação pelo árbitro internacional responsável.

Prazo final para a inscrição 24 de agosto de 2009.

Vagas limitadas. Aproveite e participe, deposite sua inscrição no valor de R$100,00 em nome de Carlos Calleros, Caixa Econômica Federal, Ag. 0369 - conta poupança 013 00422214-7 e informe a data do deposito, enviando o recibo do deposito junto com seu endereço residencial e telefone.
Dúvidas e inscrições, diretamente por e-mail, calleroschess@gmail.com ou pelo telefone 41-9632-4670.

Até lá e um abraço
Calleros

quarta-feira, 1 de julho de 2009

Regional Sul Brasileiro Escolar - Resultado Final/Fotos


Apresentamos os campeões das categorias do Regional Sul Brasileiro Escolar de Xadrez.

Agradecimentos especiais à Estácio Radial por sua sensibilidade e visão ao apoiar este evento. Às Delegações de Lages e RS por sua maciça participação.
À SME de Curitiba e suas escolas de Curitiba pelo seu esforço e participação.
Ao SESC da Esquina, sempre parceiro e perfeito em sua estrutura e a todos os que de alguma maneira contribuíram para que o evento transcorre-se de maneira tranqüila.

Finalmente, ao Presidente da Confederação Brasileira de Xadrez - CBX, Pablyto Robert Baioco, por sua decisão de reativar tão importante evento.

Obrigado a todos

Carlos Calleros
Comite Organizador
Regional Sul Brasileiro Escolar de Xadrez 2009


Relação de Campeões por série e naipe.

Educação Infantil - M
Victor Rahal Basseto PR Colégio Sapiens E.I.E.F.M.Umuarama

Educação Infantil - F
Maria Eduarda Falcão Rodrigues PR Esc. Mun. CEI Curitiba Ano 300 Curitiba

1º ano - M
Jose Pedro Costa Curta M RS Imaculada Conceição Dois Vizinhos

1ª serie (2º ano) - M
Vinicius Rahal Basseto M PR Colégio Sapiens – E.I.E.F.M. Umuarama

2ª serie (3º ano) - M
Yan Henrique Cordeiro SC Colégio Bom Jesus Diocesano Lages

2ª serie (3º ano) - F
Thassila Strasser SC Colégio Bom Jesus Diocesano Lages

3ª serie - M
Thiago Dobuchak SC Colégio Bom Jesus Santo Antonio Blumenau

4ª serie - M
Brenno Henrique Monteiro PR Esc. Mun. CEI Curitiba Ano 300 Curitiba

3ª serie - F
Samara de Mello Seixas F PR Esc. Mun. Presidente Pedrosa Curitiba

4ª serie - F
Tainara Catiane Buss F RS Inter Porto Alegre

5ª serie - M
Leonardo Fernandes Borges SC Escola Ondina Neves Bleyer Lages

6ª serie - M
Wilhian Bianchi SC E.E.B. Doutora Naya Gonzaga Sampaio Lages

5ª serie - F
Luciane Souza Pujol PR E.E. Dom Pedro II Curitiba

6ª serie - F
Carine Kátia Campestrini SC E.B.M. Denise Christiane Harms São Bento Sul

7ª serie - M
Leonardo de Souza Prallon Sampaio SC Col. B.Jesus São José S.Bento do Sul

8ª serie - M
Henrique Nemeth Jr PR Positivo Curitiba

7ªserie - F
Isadora Braun SC Colégio Bom Jesus Santo Antonio Blumenau

8ª serie - F
Daniele B. Reitor PR C.E. Profª Tereza da Silva Ramos Matinhos

Ensino Médio 1o. Ano - M
Ivan Mesquita Vasconcelos Gonçalves PR CE Benjamin Constant Londrina

Ensino Médio 2o. Ano - M
Rogério Hannemann Júnior SC Col. Bom Jesus São José São Bento do Sul

Ensino Médio 3o. Ano - M
Hugo Zanetti M Caetano PR Colégio Betta Foz do Iguaçú

Ensino Médio 1o. Ano - F
Larissa Moretti Vieira SC Col. Santa Rosa de Lima Lages

Ensino Médio 2o. Ano - F
Naiara de Oliveira da Silva PR Colégio Estadual do Paraná Curitiba

Ensino Médio 3o. Ano - F
Helena Cristina Vieira SC Col. Santa Rosa de Lima Lages



Organizadores do evento com o Presidente da Federação Gaúcha Eduardo Medeiros e o Diretor da Federação Catarinense de Xadrez Marco Zaror


Premiados de 2o. a 6o. lugares na classificação por escolas. 1- Colegio Bom Jesus Diocesano-Lages-SC 70 pontos, 2- Colégio Bom Jesus Santo Antonio-Blumenau-SC 60 pontos,3- Colégio Sapiens–E.I.E.F.M.-Umuarama-PR 49 pontos, 4- Escola Machado de Assis-Porto Alegre-RS 42 pontos, 5- Colégio Santa Maria-Curitiba-PR 33 pontos e 6- Cei Curitiba Ano 300-Curitiba-PR 30 pontos. O campeão Bom Jesus Diocesano, ja estava em viagem.


Prof. Pedro Caetano, representante da Federação de Xadrez do Estado do Paraná - FEXPAR, premiando a categoria 5/6 feminino.


Escola com a maior Delegação participantes. Escola Municipal Presidente Pedrosa-Curitiba-PR - 20 ATLETAS


Representantes da Radial, e a premiação do evento, momentos antes do encerramento do evento.


Match que decidiu o título do Campeão da Categoria Comunidade. Murilo Salustiano, Curitiba-PR x João Leonel Dorneles, Dois Irmãos-RS. Partida acompanhada de perto pelo ex-presidente da FGX, Dr. Aragão.


Equipe de arbitragem do evento antes do início da competição. Ausencia de Rodrigo Dropa na informática e da Profa. Simone Cristo.

Resultados completos pelo site: http://www.copaescolardexadrez.com.br/regional_sul_brasileiro_2009.htm
http://picasaweb.google.com.br/nimzo81/FotosRegionalSulBREscolar2009CuritibaPR#
FOTOS DO EVENTO - Gentilmente cedidas por Henrique Nemeth e Katia Lima, Álbum de fotos de Marcelo Konrath VP FGX.

segunda-feira, 15 de junho de 2009

IRT no Paraná - Alfeu Vencedor




ALFEU BUENO É CAMPEÃO NO IRT DE XADREZ NO PARANÁ


O enxadrista da equipe Unimed/FME, Alfeu Junior Varela Bueno, 22 anos, acaba de vencer o IRT-ITNERNATIONAL RATING TOURNAMENT CIDADE DE FRANCISCO BELTRÃO. O evento realizado no interior do Paraná, de quinta a domingo (11 a 14 de junho) e reuniu 30 jogadores de 12 cidades, valendo pontos para o Ranking Internacional da FIDE-FEDERAÇÃO INTERNACIONAL DE XADREZ. Ao todo foram 09 (nove) rodadas de 04 (quatro) horas cada. Alfeu era o pré-rankeado número 01 e tenta melhorar sua pontuação no atual Ranking Internacional. Hoje o lageano tem 2259 dos 2300 necessários para o título de Mestre. Com título em Francisco Beltrão deve chegar aos 2270 e ficar ainda mais próximo do tão almejado título: “Tenho lutado por isso há pelo menos 02 dois anos e se conseguir manter o nível que joguei aqui posso terminar o ano como Mestre” destaca Alfeu, referindo-se as boas partidas que jogou em Francisco Beltrão/PR
A campanha invicta de Alfeu foi vitória sobre Adriano da Silva (Francisco Beltrão/PR), Sidnei Nunes (Foz do Iguaçu/PR), Gláucio Dalla Cort (Francisco Beltrão/PR), Neuri Lunelli (Francisco Beltrão/PR), Jhone Zini (Cascavel/PR) e Diogo Godoi (Cascavel/PR), com dois empates, frente a Haroldo Cunha (Joinville/SC) e João Breitenbach (Cascavel/PR). Para Marco Cordeiro, técnico da equipe Unimed/FME e do enxadrista lageano há 10 anos, não é surpresa esta conquista do atleta, provando que o investimento nele ainda nas categorias de base vem dando retorno cada vez maior: “Quando Alfeu começou teve todo apoio da Unimed/FME para disputar as competições e hoje é uma realidade do xadrez nacional” enfatiza Marco, destacando que o xadrez encerra com chave de ouro a parceria com a Unimed de 11 anos, pois ao mesmo tempo em que Alfeu era campeão em Francisco Beltrão, outros 06 (seis) lageanos representavam o estado no Brasileiro sub 16 e 18 anos. A Unimed rescindiu o contrato com o xadrez lageano no fim de maio e agora a equipe está em busca de novos apoiadores, que queiram patrocinar talentos como Alfeu Junior Varela Bueno, Joana Viana Garcia, Matheus Demertine, Helena Vieira, Leonardo Borges, Giovane Oliveira, entre outos.
O xadrez lageano disputou sua 21ª competição em 2009, com mais de 30 títulos no ano, entre estaduais, nacionais e torneios de ranking internacional. A próxima será a 4ª Etapa do Circuito Catarinense de Xadrez Rápido, em Itajaí, dia 04 de julho e o Sul-Brasileiro Escolar de Xadrez, em Curitiba/PR, entre os dias 04 e 05 de julho.

Marco Aurélio Zaror Cordeiro – Técnico de Xadrez de Lages-SC

quarta-feira, 3 de junho de 2009

sexta-feira, 22 de maio de 2009

Regras de Steinitz

REGRAS DE STEINITZ



As chamadas regras de Steinitz são um conjunto de preceitos que marcaram uma grande evolução no jogo. Foram inicialmente desenvolvidas pelo primeiro campeão mundial e formuladas e difundidas mais tarde principalmente por Emanuel Lasker. O xadrez se transformou totalmente com a aplicação destas regras, que transcendem ao jogo e são aplicáveis a todo tipo de luta. A lógica que as movimenta não conhece fronteira de tempo ou escola. A evolução posterior do jogo representa um refinamento deste primeiro pensamento científico. Estas idéias básicas explicam os diversos cenários da luta enxadristica e responde a perguntas básicas e fundamentais do porque se ganha, porque se perde, porque se ataca, quando se ataca, porque se defender, como atacar, como defender, o que é equilíbrio, que fazer em uma situação de equilíbrio ou definitiva, celebra um momento aonde o pensamento e a criatividade de cada jogador pode desenvolver-se e manifestar-se com êxito.
Segue uma síntese do fundamento principal das mesmas.

1. O bando dominante pode atacar, e deve faze-lo, do contrário, correrá o risco de perder a vantagem. Deverá atacar o ponto mais débil da posição do adversário. (K)

2. O efeito dos pontos débeis e fortes é decisivo, todo o resto é de uma importância secundária. (L)

3. Principio da proporção. O tipo de lance que é necessário está determinado pelas exigências da posição. Se você tem uma grande superioridade de forças em um setor aonde o inimigo tem importantes debilidades, tais como o Rei ou a Dama em má posição, etc., deve atacar este setor o mais rápido possível. Cada uma de suas jogadas terá a idéia de conseguir o melhor resultado. Suas forças de reserva devem estar prontas para o ataque com tanto ganho de tempo quanto seja possível – atacando, por exemplo, algumas debilidades pelo caminho – e as forças de reserva do oponente devem ser mantidas no limite, se possível, mediantes obstruções que poremos no caminho. Os meios são diversos, mas as variantes em razão das muitas jogadas forçadas por parte da defesa, são normalmente poucas, e em conseqüência sujeitas à analise direta. De tais ataques falamos que o “ritmo” (andar, correr) é rápido. (L) Quando sua superioridade não está claramente definida, deve ficar satisfeito com atacar de maneira mais tranqüila, melhorando seus pontos fortes, e metodicamente criando outros novos pontos nas linhas de defesa de seu oponente. Em tais casos o plano é tudo, o tempo, questão de importância secundária. Em geral o “ritmo” do ataque deve ser mais reduzido quanto menor for a sua vantagem. (L)

4. O que está na defensiva deve querer defender-se e fazer temporariamente concessões. (K) A menor quantidade possível, respeitando o principio da economia (L)

5. Em toda posição equilibrada, os dois lados manobram procurando pender o equilíbrio a seu favor. Mas uma posição equilibrada gera outras também equilibradas, em caso que os oponentes joguem com precisão. (K) Devem jogar para manter a cooperação entre as suas peças. (L)
Em uma posição em que tenho vantagem, eu ataco com força, meu oponente deve ter paciência e ser submisso, e pode que, não obstante, tenha de render-se. Sou o martelo, ele, o junco, e o público aplaude. Mas em outras posições equilibradas, eu sou o martelo em uma parte do tabuleiro e junco em outra, e isto pode ser que a platéia não entenda, mas é uma prova mais difícil. Por cada movimento em que obtenho vantagem, eu pago com uma desvantagem. (L) “To get squares, you gotta give squares.” Para obter casas devo ceder casas. (F)

6. A vantagem pode consistir em uma grande e indivisível ou em um conjunto de pequenas. O bando predominante deve acumular pequenas vantagens e transformar as vantagens transitórias em permanentes. (K)
(K): Kotov; (L): Lasker; (F): Fischer)


EXEMPLOS ILUSTRATIVOS


Blackburne,J - Pitschel,K
Paris, 1878



Análise da posição. As brancas possuem um peão a mais, isto por si mesmo não define a partida, é necessário progredir metodicamente incrementando as outras vantagens da posição e logo poderemos fazer valer o material. Para isto Blackburne confia na torre ativa em e5 que sonha entrar na sexta, sétima ou oitava fileira, propicia a abertura da coluna h para dar jogo à outra torre, organiza um ataque contra o peão débil de g5 e trabalha tendo em vista a liberação dos poderes do bispo de e3, momentaneamente limitado pelo peão de d4.

Pode ser útil aproximar em este momento uma, de entre tantas possíveis, definição de ataque: atacar é remover obstáculos. O ataque branco vai no compasso da natureza da vantagem em que se baseia. As jogadas da partida se compreendem facilmente.
37.hxg5 hxg5 38.Th2 Rf8
Se 38...Tg7 39.Th8 Tg8 40.Th7+ Tg7 41.Te7+ Rxe7 42.Txg7+
39.Th7 Bf7
Em 39...Bd5 segue 40.Tb7 Th6 41.Tb8+ Rg7 42.Txg8+ Bxg8 43.Bxg5 Th1 44.Bf4.
Ou: 39...Tg7 40.Te8+ Rxe8 41.Txg7 Td7 42.Txg5 Te7 43.Rf4 Bd5 44.Th5.
40.d5 Txd5 41.Bc5+ Txc5 42.Txc5 Bd5 43.Rf2 Tg7 44.Txg7 Rxg7 45.Txd5 cxd5 46.Re3 1–0





Nimzowitsch,A - Gunsberg,I
St.Petersburg prel St.Petersburg, 1914




As brancas possuem vantagem e devem, portanto, atacar.

Análise da posição:
O bispo preto não pode respirar com tantos peões que compartem no tabuleiro as casas brancas. É o clássico bispo mau dos finais.
Por outro lado, o cavalo branco não tem estes problemas e olha adiante com otimismo e sem travas (peça menor superior).

Os peões de g6 e b7 são debilidades que devem ser atacadas.
O Rei branco ocupa uma excelente posição.
A torre branca por sua parte aponta a b7, mas é um ataque inócuo porque o bispo o defende no momento, sem problemas. Então a torre deve buscar sua melhor posição: a entrada pela sétima e oitava fileira, mesmo que pagando o preço de entregar um peão.
As brancas possuem uma pequena vantagem e a incrementam com a mínima troca de material.
41.Th2 Txg5 42.Th7+ Agora o rei, com pouca mobilidade é objeto de ataque.
42...Rf6 porque retroceder permitiria a fatal entrada do rei branco por d6.
43.f4 Com isto se fixa o peão de f5 que tanto limita o bispo.
43...Th5 44.Tc7 O bispo preto não é só mau por ser pouco ativo senão que, igual ao rei preto é objeto de ataque. Temos de atacar aquilo que é fraco. O estático e suscetível de ser atacado. Estas idéias se expressam em todas as áreas, por exemplo: é inútil para um leão perseguir um animal são e veloz, ele se concentra nas presas em potencial que não podem escapar facilmente, porque são muito jovens, ou muito lentas, estão doentes, ou tem pouco espaço para fugir.

Em todo caso para obter êxito se ataca aquilo que não se movimenta.
44...Th8 A torpeza do bispo compromete a torre, assim uma debilidade vai gerando outra. A posição vai se deteriorando e é envolvida progressivamente por uma paralisia generalizada.
45.c6 liquida o peão b7 para poder chegar ao de a6
45... bxc6+ 46.Txc6+ Rg7 47.Tc7+ Rf6 48.Rc5 Td8 49.Tc6+ a posição ideal da torre
49...Rg7 50.Cf3 O ágil cavalo busca situar-se para atacar g6
50...Rh6 51.Ce5 Tg8 Paralisia total
52.Rb6 Rh5 53.Rc7 Rh6 54.Cxg6 Não se pode servir a dois senhores. 1–0


Por Marcos De Anna, Clarín 7-4-08 – Publicado em 05/07/2008 - Ano 7 Nº 309 - Semanário de Ajedrez - NUESTRO CÍRCULO - Director: Arqto. Roberto Pagura - - (54 -11) 4958-5808 Yatay 120 8º D 1184. Buenos Aires – Argentina. ropagura@ciudad.com.ar

quinta-feira, 21 de maio de 2009

O Xadrez no Cinema


HUMPHREY BOGART




Junto a Stanley Kubrick, Humphrey Bogart é o jogador de xadrez mais famoso no mundo do cinema. Humphrey DeForest Bogart nasceu dia 23 de Janeiro de 1899 em Nova York, filho de um famoso cirurgião e de uma mulher que vinha de uma família de empresários, a conhecida ilustradora, Maud Bogart.

Aprendeu a jogar xadrez aos 13 anos com seu pai, durantes as férias de verão no lago Canadaigua, onde sua família tinha uma casa de campo. Visitava os clubes de xadrez de Nova York com freqüência. Teve que abandonar seus estudos na Academia Phillips em Andover, ao norte de Boston por suas faltas e mau comportamento com o qual teve fechadas as portas de uma carreira acadêmica. Em 1918 se apresentou voluntariamente à marinha, mas não teve que intervir na Primeira Guerra Mundial, que estava quase terminando. No ano seguinte voltou a deixar a marinha.

Bogart trabalhou como mensageiro e vendedor de ações. Graças a gestão de um amigo de seus pais, finalmente recebeu um trabalho na oficina de estudos de Peerless em Fort Lee, Nova Jersey. Em 1920 mais por causalidade começou a trabalhar de ator, e trabalhou em alguns filmes na Broadway. Sua vida era caracterizada pela vida noturna nos clubes, festas de jazz, viagens de barco à vela em Long Island e visitas de finais de semana a casas de campo.

Em 1926 se casou com Helen Menken, mas divorciaram um ano mais tarde, depois de muitas discussões. Em 1928 fez uma segunda tentativa e casou com Mary Philips, que tinha o mesmo hobby que ele, a bebida. Permaneceram juntos até 1937. No ano de 1927, o pai de Bogart teve um acidente de carro e piorou sua saúde. Em conseqüência o consultório foi perdendo sua clientela e o patrimônio familiar foi diminuindo. Depois da separação de sua família, o pai trabalhou como médico em navios cargueiros.
Nestes tempos, para ganhar a vida, Bogart jogava xadrez nos parques de Nova York. Sua prodigiosa memória, dizem que bastava ler o roteiro de um filme uma única vez para saber todo o texto de memória, esta memória o ajudava a jogar bem xadrez.
Em 1930 Bogart foi para Hollywood, mas ao principio só conseguiu papeis secundários. Voltou a Nova York e a Broadway e apesar dos papeis secundários que tinha nos teatros, também voltou a jogar xadrez para ganhar dinheiro. Podíamos vê-lo muitas vezes na Time Square com seu tabuleiro de xadrez.

Um grande avanço como ator ocorreu quando Bogart na época com 36 anos, trabalhou de maneira convincente na peça teatral de êxito "The Petrified Forest" (“O bosque petrificado”) junto a Leslie Howard. Seu papel era de um brutal criminoso. Warner Brothers fez uma versão cinematográfica e graças à ajuda de Leslie Howard, também conseguiu o papel de Duke Mantee no filme.

Em 1937 faleceu uma das irmãs de Bogart, com apenas 34 anos, devido às conseqüências do alcoolismo. Bogart se casou com a terceira mulher, Mayo Methot em 1938. Finalmente em 1942 foi rodado o mais famoso filme de Bogart, Casablanca. No filme apareciam varias referencias ao jogo de xadrez que eram sugestões diretas do próprio Bogart.

De uma maneira ou outra o papel de “Rick Blaine” tinha paralelas biografias, já que, igual que Bogart, era enxadrista e bebia muito.
Houve outros filmes aonde Bogart apareceu jogando xadrez, por exemplo, no filme “Knock on any door” (“Bata em qualquer porta”, 1949).

A pesar de ter abandonado a prática do xadrez nos parques quando alcançou o êxito com seu trabalho de ator, o xadrez mesmo nunca o deixou. Jogava xadrez postal contra os mariners americanos além mar e contra os veteranos nos hospitais militares. Estas atividades lhe trouxeram a visita do FBI que suspeitavam que as anotações poderiam ser algum tipo de código secreto.
Em maio de 1945 Bogart se divorciou de Mayo Methot para casar-se com a jovem Lauren Bacall (20 anos) somente 11 dias mais tarde.

Lauren Bacall também era uma aficionada ao xadrez e na página principal da edição de janeiro do Chess Review Magazin (junho/julio 1945), foi publicada uma foto de Humphrey Bogart, jogando xadrez.
Bogart enfrentando a Charles Boyer com Lauren Bacall olhando. Na revista foi publicada ainda outra foto.

Naqueles tempos, Bogart foi um dos diretores oficiais de torneios da Federação de Xadrez dos Estados Unidos e da Associação do Estado da Califórnia de Xadrez e patrocinou o Congresso de Xadrez Panamericano em Los Angeles 1945, aonde atuou ainda como Co-organizador.

Em uma entrevista com a revista Silver Screen Magazín no ano de 1945, Bogart comentou que o xadrez era uma das coisas mais importantes em sua vida. Nos descansos durante a filmagem de suas películas sempre se entretinha com problemas de xadrez. Mas não foi o único que aproveitava para distrair-se com o jogo das 64 casas nos descansos.



Bogart com Charles Boyer e Herman Steiner


Em 1946 voltou a disfrutar seu gosto pelo xadrez apostado aonde enfrentou o dono de restaurantes, Mike Romanoff (1890-1972). Bogart perdeu o duelo e os 100 dólares da aposta. Ao chegar em casa, em seguida chamou pelo telefone a Romanoff para pedir uma partida revanche pelo mesmo valor. Romanoff perdeu em 20 jogadas, mas sem saber que Bogart contava com a ajuda do maestro americano, Herman Steiner.

Mike Romanoff foi o oponente favorito de Bogart. Bogart alugou uma mesa no restautante Romannoffs, no Rodeo Drive em Beverly Hill, fazendo-se presente por muitas vezes. Quando Bogart não aparecia, a mesa ficava permanentemente reservada.

Em 1947 Bogart chegou a ser o melhor ator pago do mundo, ganhando aproximadamente 500.000 US dólares por ano. Fundou uma empresa produtora de películas, Santana Pictures. Correm rumores que Bogart até analisava os seus amigos através de seus conhecimentos enxadristicos. Em 1949 nasceu o filho de Bogart e Bacall, Stephen, e em 1952 a filha Leslie Howard, que recebeu o nome em recordação a velha mentora de Bogart que em 1942 tinha falecido em um giro para animar as tropas americanas. Em uma visita a San Francisco em 1952, Humprey Bogart se enfrentou com George Koltanowski, quem jogou a cegas e venceu Bogart em 41 movimentos.
Em outra ocasião, Bogart tinha conseguido tablas contra Samuel Reshevsky em uma simultânea deste jogador no restaurante de Romanoff.

Bogart recebeu o Oscar por seu papel no filme “African Queen” (A Rainha da Africa, 1951) como melhor ator.
Ao que parece, jogou por muitas vezes xadrez com sua colega de filmagens, Katherine Hepburn, durante as locações do filme no Congo Belga. Foram conservadas as anotações da partida contra o futuro Campeão Nacional da Bélgica, Paul Limbos.
O próprio Bogart, sem duvida se viu como o melhor enxadrista de Hollywood. Entretanto, perdeu uma partida contra o colunista do New York Herald, Art Buchwald.

Em meados dos anos 50, foi diagnosticado um câncer de esôfago. Uma difícil operação em 1956 não teve êxito. Bogart faleceu no dia 14 de janeiro de 1957, com somente 36 quilos devido a sua doença. Seu oponente de xadrez de toda a vida, Mike Romanoff, foi um dos amigos que levou o seu caixão.

Texto de André Schulz – Publicado em 12/04/2008 - Ano 7 Nº 297 - Semanário de Ajedrez - NUESTRO CÍRCULO - Director: Arqto. Roberto Pagura - ropagura@ciudad.com.ar - (54 -11) 4958-5808 Yatay 120 8º D 1184. Buenos Aires – Argentina.

Boletim Informativo do CXC - Maio de 2009

Entrevista: Dr. Mauro de Athayde (parte 4)

Segue, abaixo, a última parte da entrevista com o Dr. Mauro de Athayde, um dos maiores ícones do Clube de Xadrez de Curitiba. Esperamos que nossos leitores tenham gostado, para que possamos preparar entrevistas cada vez melhores!

Segue, abaixo, a última parte da entrevista com o Dr. Mauro de Athayde, um dos maiores ícones do Clube de Xadrez de Curitiba. Esperamos que nossos leitores tenham gostado, para que possamos preparar entrevistas cada vez melhores!

LS: Antes, para entrar aqui no Clube, só se entrava de terno? Qual era a vestimenta?
MA: O terno fazia parte da vestimenta da época. Nos cinemas não se entrava de terno e gravata. Inclusive, se você ia ao cinema sem gravata, o lanterninha te dava uma gravata para você se sentir confortável. Mas aqui no Clube nunca houve qualquer restrição desse tipo.
LS: O senhor teve algum tutor, alguma pessoa em quem se espelhar?
MA: Não, não... Naquela época era cada um por si, eu sempre fui autodidata. Claro que houve jogadores nos quais eu me espelhei, olhava muito as partidas. O Alekhine, por exemplo, que se preparou muito para aquele match contra o Capablanca, era um jogador excepcional.
LS: E o Clube, como o senhor o vê hoje? Deve ser o único Clube do Brasil com toda essa vivacidade.
MA: Pois é, os clubes hoje em geral vivem uma crise. Creio que isso acontece devido ao fato de que há muitos lugares para se jogar xadrez, inclusive gratuitamente: colégios, bibliotecas, a própria internet. Um clube, para sobreviver, precisa funcionar como uma empresa.
Nosso Clube tem se mantido, mas com muitas dificuldades, muitas. Apesar de as últimas diretorias não terem ajudado muito, agora parece que o Clube está em um bom caminho, com o Acyr e sua turma. Mas mesmo assim, é muito difícil.
Antes, na década de 50, por exemplo, você chegava no Clube e não tinha mesa disponível para jogar. Havia 20, 30 pares de jogadores nas mesas, e você tinha que esperar a vez para jogar. Hoje, com a diversificação, não é mais assim. Antes, também, havia jogadores que jogavam aqui grandes quantias, no baralho, o que acabava dando um sustento para o Clube. Nos últimos anos do baralho, as pessoas vinham aqui para jogar 10, 15 reais, o que quase não gerava reservas para o Clube.
O Clube, antes, tinha mais de 300 sócios. Como eu disse, precisava esperar mesa para jogar. Hoje, é um dos poucos que vem se sustentando. Vamos ver, o caminho acho que é tentar conseguir algum patrocínio e alugar a sala onde antes era o baralho.
LS: O senhor tem alguma mensagem para deixar para os novos sócios e para o pessoal que tem se esforçado tanto para manter o Clube de pé?
MA: Eu tenho uma palavra: esperança. Não deixemos a peteca cair. Temos que lutar com todas as forças para não deixar o Clube afundar. As pessoas não precisam nem contribuir trazendo novos sócios, o importante mesmo é participar. Tem que continuar com os torneios, que trazem gente de fora e tem uma contribuição na parte econômica importante.
Temos que lutar até o fim para não deixar o Clube fechar. Seria muito triste ver um patrimônio como esse, por onde passaram diversas gerações de enxadristas. Precisamos chamar os jovens que participam para que mantenham esse lugar, e que nunca percam a esperança. Como disse o Mário Lago poucos dias antes de morrer: “Quando a pessoa perde a capacidade de ter esperança, é melhor apagar o seu arco-íris”. Acho que é por aí. Enquanto tivermos esperança, tudo estará a salvo.

Campeonato Brasileiro Amador:
Realizado entre os dias 30 de abril e 3 de maio, o Campeonato Brasileiro Amador foi um tremendo sucesso. Com 64 participantes, o torneio trouxe a Curitiba atletas de 11 estados, desde o longínquo Amazonas até o Rio Grande do Sul, o que refletiu numa competição onde todas as regiões do Brasil estariam representadas.
Realizado em 7 rodadas, o torneio contou com o benefício de ser disputado em um ritmo de 2 horas nocaute, o que elevou o nível técnico e permitiu aos jogadores mostrar o que de melhor conheciam sobre o jogo. Fato raro nos dias hoje, em que são os torneios de rápido que predominam.
Outro ingrediente importante que veio a incrementar a disputa foi a infra-estrutura fornecida pelo Clube. As cinco primeiras mesas do torneio eram jogadas em um salão especial, com peças e tabuleiro de madeira artesanalmente trabalhados, o que representou um fator a mais na motivação dos atletas.
Além dos participantes do torneio, foi possível ver grandes jogadores (que, obviamente, não mais podiam ser classificados como “amadores”) prestigiando as partidas. Análises, partidas relâmpago, acesso à internet e outros fatores contribuíram para que esse torneio ficasse marcado, pelo segundo ano consecutivo, como um dos principais no calendário anual do Clube de Xadrez de Curitiba.
O torneio foi muito disputado do começo ao fim, com muitas partidas indo para a decisão nos 10 minutos finais. Apesar da acirrada disputa, um jogador claramente se destacou: Geanfrancesco Pereira, de Santa Catarina, venceu as seis primeiras partidas e garantiu o título com um empate na última rodada. Junto com o troféu de campeão e os R$ 300,00 de premiação, Geanfrancesco garantiu vaga para a semifinal do Campeonato Brasileiro e para o Campeonato Mundial Amador de 2010.
Em segundo lugar ficou Leandro Salles, de Curitiba, com 6 pontos em 7 rodadas, e em terceiro ficou Derlei Florianovitz, de Chapecó, com 5,5 pontos. Na cerimônia de premiação, além de troféus e medalhas distribuídos nas diversas categorias e até o décimo lugar geral, foram sorteados brindes gentilmente fornecidos pela empresa Atto Informática (site: www.a7telecom.com.br), a patrocinadora do evento.
Além do evento principal, aconteceu na noite de sábado o já tradicional torneio de blitz em que os jogadores com maior rating dão vantagem de 6’ x 4’ para os jogadores de menor rating. O MF Adwilhans Souza venceu o torneio com 6,5 pontos em 7 rodadas. Em segundo, empatados com 5,5 pontos, ficaram o MF Ernani Choma, o MF Bolívar Gonzalez e Joaquim Deus Filho.



Geanfrancesco Pereira recebe o troféu de campeão do AI Carlos Calleros, do vice-presidente Adwilhans Souza e do Diretor Técnico Marcio Vargas.




Membros da diretoria do CXC (Acyr, Murilo e Ulisses) e o AI Calleros com o Sr. Horácio Lang, da empresa Atto Informática, patrocinadora do evento.



Você sabia?
O MF paranaense Vitório Chemin completou 59 anos no início de maio, e com o intuito de parabenizá-lo o Clube de Xadrez de Curitiba organizou um torneio relâmpago de aniversário. Vitório, que ainda joga ativamente, teve importantes participações em diversos Campeonatos Brasileiros, Jogos Abertos do Paraná e Campeonatos Paranaenses.
Fica aqui nesta nota a homenagem do Clube ao MF Chemin, que com seu bom humor, irreverência e sua filosofia de vida, inspira muitos jovens enxadristas a seguir um caminho de sucesso pelo mundo das 64 casas.



MF Vitório Chemin, que completa 59 anos no início de maio.

Maiores informações sobre o CXC pelo site www.cxc.org.br ou pelo telefone 41-3222-4539

terça-feira, 12 de maio de 2009

Boletim Informativo CXC - Abril 2009


Entrevista: Dr. Mauro de Athayde (parte 3)


LS: Como era o estudo do xadrez na sua época?
MA: Hoje isso é algo que está muito facilitado. Se você, por exemplo, quer jogar uma variante X da Índia do Rei ou Siciliana, você puxa ali N partidas, milhares de partidas, então ficou muito facilitado. Você quer uma variante, você pega direto pela variante. Naquela época não tinha muitos recursos, era mais baseado nos livros, a maioria importados, que os argentinos compravam. Tinha uma revista chamada Ajedrez e outra inglesa que se chamava Chess.

Então o estudo era muito diferente e muito difícil, você tinha que sentar, analisar tudo por conta.
Antes, quando eu queria jogar uma variante, eu pegava as revistas, selecionava as partidas que continham aquelas linhas de jogo, às vezes transcrevia para outro lugar, para começar a ter uma base. Mas ali cada um ia por conta, era mais na base da imaginação. Alguns jogadores chegaram a fazer uma teoria, Steinitz, Lasker. Hoje o progresso tecnológico é determinante. Antes o xadrez era mais veterano também, o Souza Mendes, por exemplo, foi campeão [brasileiro] com 68 anos. Hoje o xadrez é mais um jogo de jovens, eles têm uma memória boa. Hoje garotos com 14, 15 anos já são Grandes Mestres. Além da informação tem que ter o talento individual.


LS: O senhor mantém uma pasta com as suas partidas?
MA: Eu sou meio relaxado, eu tenho algumas. Tem gente que pergunta: “Cadê as partidas, cadê
suas partidas?”. Eu tenho algumas, mas a gente perde. Saíram algumas na internet. Eu estou para fazer uma coletânea, o [Henrique] Marinho que me incentiva a fazer uma coletânea com as melhores partidas.


LS: Por que você acha que há poucas mulheres que jogam xadrez? Antes também era assim?
MA: É, o Brasil até teve algumas. Em um Brasileiro que eu joguei, teve um Feminino paralelo, teve umas argentinas que jogaram com as brasileiras. Naquela época tinha a Ruth Cardoso, e outras que agora não lembro, a Dora Monteiro. Já havia naquele tempo. Agora, hoje já tem mais, depois que as Polgar surgiram. Tem as chinesinhas que jogam.
Não sei se é uma diferença de sexo ou cultural. Hoje tem as russas e o nível está ficando altíssimo.
No passado teve a Vera Menchik, que foi bem famosa.


LS: Como o Sr. enxerga o surgimento de outros países no cenário mundial do xadrez?
MA: O esporte está mudando. Países que, pessoalmente, eu achava que não tinham xadrez, hoje
tem. A China surgiu de repente. Um país do qual eu nunca tinha ouvido falar de xadrez, o Vietnã, ficou em quinto lugar na Olimpíada, e eu nunca tinha ouvido falar em vietnamita jogando xadrez [risos]. Já o Japão, por exemplo, o jogo deles é outro. O jogo lá é o tal de Go, é complicado, joga com as peças para disputar territórios, é o jogo oficial lá. O Marinho joga o Go, até um dia ele quis me ensinar, mas eu não consegui aprender o espírito da coisa, que é ocupar espaços, com as peças todas iguais.
Texto do Boletim informativo do Clube de Xadrez de Curitiba do mes de Abril de 2009 - Entrevista de Leandro Salles. www.cxc.org.br

terça-feira, 28 de abril de 2009

Regional Sul Brasileiro de Xadrez Escolar 2009







Objetivo: Apontar os campeões do Regional Sul de Xadrez Escolar 2009 da Educação Infantil e 1º ano, 1ª. série (2º ano), 2ª. série (3º ano), 3º série, 4º série, 5º série, 6º série, 7º série, 8º série do Ensino Fundamental e Ensino Médio, nos naipes Masculino e Feminino. Promover o intercâmbio entre enxadristas escolares da Região Sul do Brasil.


Participação: Alunos da Rede de Ensino do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul (Região Sul).


Local: SESC da Esquina – Rua Visconde do Rio Branco, 969 – Curitiba – PR - Fone: (41) 3322-6500, com Prof. Thiago. www.sescpr.com.br/programacao_new.php?getUnidade=8


Data: 04 e 05 de julho de 2009.

Folder completo: www.copaescolardexadrez.com.br/Reg_RSBE_2009_definitivo.pdf







sábado, 11 de abril de 2009

Arbitragem II - Liderança

O xadrez como esporte tem algumas particularidades. Acho que a mais interessante é a capacidade de não exigirmos um campeão isolado nas competições.

Podemos utilizar os sistemas de eliminação simples, como muitos dos esportes utilizam principalmente o tênis e o basquete. Mas o que mais utilizamos é o sistema suíço, que permite reunir um grande número de jogadores.
Este tipo de competição inicia com um número de jogadores e termina se possível, com o mesmo número, se nenhum deles abandonar o evento.
Por causa do número de jogadores inscritos, poderemos ter mais de um jogador com o mesmo número de pontos e até mais de um empatado com a pontuação total.

Lidamos com um público muito grande nas competições, possuidor de uma idade variada entre oito a mais de sessenta anos. Por muitas vezes participando da mesma competição e separados, na premiação por categorias.

Os árbitros de xadrez não são diferentes dos árbitros de outros esportes. Temos de ter uma preparação técnica muito grande, para estarmos atualizados com as últimas modificações das regras do jogo, suas interpretações e como aplica-las.

Minha preocupação ao apresentar este texto não é o tratamento entre árbitros e organizadores ou com o público, mas sim o relacionamento durante a competição entre o Árbitro Chefe ou Geral com a sua equipe de Árbitros. Tenham eles as categorias de Árbitros Internacionais, Regionais, Adjuntos ou sem nenhuma titulação.
Esta relação interfere diretamente no bom andamento de qualquer competição.

Durante os cursos de arbitragem, apresento a seguinte pergunta aos participantes: o que é mais difícil de conseguir realizar, saber mandar ou saber obedecer?

Vou contar o que me aconteceu muito tempo atrás em uma competição por equipes no interior do Paraná. Claro que não citarei a cidade e nem qual foi o evento para que o nome das pessoas envolvidas não seja localizado. Muitas delas ainda são minhas amigas.
Mais ou menos vinte anos atrás fui coordenador desta competição. Na época não tínhamos muitos árbitros, nem na quantidade nem na qualidade que temos hoje.
Por este motivo, nunca conseguia formar uma equipe forte. Fica claro que na época não tínhamos cursos de arbitragem e encarávamos a competição sempre com um pouco de preocupação.
Estávamos em uma das rodadas e não muito longe do local do nosso jogo, a competição de tênis que podíamos assistir de uma das janelas de nossa sala. Eu verificava o tempo, percorria o salão e retornava, se possível, para olhar o tênis.
Em determinado momento, escuto o barulho de alguns relógios a serem acionados com mais velocidade, sinal de que o tempo já estava terminando em algumas partidas. Quando olhei para o salão tive uma surpresa muito grande!
Não tinha nenhum dos quatro árbitros na sala!

A rodada, por sorte acabou bem sem muitos problemas. Reuni a equipe e ao indagar aonde cada um deles tinha ido durante a rodada. Responderam, um estava fumando, o outro foi na farmácia. Outro foi na lanchonete e o mais surpreendente, o último estava na sauna.

Tive que passar um sabão na equipe para que ficasse claro que o fato era lamentável e não poderia voltar a ocorrer.

Como não tinha como convocar uma equipe de conhecimento técnico aceitável na época, sempre acabava por convidar alguns amigos ou pessoas que já tinham participado de outras competições. Não era o melhor, mas como amigos faziam o que eu pedia, apesar de que tinha de ficar controlando toda a equipe para não acontecer nenhum erro técnico grave.
Isto sempre acontecia e me deixava desgastado após cada competição. Depois desta última competição comecei a convocar sempre uma equipe forte, e mais preparada possível, ficando livre apenas para coordenar os eventos.

Antes do início do evento realizar, se possível uma reunião com a equipe de árbitros para repassar diretrizes para a competição.

A primeira “linha de defesa” durante a competição será sempre o “arbitro de campo”. Depois os adjuntos e por ultimo o arbitro chefe.

Se possível, o arbitro chefe deve conhecer bem a equipe de arbitragem com quem trabalha.
Não só saber a capacidade técnica de cada um, mas principalmente o seu comportamento que normalmente nos diferencia um dos outros como pessoas e em nossa profissão.

Foram feitos estudos que acabaram constatando que um número de pessoas trabalhando juntos, durante um determinado período, acaba gerando um desgaste no relacionamento diário, causando atritos e discussões.

O arbitro chefe deve ter a sensibilidade de poder separar ou disponibilizar cada árbitro em um determinado local ou categoria, aonde ele possa desenvolver o seu conhecimento e capacidade da melhor maneira possível.
Por exemplo. Se for um arbitro muito técnico que não tem muita paciência, coloca-lo em uma categoria de maior idade ou adulta. Aqueles que tenham mais paciência também com bom conhecimento técnico coloca-lo com idades menores.
Se forem em duplas, procurar distribuir aqueles que tenham já uma boa experiência em outro evento.

A mesa da arbitragem é o coração do evento. Ela sempre tem de funcionar bem controlando tudo. Deveremos colocar de preferência dois bons árbitros para o controle da mesa, mas se não for possível, pelo menos um deles deve ter muito conhecimento de todos os processos envolvidos na competição.
Os árbitros iniciam na mesa, depois de um tempo evoluem indo para o “campo” salão das partidas. Esta reciclagem é sempre necessária para que os árbitros evoluam em conhecimento e categoria. A presença feminina no quadro de arbitragem é sempre necessária.

Sempre digo que a equipe de arbitragem em um evento tem um propósito. Desenvolver a competição da melhor maneira possível. É como um “navio saindo do porto”. Tem uma direção e um destino que deve ser seguido até o final. Sem a equipe, o arbitro chefe poderá até conseguir realizar a competição, mas com dificuldades.

O arbitro chefe é o “comandante do navio”. Deve, com sua experiência antever e resolver os problemas que acabarem aparecendo, gerenciando com muito cuidado as diferenças que a equipe de árbitros tenha uns com os outros. Diferenças estas que podem ser de personalidade ou de algum problema que tenha acontecido entre eles em alguma competição anterior.
Se um dos árbitros tiver problemas ou se acontecer algum problema na competição, acabará por afetar toda a equipe. E isto não é bom. Se o “navio afundar”, todos vamos ficar molhados, independente da titulação de cada árbitro.

Como arbitro responsável pelo evento temos de saber qual o melhor momento de chamar à responsabilidade ou dar um puxão de orelha em algum dos árbitros de nossa equipe.
A melhor maneira:
a) Nunca em público, e se for possível em local reservado aonde os outros árbitros não possam escutar.
b) Devemos fazê-lo de maneira que o arbitro em questão possa entender o que aconteceu e porque aconteceu podendo evoluir com o fato.
c) Tratar com respeito e consideração os árbitros, sobretudo nos momentos mais difíceis de modo a evitar atos que impliquem em humilhação.
d) Não cometer atos que impliquem em abuso de autoridade.
e) Em último caso, e se isto beneficiar a equipe de arbitragem poderemos reunir todos e conversar sobre o acontecido, definindo padrões de comportamento para casos futuros.

Não podemos ser sempre muito rígidos, mas também não podemos deixar o “navio sem controle”. Temos que ter autoridade e experiência no momento certo. Para aqueles árbitros mais conhecidos e com mais idade será sempre mais fácil por causa de seu histórico.
A maioria dos jogadores e organizadores já os conhecem de outros eventos e sabem como se comportam. Se após o evento os organizadores estiverem satisfeitos com o desenrolar da competição, teremos cumprido o nosso papel e possivelmente seremos convidados novamente no ano seguinte.
Os mais novos deverão galgar os passos básicos obtendo conhecimento e o seu espaço.

Respondendo à pergunta. O mais difícil é mandar. Todos irão aprender da maneira mais difícil, arbitrando.

E não esqueçam...

“Não faças a outros o que não queres que te façam”

quinta-feira, 9 de abril de 2009

Boletim Informativo CXC - Março 2009


Entrevista: Dr. Mauro de Athayde (parte 2)



O Dr. Mauro de Athayde, 77 anos, é uma das figuras mais queridas e ilustres do Clube de Xadrez de Curitiba. Em janeiro, ele nos deu seu depoimento na Sala Otto Mak do CXC:


LS: O CXC era, então, o grande local do xadrez...
MA: Era o único! Depois teve o Clube Juvevê, e um pouco lá na rodoferroviária.

Por isso nós lutamos para não deixar isso aqui morrer, porque aqui é a célula primeira, a origem de tudo, todos passaram por aqui. O Sunye passou por aqui uma época, depois o Disconzi... eles tiveram seu aprendizado aqui nesse Clube.


LS: Nas décadas de 60 e 70, quais foram seus principais resultados?
MA: Eu fui evoluindo, em 1962, 63, 64, joguei os Paranaenses. Depois, em 1964, fiz minha
residência no Rio de Janeiro, em pediatria na Universidade Católica do Rio. Nessa época parei um pouco de jogar torneios. Outro que joguei foi o Paranaense de 1969, quando já jogavam Justo, Vitório [os irmãos Chemin], Ernesto [de Assis Pereira]. Em 1977 teve um Brasileiro aqui em Curitiba, me classifiquei para jogar, depois na final não lembro como fiquei. Ganhei dos dois irmãos, Dirk Dagobert e Herman. O Sunye ganhou aquele torneio. Mas tem uma época em que a gente precisa parar, como tudo, pelo menos competitivamente. Eu ainda acompanho, tenho uns amigos que fiz que frequentam o clube.



LS: O senhor ainda joga?
MA: Jogo relâmpago. O xadrez é uma coisa importante na vida da gente, é uma espécie de
passatempo lúdico, onde a gente faz muitas amizades, essa é a maior virtude. Um enxadrista no mundo é um amigo. O xadrez é uma linguagem universal, é uma língua como o esperanto. Uma vez fui na Bahia, em 1963. Cheguei lá, e acabei ficando meio sem dinheiro. Falei com o Presidente do Clube de Xadrez baiano, que nunca tinha me visto na vida... Ele me ajudou, depois eu reembolsei. Aí você vê a parte da amizade do xadrez, universal.


Naquela época de Guerra Fria, entre Rússia e Estados Unidos, os enxadristas desses países não estavam nem aí para essas coisas. No torneio de Petrópolis, Bronstein, Reshevsky, não estavam nem aí para a política. Jogavam, analisavam. Essa é uma virtude do xadrez. Essa juventude não pode ir para males mais perigosos. Xadrez é uma droga boa, você tem que dosar.

LS: Um dos seus grandes resultados foi no Sul-americano...
MA: Em 1963 eu joguei o Brasileiro, tava em residência mas fui jogar. Joguei muito bem. No
Brasileiro não perdi nenhuma partida, ganhou o Antonio Rocha e eu fiquei em segundo com o Helder Câmara empatado nos pontos. Depois, em Fortaleza, fui jogar o Sul-americano. Jogou toda a turma argentina, o Rosseto, os uruguaios, e do Brasil jogou Helder Câmara, Antonio Rocha. Lá perdi só uma partida, para o Rosseto, que ganhou o torneio. Em segundo ficou outro argentino, o Foguelman. Em terceiro fiquei empatado com outro argentino e um peruano.

Então, quando fui jogar o match de desempate, não é para me justificar que eu não me classifiquei, mas eu ficava na residência no hospital de dia e de noite ia jogar o match. Ganhou o peruano Quiñones, e foi para o Interzonal.

Porém, felizmente, para mim, há males que vem para bem. Se eu houvesse ganhou esse
desempate, não sei o que aconteceria, jogaria na Europa o Interzonal, talvez prejudicaria meu curso. teria que interromper ou não a residência. Claro que senti perder, mas por outro lado não.


LS: O sr. nunca tentou seguir uma carreira profissional?
MA: Na época era muito mais difícil. Hoje ainda dá, tem mais visibilidade. mas antes, só os grandes campeões conseguiam, só os russos sobreviviam. Não sei até hoje se iria para a Europa jogar o Interzonal.


Joguei fundamentalmente os torneios do Clube, era difícil conciliar, dosar as coisas. Tem um pessoal brasileiro agora, o Fier tá bem. O Sunye foi profissional por muitos anos, mas ele tem outra atividade, é empresário. Mas, nessa época de 60 e poucos, pelo rating eu seria MI. Peguei o título de Mestre Nacional, que hoje não vale nada. Mas se pegasse os resultados da época, eu seria o que se diz hoje de MI.

Texto do Boletim informativo do Clube de Xadrez de Curitiba do mes de Março de 2009 - Entrevista de Leandro Salles. www.cxc.org.br

segunda-feira, 6 de abril de 2009

Alimentação de um GM

Investigações realizadas pelo Doutor em Medicina e GMI Helmut Pflege e colaboradores têm demonstrado que o xadrez de elite tem parâmetros fisiológicos comparáveis com outros esportes como o tiro esportivo, o automobilismo e o golfe.

Por isso, requer uma preparação específica não só limitada ao estudo no tabuleiro, mas também que inclua ainda um programa de treinamento físico e um planejamento nutricional adequado. Este estudo envolveu uma amostra de 72 grandes mestres internacionais atuantes, 17 mulheres e 55 homens, com idades compreendidas entre os 18 e os 55 anos.
Os 66,7% dos jogadores estudados consumia ao menos três refeições por dia e 36,1% alternava seu café da manhã.
O café da manhã é um dos mais importantes refeições do dia, já que interfere diretamente no rendimento mental (e físico) matinal, principalmente por seu efeito sobre a concentração de glicose no cérebro e fígado e por contribuir com nutrientes indispensáveis.

Referindo-se à nutrição específica para as competições, as principais conclusões foram as mencionadas a seguir.

A maioria dos Grandes Mestres (66,7%) evitava o excesso de comida ou não ingeria alimentos de difícil digestão antes das partidas, enquanto os demais se inclinavam a um consumo normal ou habitual.

Os alimentos sólidos mais freqüentemente utilizados pelos grandes mestres durante as competições foram o chocolate (80,5%), as frutas (14,6%) e as barras de cereais (9,8%). Com relação aos líquidos, as principais escolhas foram a água (72,1%), o café (42,6%), o chá (29,5%) e os sucos de frutas (23,6%). Metade dos consultados (trinta e seis jogadores) ingeria líquidos mesmo sem sentir sede.

Aproximadamente um terço dos enxadristas (23 jogadores) relataram o uso de suplementos alimentares. Os suplementos mais utilizados por estes enxadristas foram vitaminas, minerais, os aminoácidos e as proteínas.

Com respeito ao treinamento físico, 87,5% dos pesquisados informaram realizar qualquer tipo de atividade desportiva complementar à prática do xadrez. O 51,4% alegaram a prática em uma base regular, como parte da sua formação desportiva geral, enquanto 36,1% afirmaram fazer em com uma freqüência semanal menor ou de forma mais esporádica. Os restantes 12,5% não preenchiam esse tipo de atividade.

A atividade física com regularidade, especialmente o tipo aeróbica, pode ajudar o enxadrista de várias maneiras: beneficiando a postura, aumenta a resistência e a produção de endorfinas, podem reduzir a ansiedade, depressão, tensão e stress, além de incrementar ligeiramente o desempenho cognitivo (memória, inteligência, criatividade), o vigor e a clareza mental. Também contribui para alcançar e manter um peso ideal e à diminuição da gordura corporal reduzindo concentrações de lipídios no sangue, o aumento da fração de HDL ("bom colesterol") é um dos principais pilares no tratamento dos diabetes mellitus e reforça a massa óssea, entre outros.

O tabagismo é um importante fator de risco para doenças cardiovasculares, pode favorecer a ocorrência de vários tipos de câncer, como o de pulmão, laringe, faringe e cavidade oral, pode causar enfisema e também tem efeitos negativos sobre nutrientes. A Nicotina do fumo reduz a capacidade do organismo para usar cálcio, o que pode levar a osteoporose, e fumantes têm, freqüentemente, baixos níveis de várias vitaminas (precursores), como B1, B12, C e β-Caroteno, entre outros. No presente estudo, encontramos que 15,3% dos enxadristas consultados relataram o hábito de fumar.

Segundo o estudo, realizamos uma série de recomendações práticas sobre hábitos saudáveis para um atleta que poderia também ajudar a melhorar o desempenho enxadristico.
O jogador de xadrez deve evitar alimentos "pesados" antes de competir e a última ingestão, importante preparo antes do início da partida, deve ser pelo menos três horas antes do encontro. No caso em que o jogador deseje consumir alimentos mais perto da hora do início da competição (uma a duas horas antes, por exemplo), deveria optar por frutos (inteiros ou como sucos ou saladas, ou secas como passas) barras de cereais, biscoitos, bretzels, iogurte com baixo teor de gordura com copos de cereais ou bebidas isotônicas, por exemplo.

Durante as partidas se recomenda a ingestão de líquidos, e se o enxadrista deseja, também de alimentos sólidos. Pode optar por água mineral com diferentes sabores, suco de frutas, chá, café, bebidas energéticas, barras de cereais, frutas frescas, frutas secas (nozes, avelãs, etc) Frutas secas (passas de uvas, etc.), chocolates, biscoitos de cereais. Fruta, sucos e água são boas para evitar a desidratação.

A melhor estratégia para hidratação durante as partidas consiste em ingerir pequenas quantidades em intervalos regulares. É aconselhável que os enxadristas consumam suplementos alimentares apenas se recomendado por um profissional médico após uma completa avaliação clínica.

A atividade física regular deveria ser considerado como um componente importante na preparação de um enxadrista. É aconselhável realizar uma triagem clínica cardiológica antes de iniciar este tipo de atividade e que seja planejada por um profissional da área.

Texto de Roberto Baglione. (baglio@ciudad.com.ar Lic. en Nutrición Departamento de Nutrición, Centro Nacional de Alto Rendimiento Deportivo (CeNARD), Buenos Aires, Argentina. Publicado em 29/12/2007 - Año 6 Nº 282 - Semanario de Ajedrez - NUESTRO CÍRCULO - Director : Arqto. Roberto Pagura - ropagura@ciudad.com.ar - (54 -11) 4958-5808 Yatay 120 8º D 1184. Buenos Aires – Argentina. Tradução Carlos Calleros.

sexta-feira, 3 de abril de 2009

Xadrez Escolar II

VIOLENCIA ESCOLAR


Afirmam que jogar xadrez é uma ferramenta idônea contra a violência escolar.
Em escolas aonde se pratica foi registrada uma queda nos episódios de agressão. Mover a Dama, tirar o Cavalo, deslizar o Bispo, proteger o Rei. Cada jogada em uma partida de xadrez requer respeitar o desenho de um plano: compreender qual o plano do adversário, memorizar, reflexionar, pensar em como solucionar problemas, recuperar o prazer em jogar.

Dizem os profissionais que o xadrez é uma ferramenta idônea para diminuir a violência escolar.
Por isto propõem que seu ensino se incorpore aos programas educativos de todos os colégios do país,

"O xadrez contribui na moldagem de condutas positivas nas crianças”, explica a Clarín Horacio Moiraghi, Vice-residente da Escola de Xadrez de Villa Martelli, uma das instituições mais importante do país em sua área.

“Temos comprovado que nas escolas aonde as crianças aprendem este jogo, diminuíram os episódios de agressão entre eles e com os docentes”, afirma Moiraghi.

A que se deve? “É que a obsessão e a adrenalina são lançadas, neste caso, em um jogo inofensivo que custa muita tensão. As crianças com problemas de conduta, por exemplo, discutem muito e ficam jogando depois do término da aula, conta”.

Moiraghi informa que nas escolas públicas, também no jardim de infância, do município de Vicente Lopes, os alunos têm o xadrez como uma matéria a mais, uma hora, uma vez por semana.
“Em algumas escolas da cidade de Buenos Aires ou de Morón, por exemplo, e também em algumas províncias, se ensina xadrez, mas com planos isolados, acrescenta.”

Em alguns casos se utiliza como exercícios e a atividade se complementa com torneios.

Em tempos vertiginosos de internet, jogos de vídeo e zapping, com o xadrez as crianças tem a possibilidade de aprender que a paciência vale muito. Mas os especialistas afirmam que esta não é a única vantagem deste jogo, arte, ciência?
Com sua prática vão adquirindo outras habilidades que propiciam permanencia em sala de aula.

A saber:

- Estimula o pensamento lógico, a memória, a imaginação, a tenacidade e a precisão.
- Promove a força de vontade, a concentração, o discernimento e a autocrítica.
- Ensina a aceitar regras precisas e que existe um adversário que deve ser respeitado.
- Permite mover-se com autonomia, solucionar situações problemáticas e conseguir a cooperação entre as peças para fazer uma partida harmoniosa.


(A televisão nada tem a haver com este assunto?)


Texto de Graciela Gioberchio, Clarín 7-4-08 – Publicado em 12/04/2008 - Ano 7 Nº 297 - Semanário de Ajedrez - NUESTRO CÍRCULO - Director: Arqto. Roberto Pagura -
ropagura@ciudad.com.ar - (54 -11) 4958-5808 Yatay 120 8º D 1184. Buenos Aires – Argentina. Tradução de Carlos Calleros.

quarta-feira, 1 de abril de 2009

André Diamant - Novo GM Brasileiro

O Brasil tem mais um GM.

Após ganhar o Campeonato Brasileiro Absoluto, André Diamant, participando de evento na Argentina, consegue a última norma e o rating necessário para a obtenção deste importante título.

Começou na Associação Brasileira "A Hebraica" de São Paulo com 7 anos, ou seja desde 1997 e foi campeão de todas as categorias sub 10,12,14,16,18, absoluto e nas categorias cada uma 2 vezes. Foi para São Petersburgo com 11 anos para treinamento na academia de xadrez do Khalifman patrocinado pelo clube e teve aulas com o Gm Koshiev. Hoje tem aulas com o GM Milos e o clube já o enviou para 5 mundiais e diversos Panamericanos .

O Xadrez Brasileiro parabeniza este jovem GM.

Diretor Geral: Adriano Yabosky, Arbitro Principal: AI Mariano Blas Pingas, Arbitros Adjunto/Internet: AI Luis Scalise, AR Osvaldo Ravier

Mais informações no site oficial do evento.
http://scalise.fortunecity.com/ajo09/ajo09ini.htm#respos





Partida da norma, Raul Claverie IM (ARG) x André Diamante IM (BRA)

Xadrez - O Jogo da Vida - Sportv Repórter


Amigos do Blog

O Árbitro Internacional Estevão Tavares nos envia está informação.

Amigos,

No próximo sábado, dia 4, às 22h30, o Sportv vai exibir um programa especial, de uma hora de duração, sobre o xadrez. Mando abaixo um resumo do que vamos abordar e peço para que divulguem o quanto puderem. Todos vocês são citados nominalmente no programa ou nos créditos, porque me ajudaram demais a desvendar esse mundo. Espero que toda a comunidade enxadrística nos prestigie com sua audiência.

Saudações, Estevão


Xadrez, o jogo da vida - Um dos jogos mais antigos da humanidade é protagonista de uma verdadeira revolução no Brasil. O Sportv Repórter vai mostrar como o xadrez está sendo usado como importante ferramenta educacional, mudando a vida de estudantes, menores infratores, deficientes visuais, crianças com câncer e até atletas que buscam apurar sua técnica nos esportes. O alcance do xadrez é tão supreendente que ele alcançou um canto muito curioso do país: a aldeia indígena dos Tembé, uma tribo do interior do Pará, que encontrou no xadrez um forte aliado na transformação do pensamento e do raciocínio de crianças e jovens. O programa mostra que quem joga exercita diversas áreas do cérebro, trabalhando com cálculos, associações, abstrações e memória. Mostra que menores infratores estão se regenerando por meio do jogo, que crianças com câncer estão tolerando mais o tratamento após aprenderem a jogar, que cegos con seguem melhorar a memória. E, por fim, revela que atletas de futebol, tentando aprender a tomar decisões rápidas e a escolher a estratégia mais eficiente, também estão desvendando os segredos dos tabuleiros de xadrez.
Sportv Repórter - Sábado, 22h30, no Sportv (canal 39 da NET).
Sidney